Este blog encontra-se temporariamente inactivo, mas voltará brevemente ao trabalho.
Pelo facto pede-se desculpas aos nossos estimados visitantes e leitores.
quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
domingo, 16 de Novembro de 2008
Um documento de análise e uma propsta para a acção
Este é um documento algo longo. Sei isso. Mas também é verdade que ele tem de ser assim. Existem coisas que não podem ser resumidas ou sintetizadas. O tamanho deste documento que o Gladium Nacional aqui edita e apresenta tem a dimensão exacta da sua importância no contexto da Luta Nacional que travamos contra os diversos inimigos de Portugal, onde, naturalmente, se inscreve, o actual sistema e decadente regime político partidocrático vigente em Portugal.
É evidente, por demais público e notório, que grande parte da nossa “classe política” e o actual regime político que temos, de forma alguma servem o interesse nacional e, consequentemente, os interesses dos portugueses. É por isso necessário substituí-los e alterar a configuração do actual sistema, tal para abrir novos e justos rumos para Portugal.
É por demais notória a degradação progressiva do nível e qualidade de vida, a degradação do Estado, da Economia, da Educação Nacional, da Saúde, da Cultura, o crescimento exponencial da criminalidade violenta em Portugal, quer pela parte de gang’s organizados (na sua maioria compostos por jovens africanos filhos de imigrantes), como pela parte do crime internacional organizado. A imigração caótica e descontrolada, e a instalação da corrupção em todos os sectores da vida nacional são também dois factores que têm que deixar preocupados todos os portugueses decentes e verdadeiramente dignos desse nome. A nossa Segurança Nacional corre muitos sérios riscos.
É por isso que todos devemos exigir uma NOVA POLÍTICA que, firme e decisivamente, altere toda esta situação. E a LIBERTAÇÃO NACIONAL, passa em absoluto pela definição dessa NOVA POLÍTICA e essa definição pela determinação de pensar eficazmente, sem preconceitos à direita e à esquerda, pela determinação de pensar em termos inteiramente nacionais.
Uma NOVA POLÍTICA exige uma mentalidade nova, política, social e moral, e homens portugueses e mulheres portuguesas que protagonizem a acção, com coragem, dedicação, determinação…e inteligência.
A juventude, pela sua disponibilidade e disposição natural e imediata à acção, pode (e deve!) constituir a vanguarda da luta nacional, ligando-se, nos seus esforços, a todos os centros e grupos de interesses apostados na LIBERTAÇÃO NACIONAL DE PORTUGAL.
Hoje, é preciso unir esforços e na unidade da acção dar cabeça, tronco e membros a todo um vasto conjunto de forças nacionalistas que lutam por um Portugal melhor e que seja efectivamente dos PORTUGUESES.
A renovação da sociedade exige e comporta a renovação das suas ideias e princípios fundamentais. Essas ideias e princípios devem inspirar-se no destino do homem, portador de valores eternos, e na ideia de noção de Nação – entidade supra-geracional, territorial, humana e espiritual – que os realiza no tempo, segundo o princípio da doutrina social. A uma cultura decadente e ultrapassada há que opor uma NOVA CULTURA que harmonize a tradição e a inovação, o espírito e a ciência, o conhecimento e a vida.
Mas uma renovação moral e cultural tem de concretizar-se em novas formas de comportamento, perante os problemas reais, e, nesse nível, terá também de se espelhar em PROPOSTAS PRÁTICAS E ALTERNATIVAS. No domínio da acção política é pela adopção efectiva deste novo comportamento que todo o processo se deve iniciar. Há que partir do real concreto para a consciencialização ideológica, e não o contrário. Os princípios estando na acção, cumprem-se por ela. Porque os princípios justificam os objectivos e são os objectivos cumpridos que representam a fidelidade aos princípios.
É preciso trabalhar concreta e disciplinadamente para organizar a luta e lutar para alcançar a vitória. Os autênticos portugueses, devem assumir um espírito de missão e resistência, e por toda a parte declarar guerra aos homens, instituições, ideias e meios da comunicação social, que sejam os inimigos internos de Portugal. É o homem que faz a História e não a História que faz o homem, e a VONTADE dos portugueses é a única garantia de sucesso da libertação de Portugal.
Os métodos de trabalho a desenvolver decorrem coerentes e convergentes com o tipo de objectivos a atingir.
Os caminhos da nossa luta devem passar pela conquista progressiva de todos os centros de decisão (política, administrativa ou associativa) que for possível conquistar e uma vez conquistados, por orientá-los segundo um rumo. Os meios humanos e materiais devem ser utilizados da maneira mais eficaz para a prossecução deste objectivo que pode ter a forma de uma Cooperativa, de uma Associação, de uma Sociedade, de um órgão de comunicação social, de uma Fundação, de uma Autarquia Local, ou de uma outra qualquer expressão orgânica da vida da comunidade.
A nossa acção manifestar-se-á na conquista e manutenção desses centros de decisão bem como na divulgação de todos os meios de comunicação existentes ou de todo o material de apoio necessário à prossecução das actividades específicas para que estas sejam integradas na manobra geral.
Por outro lado, torna-se necessário desenvolver iniciativas localizadas e dirigidas à opinião pública de reacção e superação perante qualquer acto lesivo dos interesses nacionais, nos seus aspectos físicos, institucionais, humanos ou espirituais, como uma greve política, um acto de prepotência ou corrupção, um insulto à dignidade nacional, uma notícia imbecil ou falsa da comunicação social, declarações irresponsáveis, irrealistas ou demagógicas proferidas por um responsável político, etc.
Só uma actuação orgânica e gradual pode servir de quadro de valorização e determinação de iniciativas imediatas e localizadas.
Torna-se necessário a reunião dos diversos elementos e instituições empenhados nessa ACÇÃO NACIONAL, que coordene minimamente a acção comum, estabeleça a ligação e união necessárias, e forneça os meios materiais indispensáveis.
As tarefas da luta nacional exigem a cabal participação de todos os nacionalistas.
Estando nós (nacionalistas) profundamente identificados com os problemas da acção política nacional e relacionados com alguns grupos de portugueses já conscientes e despertos para a necessidade da acção, vamos assumir de forma consequente, com espírito de serviço, missão e de resistência, o objectivo de reunião e desenvolvimento das forças nacionais, lutando através de todos os meios legais e constitucionais até à vitória final.
Mas não tenhamos ilusões. O nosso combate será sempre um processo e um percurso difícil (o Caminho da Vereda Estreita), onde, para além de tudo, deveremos contar – desde já! – com inúmeros sacrifícios pessoais que nos serão necessariamente pedidos. E, desde já, se avisa aqui, que eles serão muitos e penosos. E, o mínimo que Portugal merece, é que lhe demos tudo.
É verdade que também existem os Caminhos da Vereda Larga, que, quase sempre, levam a becos sem saída e, tantas das vezes, nos conduzem ao malogro, a falsos profetas que para aí abundam em demasia. Desses estamos já fartos. Basta!!!
Para além dos nacionalistas, para além dos portugueses de lei, não se vê que exista, aqui e agora, uma oposição credível ao actual quadro negro que representa o sistema político (partidocrático e plutocrático) existente em Portugal. Pelo menos, nós, não o enxergamos.
Sobre isto tudo que aqui é afirmado, deve acabar qualquer prudente silêncio ou absentismo que possamos ter. A hora que passa é de opções que consideramos deveras inadiáveis e de sairmos – definitivamente! – da escuridão das catacumbas para onde nos remeteram – para onde nos remetemos nós mesmos – à demasiado tempo.
E em termos políticos imediatos, essa responsabilidade e piedoso papel (bom combate) cabe-nos a todos nós (nacionalistas) que, cada vez mais, nos devemos assumir como autênticos Arautos de uma real Alternativa Política e Social para efectivarmos uma Ruptura e Mudança perante o actual “establishment”. Uma força política, Nacional, Patriótica e Popular, que seja uma inequívoca energia mobilizadora para a instauração da IV República Portuguesa. Uma força política com capacidades reais para vetar eficazmente o sistema e caminhar sobre os seus escolhos.
O desastre – histórico, político, económico, educacional, ambiental, social e moral – que tristemente se abateu sob a Nação Portuguesa, isto durante estes últimos 30 anos, veio dar inteiro ensejo aos homens e às mulheres nacionalistas de se poderem afirmar (assim eles e elas o queiram) como uma alternativa possível e credível ao actual sistema político vigente. Sistema esse que primou sempre, ou quase sempre, pela indefinição, pela ambiguidade e pelo hibridismo, instituições que se foram tomando um pegado equivoco, até ao dia em que o equivoco se desfez de podre, com as mais aluidoras consequências, e a realidade crua avultou, calamitosa e já sem remissão possível dentro do presente sistema político.
Em tais deploráveis circunstâncias, e à face do tremendo descalabro público em que Portugal se encontra, está, assim temos de acreditar, acometido aos nacionalistas a patriótica missão de subir ao palco da cena política nacional e de lá retirar do cartaz, onde se encontra à longo tempo, essa tragédia shakespeariana (sobre o alto patrocínio do sistema, obviamente) de Words, Words, Words.
Por isso teremos que Lutar! Trabalhar! Vencer!
GLADIUM NACIONAL
Uma Nota:
Em muita boa hora o blog nacionalista Alma Pátria – Pátria Alma, projectou para o próximo dia 29 de Novembro de 2008, em Cantanhede, um almoço entre aqueles que animam e dão corpo a outros blog’s nacionalistas. Toda esta iniciativa não só nos deve merecer todo o nosso apoio, como a mesma pode representar o bom augúrio de que outros tipos de iniciativas lhe sigam os passos e, quem sabe, já estejam até na forja. São deveras necessárias. São, URGENTEMENTE, necessárias.
Elas terão que significar a nossa Coragem, a nossa Força, o nosso Querer, a nossa Elevação Patriótica, a nossa Inteligência, bem como também o nosso direito ao protesto e à justa indignação contra o podre sistema político que nos (des) governa e cada vez mais nos afunda como TERRA, como POVO, com uma IDENTIDADE muito antiga e que, a todo o custo, temos de saber preservar. Por isso, Corações ao Alto! Em FRENTE!
Mas tudo isso exige, a todos nós NACIONALISTAS, que encontremos os caminhos para uma verdadeira ALTERNATIVA NACIONAL. Terão que ser caminhos da Vereda Estreita, trilhos muito penosos de percorrer e repletos de armadilhas. Mas esse é a única via que nos poderá conduzir, vitoriosamente, do malogro ao milagre.
Por isso o almoço que nas linhas acima é gostosamente referido, para além do agradável convívio em redor de uma boa mesa portuguesa (também a nossa rica gastronomia regional é um sinónimo da nossa Identidade Cultural e Nacional), terá, para ser ouro sobre azul, como sói dizer-se, que constituir um momento alto, tal como um encontro de gente portuguesa e nacionalista, firmemente disposta a também [durante o almoço] lá a saber debater ideias, a saber apresentar soluções e a reflectir para a ACÇÃO. É óbvio que só assim valerá a pena lá ir…e continuar o nosso COMBATE!Sem qualquer espécie de pretensiosismo (entre os nacionalistas eu sou apenas um modesto furriel), mas antes com autêntico espírito de MISSÃO, gostaria, em meu nome pessoal e do Gladium Nacional, deixar-vos aqui, antecipadamente, um documento para uma nossa reflexão colectiva e que, dessa forma, represente, tão-só, um contributo, não decisivo, mas que efectivamente constitua uma espécie de pontapé de saída para uma cogitação muito mais alargada e com, naturalmente, o subsídio de outras opiniões nacionalistas a serem lá feitas. Assim queiramos todos nós.
É evidente, por demais público e notório, que grande parte da nossa “classe política” e o actual regime político que temos, de forma alguma servem o interesse nacional e, consequentemente, os interesses dos portugueses. É por isso necessário substituí-los e alterar a configuração do actual sistema, tal para abrir novos e justos rumos para Portugal.
É por demais notória a degradação progressiva do nível e qualidade de vida, a degradação do Estado, da Economia, da Educação Nacional, da Saúde, da Cultura, o crescimento exponencial da criminalidade violenta em Portugal, quer pela parte de gang’s organizados (na sua maioria compostos por jovens africanos filhos de imigrantes), como pela parte do crime internacional organizado. A imigração caótica e descontrolada, e a instalação da corrupção em todos os sectores da vida nacional são também dois factores que têm que deixar preocupados todos os portugueses decentes e verdadeiramente dignos desse nome. A nossa Segurança Nacional corre muitos sérios riscos.
É por isso que todos devemos exigir uma NOVA POLÍTICA que, firme e decisivamente, altere toda esta situação. E a LIBERTAÇÃO NACIONAL, passa em absoluto pela definição dessa NOVA POLÍTICA e essa definição pela determinação de pensar eficazmente, sem preconceitos à direita e à esquerda, pela determinação de pensar em termos inteiramente nacionais.
Uma NOVA POLÍTICA exige uma mentalidade nova, política, social e moral, e homens portugueses e mulheres portuguesas que protagonizem a acção, com coragem, dedicação, determinação…e inteligência.
A juventude, pela sua disponibilidade e disposição natural e imediata à acção, pode (e deve!) constituir a vanguarda da luta nacional, ligando-se, nos seus esforços, a todos os centros e grupos de interesses apostados na LIBERTAÇÃO NACIONAL DE PORTUGAL.
Hoje, é preciso unir esforços e na unidade da acção dar cabeça, tronco e membros a todo um vasto conjunto de forças nacionalistas que lutam por um Portugal melhor e que seja efectivamente dos PORTUGUESES.
A renovação da sociedade exige e comporta a renovação das suas ideias e princípios fundamentais. Essas ideias e princípios devem inspirar-se no destino do homem, portador de valores eternos, e na ideia de noção de Nação – entidade supra-geracional, territorial, humana e espiritual – que os realiza no tempo, segundo o princípio da doutrina social. A uma cultura decadente e ultrapassada há que opor uma NOVA CULTURA que harmonize a tradição e a inovação, o espírito e a ciência, o conhecimento e a vida.
Mas uma renovação moral e cultural tem de concretizar-se em novas formas de comportamento, perante os problemas reais, e, nesse nível, terá também de se espelhar em PROPOSTAS PRÁTICAS E ALTERNATIVAS. No domínio da acção política é pela adopção efectiva deste novo comportamento que todo o processo se deve iniciar. Há que partir do real concreto para a consciencialização ideológica, e não o contrário. Os princípios estando na acção, cumprem-se por ela. Porque os princípios justificam os objectivos e são os objectivos cumpridos que representam a fidelidade aos princípios.
É preciso trabalhar concreta e disciplinadamente para organizar a luta e lutar para alcançar a vitória. Os autênticos portugueses, devem assumir um espírito de missão e resistência, e por toda a parte declarar guerra aos homens, instituições, ideias e meios da comunicação social, que sejam os inimigos internos de Portugal. É o homem que faz a História e não a História que faz o homem, e a VONTADE dos portugueses é a única garantia de sucesso da libertação de Portugal.
Os métodos de trabalho a desenvolver decorrem coerentes e convergentes com o tipo de objectivos a atingir.
Os caminhos da nossa luta devem passar pela conquista progressiva de todos os centros de decisão (política, administrativa ou associativa) que for possível conquistar e uma vez conquistados, por orientá-los segundo um rumo. Os meios humanos e materiais devem ser utilizados da maneira mais eficaz para a prossecução deste objectivo que pode ter a forma de uma Cooperativa, de uma Associação, de uma Sociedade, de um órgão de comunicação social, de uma Fundação, de uma Autarquia Local, ou de uma outra qualquer expressão orgânica da vida da comunidade.
A nossa acção manifestar-se-á na conquista e manutenção desses centros de decisão bem como na divulgação de todos os meios de comunicação existentes ou de todo o material de apoio necessário à prossecução das actividades específicas para que estas sejam integradas na manobra geral.
Por outro lado, torna-se necessário desenvolver iniciativas localizadas e dirigidas à opinião pública de reacção e superação perante qualquer acto lesivo dos interesses nacionais, nos seus aspectos físicos, institucionais, humanos ou espirituais, como uma greve política, um acto de prepotência ou corrupção, um insulto à dignidade nacional, uma notícia imbecil ou falsa da comunicação social, declarações irresponsáveis, irrealistas ou demagógicas proferidas por um responsável político, etc.
Só uma actuação orgânica e gradual pode servir de quadro de valorização e determinação de iniciativas imediatas e localizadas.
Torna-se necessário a reunião dos diversos elementos e instituições empenhados nessa ACÇÃO NACIONAL, que coordene minimamente a acção comum, estabeleça a ligação e união necessárias, e forneça os meios materiais indispensáveis.
As tarefas da luta nacional exigem a cabal participação de todos os nacionalistas.
Estando nós (nacionalistas) profundamente identificados com os problemas da acção política nacional e relacionados com alguns grupos de portugueses já conscientes e despertos para a necessidade da acção, vamos assumir de forma consequente, com espírito de serviço, missão e de resistência, o objectivo de reunião e desenvolvimento das forças nacionais, lutando através de todos os meios legais e constitucionais até à vitória final.
Mas não tenhamos ilusões. O nosso combate será sempre um processo e um percurso difícil (o Caminho da Vereda Estreita), onde, para além de tudo, deveremos contar – desde já! – com inúmeros sacrifícios pessoais que nos serão necessariamente pedidos. E, desde já, se avisa aqui, que eles serão muitos e penosos. E, o mínimo que Portugal merece, é que lhe demos tudo.
É verdade que também existem os Caminhos da Vereda Larga, que, quase sempre, levam a becos sem saída e, tantas das vezes, nos conduzem ao malogro, a falsos profetas que para aí abundam em demasia. Desses estamos já fartos. Basta!!!
Para além dos nacionalistas, para além dos portugueses de lei, não se vê que exista, aqui e agora, uma oposição credível ao actual quadro negro que representa o sistema político (partidocrático e plutocrático) existente em Portugal. Pelo menos, nós, não o enxergamos.
Sobre isto tudo que aqui é afirmado, deve acabar qualquer prudente silêncio ou absentismo que possamos ter. A hora que passa é de opções que consideramos deveras inadiáveis e de sairmos – definitivamente! – da escuridão das catacumbas para onde nos remeteram – para onde nos remetemos nós mesmos – à demasiado tempo.
E em termos políticos imediatos, essa responsabilidade e piedoso papel (bom combate) cabe-nos a todos nós (nacionalistas) que, cada vez mais, nos devemos assumir como autênticos Arautos de uma real Alternativa Política e Social para efectivarmos uma Ruptura e Mudança perante o actual “establishment”. Uma força política, Nacional, Patriótica e Popular, que seja uma inequívoca energia mobilizadora para a instauração da IV República Portuguesa. Uma força política com capacidades reais para vetar eficazmente o sistema e caminhar sobre os seus escolhos.
O desastre – histórico, político, económico, educacional, ambiental, social e moral – que tristemente se abateu sob a Nação Portuguesa, isto durante estes últimos 30 anos, veio dar inteiro ensejo aos homens e às mulheres nacionalistas de se poderem afirmar (assim eles e elas o queiram) como uma alternativa possível e credível ao actual sistema político vigente. Sistema esse que primou sempre, ou quase sempre, pela indefinição, pela ambiguidade e pelo hibridismo, instituições que se foram tomando um pegado equivoco, até ao dia em que o equivoco se desfez de podre, com as mais aluidoras consequências, e a realidade crua avultou, calamitosa e já sem remissão possível dentro do presente sistema político.
Em tais deploráveis circunstâncias, e à face do tremendo descalabro público em que Portugal se encontra, está, assim temos de acreditar, acometido aos nacionalistas a patriótica missão de subir ao palco da cena política nacional e de lá retirar do cartaz, onde se encontra à longo tempo, essa tragédia shakespeariana (sobre o alto patrocínio do sistema, obviamente) de Words, Words, Words.
Por isso teremos que Lutar! Trabalhar! Vencer!
GLADIUM NACIONAL
Uma Nota:
Em muita boa hora o blog nacionalista Alma Pátria – Pátria Alma, projectou para o próximo dia 29 de Novembro de 2008, em Cantanhede, um almoço entre aqueles que animam e dão corpo a outros blog’s nacionalistas. Toda esta iniciativa não só nos deve merecer todo o nosso apoio, como a mesma pode representar o bom augúrio de que outros tipos de iniciativas lhe sigam os passos e, quem sabe, já estejam até na forja. São deveras necessárias. São, URGENTEMENTE, necessárias.
Elas terão que significar a nossa Coragem, a nossa Força, o nosso Querer, a nossa Elevação Patriótica, a nossa Inteligência, bem como também o nosso direito ao protesto e à justa indignação contra o podre sistema político que nos (des) governa e cada vez mais nos afunda como TERRA, como POVO, com uma IDENTIDADE muito antiga e que, a todo o custo, temos de saber preservar. Por isso, Corações ao Alto! Em FRENTE!
Mas tudo isso exige, a todos nós NACIONALISTAS, que encontremos os caminhos para uma verdadeira ALTERNATIVA NACIONAL. Terão que ser caminhos da Vereda Estreita, trilhos muito penosos de percorrer e repletos de armadilhas. Mas esse é a única via que nos poderá conduzir, vitoriosamente, do malogro ao milagre.
Por isso o almoço que nas linhas acima é gostosamente referido, para além do agradável convívio em redor de uma boa mesa portuguesa (também a nossa rica gastronomia regional é um sinónimo da nossa Identidade Cultural e Nacional), terá, para ser ouro sobre azul, como sói dizer-se, que constituir um momento alto, tal como um encontro de gente portuguesa e nacionalista, firmemente disposta a também [durante o almoço] lá a saber debater ideias, a saber apresentar soluções e a reflectir para a ACÇÃO. É óbvio que só assim valerá a pena lá ir…e continuar o nosso COMBATE!Sem qualquer espécie de pretensiosismo (entre os nacionalistas eu sou apenas um modesto furriel), mas antes com autêntico espírito de MISSÃO, gostaria, em meu nome pessoal e do Gladium Nacional, deixar-vos aqui, antecipadamente, um documento para uma nossa reflexão colectiva e que, dessa forma, represente, tão-só, um contributo, não decisivo, mas que efectivamente constitua uma espécie de pontapé de saída para uma cogitação muito mais alargada e com, naturalmente, o subsídio de outras opiniões nacionalistas a serem lá feitas. Assim queiramos todos nós.
A Luta Contra o Sistema
Há camaradas que se dizem nacionalistas que ainda não compreenderam o real sentido de se ser, nesta hora, em Portugal, nacionalista.
A luta contra o actual “establishment” político demo-liberal é um combate de resistência onde o único facto de existirmos já é uma grande vitória contra o mesmo.
Existem camaradas, que impelidos por espírito irrealista e imaturidade política se deixam arrastar em projectos utópicos, mal estruturados e de caris imediatista. Querem fazer tudo a um tempo e de uma vez, esquecendo que o sistema político tudo domina e controla.
Por isso o nosso combate contra o sistema político demo-liberal tem que se processar com inteligência política, pois caso contrário ele organiza-se de maneira a “absorver”, por adaptação, encontrando logo um antídoto contra os seus oponentes.
Em tempos, e isto é somente um simples exemplo, os hippies, movimento contestatário, de pacifistas, degenerados e drogados, nascido nos EUA, quis, à sua maneira, destruir o sistema americano (american way of life). Deu-se precisamente o contrário: não só foram eles os destruídos, como o sistema e a sociedade de consumo capitalista tirou partido deles, visto certa espécie de “comerciantes” terem feito rios de dinheiro com eles.
O sistema político demo-liberal deve ser combatido com firmeza? Claro que sim! Mas é necessário não esquecer que tal deve ser apoiado por acções culturais e de propaganda. O sistema político demo-liberal combate-se desmistificando os mitos em que este se apoia, ou sejam, a democracia, o igualitarismo, o liberalismo, o humanismo piegas, o marxismo. Eles são conceitos e filosofias antinaturais ao homem. São falsos! Podem-se provar que são falsos.
Para tal é preciso núcleos de militantes nacionalistas, minimamente (in) formados e politicamente doutrinados, a fim, de por palavras e por acções, conduzirem um combate eficiente e com razão de ser contra o sistema demo-liberal que nos sufoca e conduz ao abismo como Pátria com uma Identidade Nacional própria. Caso contrário não vale a pena, visto a nossa luta se poder a vir a assemelhar àqueles garotos a quem o vidraceiro da esquina paga para os ditos partirem os vidros das casas dos vizinhos.
Lutemos, pois, contra o sistema demo-liberal, mas com inteligência e com forte consciência política.
Gladium Nacional
A luta contra o actual “establishment” político demo-liberal é um combate de resistência onde o único facto de existirmos já é uma grande vitória contra o mesmo.
Existem camaradas, que impelidos por espírito irrealista e imaturidade política se deixam arrastar em projectos utópicos, mal estruturados e de caris imediatista. Querem fazer tudo a um tempo e de uma vez, esquecendo que o sistema político tudo domina e controla.
Por isso o nosso combate contra o sistema político demo-liberal tem que se processar com inteligência política, pois caso contrário ele organiza-se de maneira a “absorver”, por adaptação, encontrando logo um antídoto contra os seus oponentes.
Em tempos, e isto é somente um simples exemplo, os hippies, movimento contestatário, de pacifistas, degenerados e drogados, nascido nos EUA, quis, à sua maneira, destruir o sistema americano (american way of life). Deu-se precisamente o contrário: não só foram eles os destruídos, como o sistema e a sociedade de consumo capitalista tirou partido deles, visto certa espécie de “comerciantes” terem feito rios de dinheiro com eles.
O sistema político demo-liberal deve ser combatido com firmeza? Claro que sim! Mas é necessário não esquecer que tal deve ser apoiado por acções culturais e de propaganda. O sistema político demo-liberal combate-se desmistificando os mitos em que este se apoia, ou sejam, a democracia, o igualitarismo, o liberalismo, o humanismo piegas, o marxismo. Eles são conceitos e filosofias antinaturais ao homem. São falsos! Podem-se provar que são falsos.
Para tal é preciso núcleos de militantes nacionalistas, minimamente (in) formados e politicamente doutrinados, a fim, de por palavras e por acções, conduzirem um combate eficiente e com razão de ser contra o sistema demo-liberal que nos sufoca e conduz ao abismo como Pátria com uma Identidade Nacional própria. Caso contrário não vale a pena, visto a nossa luta se poder a vir a assemelhar àqueles garotos a quem o vidraceiro da esquina paga para os ditos partirem os vidros das casas dos vizinhos.
Lutemos, pois, contra o sistema demo-liberal, mas com inteligência e com forte consciência política.
Gladium Nacional
O Islão e o Wahhabismo
A Grande Ameaça Contra o Ocidente
Nota de Abertura
O presente conciso texto que aqui tomo a liberdade de vos apresentar, serve para elucidar os nacionalistas portugueses sobre uma questão que, para além de ser pouco abordada, isso quando se escreve sobre o perigo que o Islão (ou islamismo) representa para todo o Ocidente, igualmente é pouco conhecida entre nós. E isso é deveras inquietante. Daí a sua oportunidade e premência em a dar a conhecer a todos os nacionalistas e aos portugueses em geral.
É, assim, um pequeno, mas importante, subsídio para uma melhor compreensão quanto à estratégia (do Islão) e da doutrina (Saudita) dos Wahhabitas, para a submissão dos Povos da Terra ao Islamismo.
O termo islamismo deriva do árabe e significa “conformidade” ou “submissão”. Os islamitas também dizem que quer dizer “paz”. Acreditamos que sim. Mas é a “paz” que eles, pela força, nos querem impor, obviamente.
O islamismo é uma religião de pendor monoteísta que tem por base a submissão incondicional (Kismet ou fatalismo) dos crentes à vontade suprema de Alá (em árabe Al-A’lã), caracterizado como Deus único, absoluto, justo e omnipresente.
Um ponto importante que convém aqui salientar sobre o islamismo e arabismo. Quando se fala de Islão e arabismo, nem sempre isso significa que essas duas noções (que às vezes, de facto, coincidem) possam ser associadas: a primeira, porque designa uma comunidade geral de religião e fé (que até é maioritária), a segunda, prende-se com uma comunidade de língua e de civilização. Existem cristãos que são árabes, como no passado, houveram judeus árabes.
Todavia, o islamismo (ou Islão), comporta uma questão que muito raramente é focada. Nesse sentido torna-se da maior relevância aqui transcrever o que U.S. Naipoul, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, do ano de 2001, disse acerca do Islão, isso no Preâmbulo do seu livro “Para Além da Crença – Digressões islâmicas entre povos convertidos”, Publicações D. Quixote, pág. 11:
«O Islão não é somente uma questão de consciência ou de crença privada. Faz exigências imperiosas. A visão do mundo de um convertido é diferente. Os seus lugares santos são em terras árabes, a sua língua sagrada é o árabe. A sua noção de história é diferente. Ele rejeita a sua e, quer goste ou não, torna-se parte da árabe. O convertido tem de se afastar de tudo quanto é dele. A perturbação é inversa para as sociedades e, mesmo após uns mil anos, pode continuar por resolver; este virar de costas tem de ser feito uma e outra vez. As pessoas criam fronteiras sobre quem e o que são, e, no Islão dos países convertidos, existe um elemento de neurose e de niilismo. Estes países podem facilmente entrar em ebulição…»
Ainda num quadro de doutrinas islâmicas contrárias ao Ocidente, deve ser seguida com toda a atenção (enquanto é tempo) o Wahhabismo.[i] O Wahhabismo (para uns primeiros estudos do que é o Wahhabismo, consultar, na Net, a Wikipédia) é uma das mais importantes correntes ideológicas e teológicas (nascida na Arábia Saudita) que preconiza, entre outros princípios, a sujeição da modernidade, isso a favor de um regresso ao passado sagrado do Fundador (Maomé).
Tal movimento islâmico (estritamente controlado pelos árabes sauditas e apenas por eles) foi iniciado por Mohammed Ibn ‘Abd al-Wahhad (1703-1792), natural de Nayad (hoje Riade) na Arábia, já então dominada pelo clã dos Saud.
Basta dizer, que o islamismo, conduzido pelos árabes sauditas, é um dos imperialismos mais intolerantes e violentos que já existiram, até hoje, à face da Terra.
Acresce ainda, que (ao que parece), muitos que, entre nós, se afirmam nacionalistas, sempre muito preocupados com o Judaísmo Internacional e os “Protocolos dos Sábios de Sião”, depois, lhes escapa – em absoluto – este importante pormenor que aqui é referido, ou seja, a enorme ameaça que o Islão (controlado pela seita dos Wahhabitas) representa para todo mundo ocidental, nomeadamente para a Europa, onde nos situamos. Aliás, as milhares de Mesquitas e Madraças que hoje em dia já se encontram instaladas por toda a Europa (80% destas instalações são financiadas por fundos sauditas do Wahhabismo), graças à complacência[ii] e tolerância religiosa dos governos demo-liberais europeus, condescendência essa, que de modo algum é correspondida nos países islâmicos (muito pelo contrário, já que em muitos deles existe uma violenta perseguição aos cristãos), são na sua quase totalidade subsidiadas pelos Wahhabitas como acima é referido. E isso não acontece pelo mero acaso. Ninguém dá dinheiro de graça (mesmo os Wahhabitas).
Muito mais teria a dizer sobre a acção dos Wahhabitas[iii], tal na difusão (imperialista) do islamismo a nível mundial. Teria que ser, todavia, um documento mais extenso. Este pequeno texto tem, tão-só, como objectivo primordial alertar consciências [dar o mote) para o estudo do problema que aqui de forma sucinta é levantado. É nossa obrigação estudá-lo detalhadamente, isso para realmente conhecermos o inimigo que temos, doravante, que enfrentar. Um inimigo que não é de hoje, como penso que muitos sabem. Um inimigo com quem nós, europeus, já travamos mil batalhas. E estamos preparados para travar mais? Será que sabemos que espécie de inimigo ele efectivamente hoje é? Deixo aqui estas duas perguntas à vossa inteira reflexão.
António José dos Santos Silva
[i] Para entender muito melhor o que foi e é o Wahhabismo, ler o livro de Bernard Lewis – “Guerra Santa e Terror Ímpio”, Capítulo VIII, “O casamento entre o Poder e a Doutrina Wahhabita”, editado em Portugal pela Relógio de Água. Este autor é um dos mais categorizados especialistas da actualidade em assuntos do Médio Oriente e ao Islão em geral.
[ii] Mais que complacência é pura cobardia. No ano de 2007, no sul de Espanha, um Conselho Directivo de uma Escola, mandou proibir uma festa natalícia na sua escola, alegando, que pelo facto de nessa mesma escola andarem também a estudar meninos muçulmanos, tal poderia constituir uma ofensa (?) ao Islão…
[iii] Osama Bin Laden, por exemplo, é um saudita da seita dos Wahhabitas.
O presente conciso texto que aqui tomo a liberdade de vos apresentar, serve para elucidar os nacionalistas portugueses sobre uma questão que, para além de ser pouco abordada, isso quando se escreve sobre o perigo que o Islão (ou islamismo) representa para todo o Ocidente, igualmente é pouco conhecida entre nós. E isso é deveras inquietante. Daí a sua oportunidade e premência em a dar a conhecer a todos os nacionalistas e aos portugueses em geral.
É, assim, um pequeno, mas importante, subsídio para uma melhor compreensão quanto à estratégia (do Islão) e da doutrina (Saudita) dos Wahhabitas, para a submissão dos Povos da Terra ao Islamismo.
O termo islamismo deriva do árabe e significa “conformidade” ou “submissão”. Os islamitas também dizem que quer dizer “paz”. Acreditamos que sim. Mas é a “paz” que eles, pela força, nos querem impor, obviamente.
O islamismo é uma religião de pendor monoteísta que tem por base a submissão incondicional (Kismet ou fatalismo) dos crentes à vontade suprema de Alá (em árabe Al-A’lã), caracterizado como Deus único, absoluto, justo e omnipresente.
Um ponto importante que convém aqui salientar sobre o islamismo e arabismo. Quando se fala de Islão e arabismo, nem sempre isso significa que essas duas noções (que às vezes, de facto, coincidem) possam ser associadas: a primeira, porque designa uma comunidade geral de religião e fé (que até é maioritária), a segunda, prende-se com uma comunidade de língua e de civilização. Existem cristãos que são árabes, como no passado, houveram judeus árabes.
Todavia, o islamismo (ou Islão), comporta uma questão que muito raramente é focada. Nesse sentido torna-se da maior relevância aqui transcrever o que U.S. Naipoul, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, do ano de 2001, disse acerca do Islão, isso no Preâmbulo do seu livro “Para Além da Crença – Digressões islâmicas entre povos convertidos”, Publicações D. Quixote, pág. 11:
«O Islão não é somente uma questão de consciência ou de crença privada. Faz exigências imperiosas. A visão do mundo de um convertido é diferente. Os seus lugares santos são em terras árabes, a sua língua sagrada é o árabe. A sua noção de história é diferente. Ele rejeita a sua e, quer goste ou não, torna-se parte da árabe. O convertido tem de se afastar de tudo quanto é dele. A perturbação é inversa para as sociedades e, mesmo após uns mil anos, pode continuar por resolver; este virar de costas tem de ser feito uma e outra vez. As pessoas criam fronteiras sobre quem e o que são, e, no Islão dos países convertidos, existe um elemento de neurose e de niilismo. Estes países podem facilmente entrar em ebulição…»
Ainda num quadro de doutrinas islâmicas contrárias ao Ocidente, deve ser seguida com toda a atenção (enquanto é tempo) o Wahhabismo.[i] O Wahhabismo (para uns primeiros estudos do que é o Wahhabismo, consultar, na Net, a Wikipédia) é uma das mais importantes correntes ideológicas e teológicas (nascida na Arábia Saudita) que preconiza, entre outros princípios, a sujeição da modernidade, isso a favor de um regresso ao passado sagrado do Fundador (Maomé).
Tal movimento islâmico (estritamente controlado pelos árabes sauditas e apenas por eles) foi iniciado por Mohammed Ibn ‘Abd al-Wahhad (1703-1792), natural de Nayad (hoje Riade) na Arábia, já então dominada pelo clã dos Saud.
Basta dizer, que o islamismo, conduzido pelos árabes sauditas, é um dos imperialismos mais intolerantes e violentos que já existiram, até hoje, à face da Terra.
Acresce ainda, que (ao que parece), muitos que, entre nós, se afirmam nacionalistas, sempre muito preocupados com o Judaísmo Internacional e os “Protocolos dos Sábios de Sião”, depois, lhes escapa – em absoluto – este importante pormenor que aqui é referido, ou seja, a enorme ameaça que o Islão (controlado pela seita dos Wahhabitas) representa para todo mundo ocidental, nomeadamente para a Europa, onde nos situamos. Aliás, as milhares de Mesquitas e Madraças que hoje em dia já se encontram instaladas por toda a Europa (80% destas instalações são financiadas por fundos sauditas do Wahhabismo), graças à complacência[ii] e tolerância religiosa dos governos demo-liberais europeus, condescendência essa, que de modo algum é correspondida nos países islâmicos (muito pelo contrário, já que em muitos deles existe uma violenta perseguição aos cristãos), são na sua quase totalidade subsidiadas pelos Wahhabitas como acima é referido. E isso não acontece pelo mero acaso. Ninguém dá dinheiro de graça (mesmo os Wahhabitas).
Muito mais teria a dizer sobre a acção dos Wahhabitas[iii], tal na difusão (imperialista) do islamismo a nível mundial. Teria que ser, todavia, um documento mais extenso. Este pequeno texto tem, tão-só, como objectivo primordial alertar consciências [dar o mote) para o estudo do problema que aqui de forma sucinta é levantado. É nossa obrigação estudá-lo detalhadamente, isso para realmente conhecermos o inimigo que temos, doravante, que enfrentar. Um inimigo que não é de hoje, como penso que muitos sabem. Um inimigo com quem nós, europeus, já travamos mil batalhas. E estamos preparados para travar mais? Será que sabemos que espécie de inimigo ele efectivamente hoje é? Deixo aqui estas duas perguntas à vossa inteira reflexão.
António José dos Santos Silva
[i] Para entender muito melhor o que foi e é o Wahhabismo, ler o livro de Bernard Lewis – “Guerra Santa e Terror Ímpio”, Capítulo VIII, “O casamento entre o Poder e a Doutrina Wahhabita”, editado em Portugal pela Relógio de Água. Este autor é um dos mais categorizados especialistas da actualidade em assuntos do Médio Oriente e ao Islão em geral.
[ii] Mais que complacência é pura cobardia. No ano de 2007, no sul de Espanha, um Conselho Directivo de uma Escola, mandou proibir uma festa natalícia na sua escola, alegando, que pelo facto de nessa mesma escola andarem também a estudar meninos muçulmanos, tal poderia constituir uma ofensa (?) ao Islão…
[iii] Osama Bin Laden, por exemplo, é um saudita da seita dos Wahhabitas.
Carta (Aberta) ao Zé Campos e Sousa, aos meus amigos e a todos os Nacionalistas
O que diz pátria sem ter vergonha
E faz a guerra pela verdade;
Que ama o futuro, constrói e sonha
Pão e poesia para a Cidade
A esse quero chamar irmão,
Sentir-lhe o ombro junto do meu:
Ir a caminho de um coração
Que foi de todos e se perdeu.
António Manuel Couto Viana
Parece que estamos em “maré” de Epístolas. Às vezes assim é preciso. Às vezes mais que escrever cartas é necessário gritar. É o que eu vou aqui fazer, ou seja, escrevo-te esta carta, Zé Campos e Sousa, gritando.
Como te deves ter apercebido, eu recebi, via um e-mail do nosso amigo Nonas uma tua carta, que intitulaste «CARTA AOS MEUS AMIGOS: No tempo em que se festejam os 120 anos de Pessoa». Logo eu tomei a providência de a reproduzir (disso te dei o devido conhecimento, como tu sabes), colocando a mesma a circular entre os meus amigos e conhecidos. Soube, depois, que outros nossos amigos a colocaram nos seus blog’s, como, por exemplo, foi o caso do Humberto Nuno Oliveira e outros mais.
Dentro das minhas parcas possibilidades (e elas são realmente pobres), foi o esforço que eu pude despender, meu velho. Pudesse eu fazer mais!...
Senti que a tua mensagem, embora não sendo a “MENSAGEM” de Fernando Pessoa (a tal que como menestrel da Pátria queres cantar), tinha que alcançar o maior número possível de gente amiga ou conhecida.
Confesso-te que tive que ler a tua Carta duas vezes. Duas vezes, porque foi com algum custo e uma certa perturbação quando eu a li vez primeira. Ler para crer, como São Tomé?
Aquela “CARTA AOS MEUS AMIGOS”, escrita por um português de lei, por um antigo combatente de Além-Mar em África, por um amigo e camarada como tu, que conheço desde os primeiros anos do 25A74, golpe de Estado militar, pretoriano e corporativo (de tão nefasta memória e resultante de uma acção desalmada, porque feita por gente da tropa[i] sem Alma Lusa), que te viste na imperiosa e estranha contingência, quase dramática, de escrever aos teus amigos, isso para eles gerarem uma espécie de movimento de solidariedade (a tal bola de neve, como dizes na tua carta), com vista a ser editado um teu (NOSSO) CD, no caso vertente, especialmente alusivo aos 120 anos de Pessoa e ao seu poema “MENSAGEM”, representou para todos nós (nacionalistas), assim penso, um grito de alerta e que, inevitavelmente (assim o espero) terá que ter as devidas consequências. Nada pode continuar como dantes. Ou poderá? E não é só a ti que pergunto isso: e
a todos aqueles que se consideram portugueses e nacionalistas que eu questiono tal. Poderão as coisas continuar na mesma? Se calhar vão continuar.
Em certa medida, é uma vergonha (para todos nós!) que tivéssemos que receber uma missiva tua dessa natureza para despertarmos para um combate em prol da tão mal tratada Cultura Portuguesa. Um combate que é URGENTE e necessário fazer. Isso sob pena, caso não sejamos capazes, de capitularmos, uma vez mais (e sempre) perante os nossos inimigos que, obviamente, também são os inimigos de Portugal.
Nós, nacionalistas, temos de encontrar (e rapidamente!) alternativas culturais verdadeiramente nacionais. Isso sob a forma de uma nova Oficina de Teatro (que já tivemos no passado), de uma nova Cooperativa Livreira (que já tivemos no passado), de organizar Saraus Culturais (que já organizamos no passado), de ter gente a escrever e a declamar poesia; que saiba fazer um “jornal falado” (que já fizemos no passado) e outras coisas novas, que poderemos fazer no presente e no futuro. Se muitas dessas coisas já fizemos (como nacionalistas revolucionários) no passado, porque razão não o fazemos agora? Será porque já não somos a mesma “raça” de portugueses e de nacionalistas, como no passado? Ou será porque muitos “nacionalistas” andam hoje mais interessados em desenhar cruzes gamadas nas paredes e a escrever o “portuguesíssimo” termo Sieg Heil? Meditemos, nisto tudo, nem que seja por um breve momento.
Olha, Zé Campos e Sousa[ii], na tua “CARTA AOS MEUS AMIGOS”, devo aqui afirmar, que tu foste, no teu apelo, excessivamente modesto e humilde (como só as Almas Fortes são realmente capazes em o ser). Tu tinhas o direito de exigir muito mais… Mas, pensando muito melhor, não és tu que tens que ser ajudado. Nós é que, na verdade, é que temos que ser acudidos por ti. Obrigado, Zé Campos e Sousa, por teres sido capaz de teres feito isso por nós – TODOS.
Obrigado por nos teres feito ver (espero que definitivamente) que a alguma indiferença (talvez antes uma distracção, melhor dizendo) que todos, no fundo, demonstramos possuir perante o teu sacrifício e talento em cantar a Pátria (lembraste de cantares, com letra do nosso amigo Diogo Pacheco de Amorim, o “tragam rosas brancas, para a Pátria morta…”?), nos pode vir a custar muito caro. Muitíssimo mais caro do que o custo de uma qualquer produção de um mero CD que, embora cantado por ti, para que o possamos ouvir no próximo Natal e em todos os outros dias que o queiramos, deve ser, também, cantado pelas nossas vozes. Desafinadas ou não, isso pouco importa.
Obrigado, Zé Campos e Sousa, pela tua pequena/grande lição que nos deste a todos nós.
António José dos Santos Silva
Porto, Domingo, 2 de Novembro de 2008
Notas:
[i] Parece que os nossos actuais “magalas”, nos dias que hoje correm, andam muito agitados e descontentes com a presente situação política (que para ela, aliás, tanto contribuíram com o famigerado 25A74). Até já se ouvem veladas ameaças de a tropa sair dos quartéis p’rá rua. Será que essa “rapaziada” têm em mente um novo 25 de Abril Sempre? Olhem, senhores militares, que do 25 de Abril Sempre, o tal da aliança POVO-MFA, já estamos todos fartos. Seja do antigo ou de um outro qualquer mais “modernaço” e que andem para aí a cogitar. Ou será que tudo não passa de um pretexto para andarem a brincar nas ruas com os novos tanques de guerra “Leopardo”, recentemente adquiridos?
[ii] Que sempre me habituei a considerar como o nosso último bardo do Império (que um dia tivemos).
E faz a guerra pela verdade;
Que ama o futuro, constrói e sonha
Pão e poesia para a Cidade
A esse quero chamar irmão,
Sentir-lhe o ombro junto do meu:
Ir a caminho de um coração
Que foi de todos e se perdeu.
António Manuel Couto Viana
Parece que estamos em “maré” de Epístolas. Às vezes assim é preciso. Às vezes mais que escrever cartas é necessário gritar. É o que eu vou aqui fazer, ou seja, escrevo-te esta carta, Zé Campos e Sousa, gritando.
Como te deves ter apercebido, eu recebi, via um e-mail do nosso amigo Nonas uma tua carta, que intitulaste «CARTA AOS MEUS AMIGOS: No tempo em que se festejam os 120 anos de Pessoa». Logo eu tomei a providência de a reproduzir (disso te dei o devido conhecimento, como tu sabes), colocando a mesma a circular entre os meus amigos e conhecidos. Soube, depois, que outros nossos amigos a colocaram nos seus blog’s, como, por exemplo, foi o caso do Humberto Nuno Oliveira e outros mais.
Dentro das minhas parcas possibilidades (e elas são realmente pobres), foi o esforço que eu pude despender, meu velho. Pudesse eu fazer mais!...
Senti que a tua mensagem, embora não sendo a “MENSAGEM” de Fernando Pessoa (a tal que como menestrel da Pátria queres cantar), tinha que alcançar o maior número possível de gente amiga ou conhecida.
Confesso-te que tive que ler a tua Carta duas vezes. Duas vezes, porque foi com algum custo e uma certa perturbação quando eu a li vez primeira. Ler para crer, como São Tomé?
Aquela “CARTA AOS MEUS AMIGOS”, escrita por um português de lei, por um antigo combatente de Além-Mar em África, por um amigo e camarada como tu, que conheço desde os primeiros anos do 25A74, golpe de Estado militar, pretoriano e corporativo (de tão nefasta memória e resultante de uma acção desalmada, porque feita por gente da tropa[i] sem Alma Lusa), que te viste na imperiosa e estranha contingência, quase dramática, de escrever aos teus amigos, isso para eles gerarem uma espécie de movimento de solidariedade (a tal bola de neve, como dizes na tua carta), com vista a ser editado um teu (NOSSO) CD, no caso vertente, especialmente alusivo aos 120 anos de Pessoa e ao seu poema “MENSAGEM”, representou para todos nós (nacionalistas), assim penso, um grito de alerta e que, inevitavelmente (assim o espero) terá que ter as devidas consequências. Nada pode continuar como dantes. Ou poderá? E não é só a ti que pergunto isso: e
a todos aqueles que se consideram portugueses e nacionalistas que eu questiono tal. Poderão as coisas continuar na mesma? Se calhar vão continuar.
Em certa medida, é uma vergonha (para todos nós!) que tivéssemos que receber uma missiva tua dessa natureza para despertarmos para um combate em prol da tão mal tratada Cultura Portuguesa. Um combate que é URGENTE e necessário fazer. Isso sob pena, caso não sejamos capazes, de capitularmos, uma vez mais (e sempre) perante os nossos inimigos que, obviamente, também são os inimigos de Portugal.
Nós, nacionalistas, temos de encontrar (e rapidamente!) alternativas culturais verdadeiramente nacionais. Isso sob a forma de uma nova Oficina de Teatro (que já tivemos no passado), de uma nova Cooperativa Livreira (que já tivemos no passado), de organizar Saraus Culturais (que já organizamos no passado), de ter gente a escrever e a declamar poesia; que saiba fazer um “jornal falado” (que já fizemos no passado) e outras coisas novas, que poderemos fazer no presente e no futuro. Se muitas dessas coisas já fizemos (como nacionalistas revolucionários) no passado, porque razão não o fazemos agora? Será porque já não somos a mesma “raça” de portugueses e de nacionalistas, como no passado? Ou será porque muitos “nacionalistas” andam hoje mais interessados em desenhar cruzes gamadas nas paredes e a escrever o “portuguesíssimo” termo Sieg Heil? Meditemos, nisto tudo, nem que seja por um breve momento.
Olha, Zé Campos e Sousa[ii], na tua “CARTA AOS MEUS AMIGOS”, devo aqui afirmar, que tu foste, no teu apelo, excessivamente modesto e humilde (como só as Almas Fortes são realmente capazes em o ser). Tu tinhas o direito de exigir muito mais… Mas, pensando muito melhor, não és tu que tens que ser ajudado. Nós é que, na verdade, é que temos que ser acudidos por ti. Obrigado, Zé Campos e Sousa, por teres sido capaz de teres feito isso por nós – TODOS.
Obrigado por nos teres feito ver (espero que definitivamente) que a alguma indiferença (talvez antes uma distracção, melhor dizendo) que todos, no fundo, demonstramos possuir perante o teu sacrifício e talento em cantar a Pátria (lembraste de cantares, com letra do nosso amigo Diogo Pacheco de Amorim, o “tragam rosas brancas, para a Pátria morta…”?), nos pode vir a custar muito caro. Muitíssimo mais caro do que o custo de uma qualquer produção de um mero CD que, embora cantado por ti, para que o possamos ouvir no próximo Natal e em todos os outros dias que o queiramos, deve ser, também, cantado pelas nossas vozes. Desafinadas ou não, isso pouco importa.
Obrigado, Zé Campos e Sousa, pela tua pequena/grande lição que nos deste a todos nós.
António José dos Santos Silva
Porto, Domingo, 2 de Novembro de 2008
Notas:
[i] Parece que os nossos actuais “magalas”, nos dias que hoje correm, andam muito agitados e descontentes com a presente situação política (que para ela, aliás, tanto contribuíram com o famigerado 25A74). Até já se ouvem veladas ameaças de a tropa sair dos quartéis p’rá rua. Será que essa “rapaziada” têm em mente um novo 25 de Abril Sempre? Olhem, senhores militares, que do 25 de Abril Sempre, o tal da aliança POVO-MFA, já estamos todos fartos. Seja do antigo ou de um outro qualquer mais “modernaço” e que andem para aí a cogitar. Ou será que tudo não passa de um pretexto para andarem a brincar nas ruas com os novos tanques de guerra “Leopardo”, recentemente adquiridos?
[ii] Que sempre me habituei a considerar como o nosso último bardo do Império (que um dia tivemos).
Os Novos dias de Sodoma e Gomorra
Domingo, dia 16 de Novembro de 2008, pela manhã cedo, quando me dirigia a uma esplanada de um café na baixa portuense, tal para tomar uma espécie de magro pequeno-almoço (apenas um cimbalino curto), li num escaparate de jornais de uma tabacaria próxima (das raras que estão abertas a um domingo na baixa do Porto, quase desertificada) que aqui em Portugal começa a ser moda, entre certos casais jovens, o adoptarem o que eles designam por poliamor. O que é isto? Fiquei a saber que tal designação significa a chamada, também por eles, de “relação amorosa aberta”, isto é, tanto eles como elas têm outras parceiras e parceiros na sua “vida amorosa”, tal por mutuo consentimento entre eles. Não, nada tem a ver com a aberrante prática da “troca de casais”. É outra coisa mais “modernaça” e muito mais “prafrentex”. É o deboche e a decadência absoluta do ser humano. É, na verdade dos factos, Sodoma e Gomorra actualizada.
Como é que chegamos a este deplorável estado de degradação dos costumes e da moral em Portugal e no Ocidente?
SANTOS SILVA
Como é que chegamos a este deplorável estado de degradação dos costumes e da moral em Portugal e no Ocidente?
SANTOS SILVA
10 Pontos Cardeais
O Gladium Nacional, pensa, convictamente, ser esta a hora indicada para de uma forma lúcida, serena e muito séria, Repensar Portugal, quer na sua existência situada no interior de si mesmo, quer também no papel que ainda lhe está superiormente reservado num plano estritamente internacional.
Diante dos dias e trabalhos que, inevitavelmente, aí se aproximam, apelamos a todos quantos se afirmam nacionalistas para se mobilizarem em torno de um combate pela salvaguarda da noção de Nação e contra todas as ameaças que sobre ela impendem.
Assim são os tempos (revoltos) em que a nau Portugal, crivada de rombos, voga aí à inteira deriva sobre o mar de saliva altamente encapelado e em mares de saliva submerge.
Temos (como nacionalistas), por isso, o direito e, sobretudo, o dever indeclinável de apontar o norte magnético a rumo tão desnorteado e de indicar à mesma os caminhos do salvamento – das Novas Descobertas.
Mas, atenção, os [duros] caminhos que devemos trilhar são os da Vereda Estreita, isto é: o caminho mais difícil (pedregoso) e longo, mas, na realidade, o único que nos pode conduzir a Porto Seguro.
Terão, igualmente, que ser caminhos de estudo e de madura reflexão, conducentes a uma produção de futuro para o destino de Portugal. É que, caso contrário, corremos fatalmente o muito sério risco de tudo o que fizermos de nada valer de nada.
Vereda Estreita, mas, que por assim o ser, representa uma via (de resgate) que nos possa realmente conduzir do malogro ao milagre; em que – passo a passo – nos possamos recriar historicamente. É tempo de afirmarmo-nos como Nacionalistas e erguermo-nos, novamente, como Povo com Raiz e Identidade, nem que para isso tenhamos que começar tudo – de novo! – nos Montes Hermínios.
______________________________
1. É evidente, público e notório, que muita da actual “classe política” e o actual regime político demo-liberal, não servem o interesse nacional e, consequentemente, os interesses dos portugueses e das portuguesas. As mais de três décadas de abusos da política em Portugal são disso um cabal espelho. É por isso necessário substituir e alterar profundamente a configuração do actual sistema político. É imperioso que se abram novos e justos rumos para Portugal e para os Portugueses.
2. Nacionalistas ou não, os Portugueses não têm que se envergonhar de privilegiar a sua Pátria e a sua História. Muitíssimo pelo contrário.
3. Promoção e constituição daquilo que deve ser designado por uma aristocracia de almas fortes, como um poderoso reduto nacional para a salvaguarda da noção de Nação contra as ameaças presentes e emergentes que sobre ela impendem.
4. De modo algum é possível imaginar um sistema de educação em Portugal sem referências éticas e culturais. As referências que o ME (Ministério da Educação (?)) promove, visam, fundamentalmente, a desnacionalização da Educação e Cultura Nacional. Devemos exigir, acima de tudo, valores autenticamente nacionais, para uma efectiva Educação Nacional.
5. Não restam dúvidas que um dos maiores problemas nacionais e europeus, são a decadência demográfica (ausência de protecção à natalidade e pela liberalização do crime do aborto) e a ameaça da imigração em massa, caótica e descontrolada, no caso vertente português, em boa parte fautora da onda de problemas sociais graves, de marginalidade e do crescendo exponencial da criminalidade violenta que assola Portugal e que importa ser urgentemente neutralizada. Se formos incapazes de resolver esta preocupante e muito crítica questão, tudo o resto que conseguirmos será verdadeiramente efémero.
6. A defesa e a restauração da imagem tutelar da família, primeiro e último reduto de corpo e almas, dons e haveres. Às famílias portuguesas, pois, todas as prioridades da política nacional, isso através da recuperação dos valores familiares.
7. O importantíssimo papel religioso e histórico da Igreja Católica Portuguesa na formação moral e espiritual de Portugal como Nação não pode ser ignorado e subalternizado, tal sob pena de vermos agravada ainda mais a nossa crise de Identidade Nacional que perigosamente ameaça seriamente dissolver o nosso presente e futuro como Pátria Portuguesa com soberania identitária própria e universalista.
8. Potenciação do Ideal de Justiça no exercício da jurisprudência. Magistratura Judicial, Ministério Público e Forças Policiais e de Segurança Nacional, terão que voltar a ser os pilares da sociedade que deixaram de ser.
9. Veemente denúncia e combate ao sistema de mediocridade e estado de corrupção generalizada que Portugal atravessa e que o actual lodaçal político demo-liberal fortemente incrementa da forma mais preocupante. Um factor que contribui para pôr em causa a coesão nacional, até porque, em muitos casos, já com contornos e acções engendradas pelo crime internacional organizado.
10. Implementação de um ideal tradicional-revolucionário que contemple o corpo da Pátria em cada um dos seus membros.
Para honra, proveito, glória e a bem de Portugal. De um Portugal duradouro e permanecente. De um Portugal moderno, muito antigo.
Gladium nacional
Diante dos dias e trabalhos que, inevitavelmente, aí se aproximam, apelamos a todos quantos se afirmam nacionalistas para se mobilizarem em torno de um combate pela salvaguarda da noção de Nação e contra todas as ameaças que sobre ela impendem.
Assim são os tempos (revoltos) em que a nau Portugal, crivada de rombos, voga aí à inteira deriva sobre o mar de saliva altamente encapelado e em mares de saliva submerge.
Temos (como nacionalistas), por isso, o direito e, sobretudo, o dever indeclinável de apontar o norte magnético a rumo tão desnorteado e de indicar à mesma os caminhos do salvamento – das Novas Descobertas.
Mas, atenção, os [duros] caminhos que devemos trilhar são os da Vereda Estreita, isto é: o caminho mais difícil (pedregoso) e longo, mas, na realidade, o único que nos pode conduzir a Porto Seguro.
Terão, igualmente, que ser caminhos de estudo e de madura reflexão, conducentes a uma produção de futuro para o destino de Portugal. É que, caso contrário, corremos fatalmente o muito sério risco de tudo o que fizermos de nada valer de nada.
Vereda Estreita, mas, que por assim o ser, representa uma via (de resgate) que nos possa realmente conduzir do malogro ao milagre; em que – passo a passo – nos possamos recriar historicamente. É tempo de afirmarmo-nos como Nacionalistas e erguermo-nos, novamente, como Povo com Raiz e Identidade, nem que para isso tenhamos que começar tudo – de novo! – nos Montes Hermínios.
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1. É evidente, público e notório, que muita da actual “classe política” e o actual regime político demo-liberal, não servem o interesse nacional e, consequentemente, os interesses dos portugueses e das portuguesas. As mais de três décadas de abusos da política em Portugal são disso um cabal espelho. É por isso necessário substituir e alterar profundamente a configuração do actual sistema político. É imperioso que se abram novos e justos rumos para Portugal e para os Portugueses.
2. Nacionalistas ou não, os Portugueses não têm que se envergonhar de privilegiar a sua Pátria e a sua História. Muitíssimo pelo contrário.
3. Promoção e constituição daquilo que deve ser designado por uma aristocracia de almas fortes, como um poderoso reduto nacional para a salvaguarda da noção de Nação contra as ameaças presentes e emergentes que sobre ela impendem.
4. De modo algum é possível imaginar um sistema de educação em Portugal sem referências éticas e culturais. As referências que o ME (Ministério da Educação (?)) promove, visam, fundamentalmente, a desnacionalização da Educação e Cultura Nacional. Devemos exigir, acima de tudo, valores autenticamente nacionais, para uma efectiva Educação Nacional.
5. Não restam dúvidas que um dos maiores problemas nacionais e europeus, são a decadência demográfica (ausência de protecção à natalidade e pela liberalização do crime do aborto) e a ameaça da imigração em massa, caótica e descontrolada, no caso vertente português, em boa parte fautora da onda de problemas sociais graves, de marginalidade e do crescendo exponencial da criminalidade violenta que assola Portugal e que importa ser urgentemente neutralizada. Se formos incapazes de resolver esta preocupante e muito crítica questão, tudo o resto que conseguirmos será verdadeiramente efémero.
6. A defesa e a restauração da imagem tutelar da família, primeiro e último reduto de corpo e almas, dons e haveres. Às famílias portuguesas, pois, todas as prioridades da política nacional, isso através da recuperação dos valores familiares.
7. O importantíssimo papel religioso e histórico da Igreja Católica Portuguesa na formação moral e espiritual de Portugal como Nação não pode ser ignorado e subalternizado, tal sob pena de vermos agravada ainda mais a nossa crise de Identidade Nacional que perigosamente ameaça seriamente dissolver o nosso presente e futuro como Pátria Portuguesa com soberania identitária própria e universalista.
8. Potenciação do Ideal de Justiça no exercício da jurisprudência. Magistratura Judicial, Ministério Público e Forças Policiais e de Segurança Nacional, terão que voltar a ser os pilares da sociedade que deixaram de ser.
9. Veemente denúncia e combate ao sistema de mediocridade e estado de corrupção generalizada que Portugal atravessa e que o actual lodaçal político demo-liberal fortemente incrementa da forma mais preocupante. Um factor que contribui para pôr em causa a coesão nacional, até porque, em muitos casos, já com contornos e acções engendradas pelo crime internacional organizado.
10. Implementação de um ideal tradicional-revolucionário que contemple o corpo da Pátria em cada um dos seus membros.
Para honra, proveito, glória e a bem de Portugal. De um Portugal duradouro e permanecente. De um Portugal moderno, muito antigo.
Gladium nacional
Resistirá o Socialismo ao Séc. XXI


O Nazismo e o Comunismo como paradigmas do Socialismo
O facto de um número considerável de países europeus ter colocado fora de combate, por via eleitoral, o que neles restava das estruturas socialistas, levanta a questão de saber até que ponto esse afastamento compulsivo, por mandato popular, dessas forças políticas, é ou não definitivo.
Porque não é possível esquecer e desprezar, até pelas suas consequências, o que foram e representaram os socialismos, fossem eles vermelhos, castanho ou preto, na História das Nações europeias ao longo do século XX. Nem as suas concepções do mundo e do homem. Nem a sua capacidade de assimilar à força pessoas, famílias e grupos sociais em estruturas de totalidade, isto é, em estruturas estatais, como convém a partir do momento em que se identifica o Estado com o Absoluto.
Chegados que somos a este pressuposto do Estado totalitário, essencial em qualquer regime socialista, democrático ou não, cabe agora caracterizar os outros pressupostos daqueles que foram os dois regimes socialistas mais dignos desse nome no século XX: o nacional-socialismo e o socialismo marxista – ou “científico” – como alguns lhe chamaram. O fascismo italiano (histórico), ainda que teoricamente totalitário e estatólatra, não foi, na prática, um regime socialista com a mesma graduação e da mesma natureza do alemão e do soviético. Quanto aos socialismos ditos democráticos, procuram os mesmos fins com “luvas de seda”.
Estado socialista, Estado totalitário
Basta conhecer a diferença entre um adjectivo e um substantivo para perceber que “nacional” é adjectivo e “socialismo” é substantivo. Pelo que o nacional-socialismo (NS) é tão socialismo como o marxista e isso foi que lhe conferiu a categoria de regime totalitário. Identificar o NS – que foi um fenómeno exclusivamente alemão e inconcebível noutra Nação – com o nacionalismo, é pura ignorância do que é uma coisa e outra. É tão crasso como dizer que Portugal é Espanha.
O socialismo, ao identificar o Estado com o Absoluto, não permite que nada fique de fora de si próprio, nem configurado de forma diferente daquela que é concebida. Tudo está subordinado ao Estado, que é a origem e o fim de tudo: a nação, a Pátria, os corpos sociais, a família, a pessoa (frequentemente considerada uma abstracção); enfim, toda a actividade humana: a liberdade, a arte, a economia, a vida social, o trabalho, a ciência, a vida espiritual e religiosa. O estado é o único deus. O socialismo a religião.
Ao deificar o Estado torna-se supérflua toda a religião. Por isso, o marxismo a considerou como o “ópio do povo”, perseguindo com dureza, em particular, o Cristianismo, de forma a restar só as estruturas que aceitassem permanecer sob o controlo do estado soviético e as pessoas que lhe merecessem confiança.
A incompatibilidade entre o NS e o Cristianismo só pode parecer estranha para quem não conhece bem a natureza de um e do outro. Se persistirem dúvidas basta só atentar nas seguintes citações:
«O NS não aceita sem reservas o Cristianismo, quer ele seja uma fé ou uma Igreja organizada, quer ele se manifeste no domínio político ou no domínio religioso. Aceita-o apenas na medida em que ele respeita os limites que lhe são inerentes e em que não invade o domínio do poder político…Que vem a ser o político? Político é tudo o que respeita às formas de organização da sociedade humana: a Palavra, a Imagem, a Escrita e o Gesto, numa palavra, tudo aquilo que possa ter quaisquer laços com a comunidade da Nação. Que é a religião? Religião é tudo o que sai do quadro terrestre, a crença no divino, o sentimento do infinito, a nostalgia das coisas que se situam para além do mundo visível aos homens. Segundo tal concepção, toda a materialização da fé – uma peregrinação ou uma procissão, um sermão ou um ensinamento religioso, a instituição da Igreja como tal – confundir-se com uma manifestação política.»[1]
«Nós, os NS, exigimos que a vida pública seja libertada de quaisquer intromissões religiosas. Que sentido faz que existam ainda associações de funcionários cristãos? Nós não queremos funcionários católicos nem funcionários protestantes, queremos funcionários alemães. Para que serve uma imprensa quotidiana católica? Não temos necessidade de quotidianos católicos ou protestantes, mas apenas quotidianos alemães. Nada no nosso regime justifica a existência de associações profissionais católicas, de círculos ou de movimentos das juventudes católicas. Isso está ultrapassado. As actividades destas organizações estendem-se frequentemente por domínios que são da exclusiva alçada do Estado NS. Estas coisas só podem contribuir para abalar a unidade do Povo Alemão. Mas nós não deixaremos abalar esta unidade, que Adolf Hitler criou depois de uma luta de quinze anos, deixando conquistar a alma alemã seja por quem for.»[2]
Em Mein Kampf, Hitler tinha acentuado a neutralidade do seu movimento em matéria de religião. Por um lado, tinha chamado a atenção do Povo Alemão contra uma cisão confessional que só poderia aproveitar à “Judearia Internacional”, e por outro lado considerava o Catolicismo e o Protestantismo como garantias da continuidade do Povo Alemão. Hitler punha de lado os partidos que eram portadores de uma etiqueta religiosa. É evidente que, com isso, visava principalmente o grande partido católico do “Centro”. Insistia na mais estrita separação entre a Igreja e o Estado. A Igreja devia ocupar-se apenas dos problemas espirituais, e em caso algum devia intervir nos negócios temporais, domínio exclusivo do Estado. Já antes de 1933 o programa do NSDAP incluía a liberdade de todas as crenças, mas com uma restrição muito significativa:
«Na medida em que ela (esta liberdade) não ameace a existência do Estado e não entre em contradição com a moral da raça germânica».
A noção de raça estava já a opor-se à de religião.
O NSDAP continuava:
«O Partido como tal é o representante do Cristianismo positivo.»[3]
Tratava-se de uma fórmula muito ambígua, que deixa a porta aberta a todas as interpretações. Depois da tomada do poder, Hitler, por razões tácticas, fáceis de compreender, afirma-se profundamente cristão. Considera o catolicismo e o protestantismo como os dois factores mais importantes para a estruturação do carácter nacional e os fundamentos inabaláveis da vida normal e dos costumes do Povo Alemão. Porém, nas suas conversas privadas a linguagem usada não tinha nada a ver com as declarações oficiais, como aconteceu numa entrevista concedida a Rauschning: era de capital importância saber:
«Se o Povo Alemão ia persistir na religião judaico-cristã, com a sua moral emoliente baseada na piedade, ou se ia adoptar uma fé heróica e forte, uma vez que os únicos deuses são a Natureza, o Povo, o Destino e o Sangue.» E continuava:
«Uma Igreja alemã, um Cristianismo Alemão é uma aldrabice. Ou se é cristão ou se é alemão. Não se pode ser as duas coisas ao mesmo tempo.»[4]
Fingia-se apenas que se reagia contra a intromissão da Igreja no domínio político, e a Igreja tinha de arcar com a responsabilidade de atravessar uma fronteira que na realidade não existia, ou que era traçada de maneira arbitrária. Sob um regime que se dizia sem restrições do “homem total”, onde começava o domínio político e terminava o domínio religioso?
O NS e o socialismo soviético tiveram efectivamente essa raiz comum – a ideologia socialista –, com a correspondente concepção totalitária do Estado. Hitler e Estaline tiveram até, em determinados momentos da História, entendimentos comuns – o célebre tratado germano-soviético de 22 de Agosto de 1939, que dividiu a polónia pelos dois blocos socialistas de então. Bem entendidos estavam eles também quanto ao tratamento a dar a quem não se enquadrasse dentro da dinâmica do Estado, ou se lhes pudesse fazer sombra: a eliminação física sistemática. Basta lembrar o que aconteceu na Alemanha de 30 de Junho para 1 de Julho de 1934 – na noite das “facas longas”. As SS eliminaram à bala centenas de dirigentes das SA, com Ernst Röhm à cabeça, Chefe de Estado-Maior desta organização ligada ao NSDAP, desde 1931, que, assim, acabou por perder o seu protagonismo no seio do regime. Estaline pôde fazer isso mais vezes, com mais pessoas, com mais calma e com mais discrição. Esteve mais tempo no poder soviético que Hitler no poder alemão.
Mas entre o socialismo soviético e o NS não existiram só semelhanças. Existiram também diferenças. A começar pelos mestres inspiradores mais próximos. O socialismo soviético foi inspirado nas ideias de Marx e Lenine, baseadas originalmente em pressupostos económicos[5], enquanto o NS foi fortemente inspirado por Nietzsche e pela sua apologia da superioridade rácica.
Embora o NS estivesse destinado a conduzir a Alemanha para uma sociedade sem classes, não o pretendia fazer segundo os moldes de enfrentamento próprios do materialismo histórico e dialéctico, isto é, baseado na famosa luta de classes entre proletariado – os oprimidos – e capitalistas – os opressores –, motor da História e meio infalível para se chegar a um novo e definitivo patamar da existência humana: a ditadura do proletariado. Este foi o grande desígnio e utopia da revolução bolchevique. Mas a revolução NS não passaria por aí. Hitler não dispensou os capitalistas alemães de contribuírem para a prosperidade da Alemanha, necessária para sustentar um esforço de guerra que já em 1936 antevia:
«A nossa situação política apresenta-se deste modo: a Europa só conta actualmente dois Estados que se possam considerar sólidos em face do bolchevismo: a Alemanha e a Itália. (…) Além da Alemanha e da Itália, só o Japão poderia ser considerado como uma potência sólida em face do perigo mundial. Este memorando não se destina a predizer o momento em que a situação insustentável da Europa se transformará numa crise aberta. Aqui desejaria apenas afirmar a minha convicção de que esta crise não pode deixar de se produzir e se produzirá. (…) Eu fixo, portanto, os seguintes empreendimentos: 1) O exército alemão deve estar pronto a entrar em combate dentro de quatro anos; 2) Dentro de quatro anos a economia alemã deve ser capaz de suportar uma guerra.»[6]
O homem nacional-socialista
O movimento NS, liderado por Adolf Hitler, não pretendia apenas a tomada do poder na Alemanha. Tinha uma concepção muito própria do mundo e do homem, baseada nas ideias de Nietzsche, que o Führer tentaria pôr em prática. Visava, após a tomada do poder em Berlim, a criação de um homem que tivesse como símbolo o Übermensch, anunciado por Zaratustra[7]. Depois da “morte de Deus” – Gott ist tot – é necessário encontrar um novo sentido para o mundo e para a vida, para a cultura e para a História. Esse sentido é o “super-homem”. Individuo ou espécie, o Übermensch encarna a vontade de domínio, o impulso original de todo o ser, a besta fulva e o grande aristocrata que vivem e se realizam “além do bem e do mal”, do justo e do injusto, de todas as dicotomias surgidas no mundo a partir do velho profeta Zoroastro e continuadas através de Sócrates e seus descendentes morais e, sobretudo, através de quase dois milénios de Cristianismo. O super-homem virá dizer “sim” à Terra e a tudo quanto a Terra representa de absoluto e de fim em si mesma, virá operar uma radical transmutação de todos os valores. O Übermensch, verdadeiro modelo da raça superior, é pura vontade de poder, instinto de sobrevivência, a mais admirável força da Natureza, ao qual está reservado um destino heróico.
Enquanto o socialismo soviético apostava nas massas proletárias oprimidas pelo jugo capitalista e estatizava todos os meios de produção e de riqueza, impondo o Partido Comunista como “alma” do Estado soviético, a revolução NS apresentava a sua própria concepção do mundo – weltanschauung. O homem NS não tinha vocação de oprimido, mas de herói – à imagem do Führer, sobre quem recai a responsabilidade total. O Estado identifica-se com o Absoluto, o NSDAP e as suas organizações e associações – como as SS – são a “alma” do Estado, e o Führer a sua personificação, em quem se confia e obedece cegamente.
O homem NS considera-se superior em virtude da raça e da sua moral decorrente, como bem demonstram as palavras do Reichsführer SS Heinrich Himmler:
«…Há 11 anos, desde que eu sou Reichsführer SS, o último objectivo continua para mim invariável: criar uma Ordem do Sangue Puro capaz de servir a Alemanha, uma Ordem capaz de se dedicar sem hesitação nem reservas e de suprir, graças à sua vitalidade – pois os seus membros são sempre substituídos – às perdas mais duras, uma Ordem que difunda tão ao largo esta noção de sangue nórdico, que possamos atrair a nós o sangue nórdico do mundo inteiro, que o possamos retirar aos nossos adversários para o juntarmos ao nosso, e que assim nunca mais uma gota de sangue nórdico, de sangue germânico, possa lutar contra nós. Nós devemos possuir este Sangue Puro; os outros não devem ter nenhum. (…) Regra absoluta para os SS: não devemos honestidade, benevolência, fidelidade e reconforto senão aos membros do nosso próprio sangue, e ninguém mais. A sorte dos Russos ou dos Checos é-nos completamente indiferente. Nós apropriarnos-emos do que estes povos possam ter de sangue bom, roubando, se necessário for, os seus filhos para os educar entre nós. Só na medida em que a nossa civilização tem necessidade de escravos, é que nos importa saber se os outros povos vivem na opulência ou morrem de fome – a não ser por isso, não têm para nós qualquer interesse. Que 10.000 mulheres russas desfaleçam esgotadas na construção de uma vala anticarro não nos interessa a não ser na medida em que esse trabalho pode ser realizado para o bem da Alemanha. Que fique bem claro que não seremos nem brutais nem desumanos a não ser quando isso for necessário. Nós, os Alemães, o único povo do mundo a ter uma atitude correcta para com os animais, também adoptaremos uma atitude correcta para com os animais humanos. É contudo um crime para com o nosso próprio sangue preocuparmo-nos por eles e consagrarmos-lhes ideais, para que os nossos filhos e os nossos netos tenham mais dificuldades com eles. Se tu vens dizer-me: “Eu não posso construir esta vala anticarro com mulheres e crianças; é desumano, porque morrem como moscas”, então eu dir-te-ei: “Assassino do teu próprio sangue! Se a vala não for aberta, morrerão soldados alemães, filhos de mulheres alemãs, gente do nosso sangue”. É isto que eu queria incutir – e creio tê-lo conseguido – aos SS. Isto é uma das nossas leis mais sagradas: a nossa preocupação, o nosso dever, deve referir-se ao nosso povo e ao nosso sangue. É neles que devemos pensar, é sobre eles que devemos velar, é por eles que teremos de trabalhar e de combater – por mais ninguém. Tudo o resto nos é indiferente…»[8]
Assim se justifica a eliminação física de quem quer que seja que não tenha sangue germânico – untermenschen –, pelo facto da Alemanha reclamar esse sacrifício ou, simplesmente, pela hipótese meramente académica de algum dia vir a causar dificuldades ao estado NS. Ideias que talvez não resistam a duas perguntas: imbecil, em que é que o teu sangue vale mais que o dos outros? Porque é que a tua raça é superior às outras? Explica-me.
A perseguição e tentativa de extermínio dos judeus, povo especialmente visado por essa “raça de senhores”, mas não exclusivamente, encontra fortes apelos nas ideias de Nietzsche, como demonstram algumas citações das suas obras. Em o “Anticristo”, Nietzsche considera que o Cristianismo não é uma reacção contra o instinto judaico, antes é “um avanço na sua lógica terrível”[9]. Nessa mesma obra, considera a propósito dos judeus: “o povo mais singular da história”, “antítese dos seus valores naturais”, “o povo mais funesto da história universal”, que visa “tornar a humanidade doente e perverter as noções do bem e do mal, de verdadeiro e de falso num sentido mortal para a vida e infamante para o mundo”[10]
Em “Para Além do Bem e do Mal” afirma não ter encontrado “um só alemão que goste dos judeus”. Aqui contesta o princípio oriundo do Cristianismo da igualdade dos homens perante Deus, por conduzir ao domínio dos fortes pelos fracos e, por conseguinte, à mediocridade e proclama a existência de diferentes tipos de homem. Daqui surge o modelo do “super-homem” e a “vontade de poder”. É em homens “fortes e independentes, preparados e predestinados para o comando” que “encarna a razão e a arte de uma raça dominante”[11]. A compaixão contraria a lei da evolução, identificada com selecção, exerce uma acção depressiva e conduz ao nada: “quando alguém se compadece, enfraquece-se”[12]
Por isso Himmler pôde continuar com o seu discurso, agora, em particular, visando os judeus:
«Agora falarei da extirpação e do extermínio do Povo Judeu. Isso fazia parte das missões fáceis de ordenar: “O Povo Judeu será exterminado, disseram os membros do Partido, isso faz parte do nosso programa. Nós liquidaremos os judeus, nós exterminá-los-emos.” E afinal, o que vimos? 80 milhões de óptimos alemães, e cada um deu guarida a seu bom judeu: “Sem dúvida, os outros são uns porcos, mas este é um Judeu bom”. Nenhum dos que assim falam viu a viveu aquilo que nós vimos e vivemos. A maior parte de vós sabe o que é um monte de 100, 500 ou mesmo 1.000 cadáveres. Temos suportado tudo isso e – abstraindo de delírios imputáveis à fraqueza humana – termos ficado normais, endureceu-nos. É uma página gloriosa da nossa história, página que nunca tinha sido escrita e que nunca mais voltará a sê-lo…»[13]
As estimativas sobre o quantitativo de judeus exterminados apontam para os seguintes valores: a Comissão Alemã refere entre um mínimo de 4. 200.000 e um máximo de 4.600.000, enquanto a Comissão Anglo-Saxónica aponta para 5.700.000.[14]
Mas é sabido como o NS acabou em 1945. Em Abril desse ano, o homem que tudo dirigiu na Alemanha desde 1933, dizia:
«O nacional-socialismo morreu. Talvez dentro de cem anos surja uma ideia semelhante, com a força de uma religião. Mas a Alemanha está perdida. Não foi suficientemente forte para a missão que lhe destinei.» Por isso, cerca de um mês depois o Führer suicidou-se, fazendo jus à fama de heroísmo que todos reconheciam nele. Os mil anos de revolução levada a cabo na Alemanha, afinal foram só doze.
Para a posteridade, para a modernidade
Caídos os regimes socialistas, respectivamente em 1945 e 1989, a sua influência não deixou, por isso, de se fazer sentir nas chamadas democracias, que lhes assimilaram algumas sementes.
Os postulados e princípios sobre a propaganda que o Dr. Goebbels fixou para a utilização dos meios de comunicação de massas de então – a rádio e o cinema – continuam intactos a pontificar nos nossos dias, agora também estendidos à televisão.
Se bem que já tivessem havido precedentes nos Estados Unidos da América do Norte e Suécia dos anos 20 e 30, os planos eugénicos fixados pelo regime NS numa célebre reunião em Berlim – Tiergartenstrasse, 4 – em 1939, vão-se cumprindo fielmente a pouco e pouco. A apologia do aborto, da eutanásia e das manipulações genéticas com fins eugénicos aí estão por todo o lado a fazer sensação. A justificação não será a do apuramento de uma raça, mas não deixa de ser a da eugenia, misturada com motivações de rentabilidade económica e razões de carácter utilitário – quando dá jeito. O que acaba por fazer vir ao de cima o apelo à exterminação de raças inferiores como os não desejados, os doentes incuráveis e terminais, os deficientes e os económica e fisicamente mais fracos.
São legados de visões socialistas do mundo e do homem que as democracias fizeram o favor de transportar para o século XXI. O que corresponde, no fundo, a essa tentação de poder que se insinua no íntimo de cada homem, quer se julgue personificar o Estado ou não: o domínio absoluto da própria vida e da vida dos outros.
Uma questão, à primeira vista, intrigante é a de saber porque é que a “sociedade da informação” condena frequentemente o NS enquanto esquece que o socialismo soviético existiu, maltratou e exterminou mais pessoas que o NS. Isto vê-se de forma inquestionável no cinema e no facto de, até hoje, não ter havido um único cineasta que se interessasse pela “gesta” de Estaline, que é bem grande. O que fará calar essa gente? O que é que torna o NS mais odioso que o socialismo soviético?
Talvez se possam encontrar duas explicações: primeiro, uma questão de propaganda, de conveniência e de silêncio, que é também uma grande propaganda. Andam para aí ainda muitos senhores e senhoras que foram (e ainda serão?) grandes apologistas do regime soviético, com todas as más consequências que teve. Mas ninguém lhes aponta o dedo pelo facto de terem defendido apaixonadamente um regime verdadeiramente criminoso. Postos a apontar regimes totalitários e criminosos, temos que os apontar todos e não só alguns.
Outra ordem de razões prende-se com o facto do regime soviético ter dirigido a sua sanha contra classes, o que não personaliza tanto a carga de ódio e desprezo contra indivíduos, como o NS, supostamente pertencentes a raças inferiores.
O Estado hobbesiano
O modelo de Estado mais frequente nos actuais regimes demo-liberais e capitalistas do Ocidente apresenta claras influências conceptuais de Thomas Hobbes, designadamente, expostas em “Leviathan”.
As crescentes dificuldades manifestadas pelo homem ocidental para ser senhor de si próprio, isto é, ser capaz de se governar a si próprio, – o que não é o mesmo que ser individualista – como consequência da crescente valorização do bem estar material e do conforto, das dependências várias, do consumismo e, paradoxalmente, do egoísmo, acabam por lhe enfraquecer o carácter e justificar que se encontre no Estado, “enquanto expressão do Contrato Social que envolve a alienação para um soberano do direito de cada homem se governar a si próprio”[15], “a solução para a paz e o bem-comum de uma colectividade que, vivendo no seu “estado de natureza” se destruiria. O Estado é, deste modo, a única salvaguarda do indivíduo”[16].
Um Estado destes, aquilo que poderíamos chamar de socialismo democrático ou de social-democracia, é um digno sucessor do Estado marxista. Perfeitamente entendido com o capitalismo, mesmo selvagem, quanto à economia e finanças, não abdica da sua missão – teórica – de educador e curandeiro. Num país como Portugal, com forte tradição de estatização do ensino e da saúde, o Estado ainda usa a escola e o centro de saúde e o hospital para a doutrinação ideológica, sobretudo partindo do princípio que o ensino e a saúde têm que ser grátis para todos. Mesmo que não funcionem.
Para compensar a gratuitidade do ensino, os nossos filhos têm de ouvir e desbobinar os lugares-comuns dos juízos e das interpretações marxistas e freudiana da História e têm que presenciar nas aulas a apologia do homossexualismo como opção possível a fazer dentro de momentos. Para compensar a gratuitidade de saúde temos de ouvir a apologia do controlo da natalidade, – num país cada vez mais envelhecido e decrépito – e de suportar a sugestão favorável ao aborto ou à esterilização. E é se quiserem. Quem não quiser que recorra ao privado.
É a presunção e a fraqueza individual e o sufrágio – que nunca é universal, porque muitos não votam – que legitima o totalitarismo sibilino deste Estado. Mediante a eleição de representantes, frequentemente desconhecidos, passa-se a ideia de que é o povo que governa, enquanto o normal curso dos assuntos do Estado deixa muitas vezes dúvidas sobre quem realmente manda (o mercado, os lobbies, os políticos, os titulares dos órgãos de soberania?), ganhando o regime contornos de uma dietrologia.
Podemos perguntar se esta actuação do Estado hobbesiano – aquele que temos hoje – defende o interesse geral, ou seja, o da comunidade nacional. O que não é óbvio. Mas é isto que torna o Estado demo-liberal um caso interessante (patológico) de estudo, na medida em que transforma rapidamente, transferindo as responsabilidades para o mercado – que é politicamente neutro –, alguns interesses particulares em interesse geral. Os administradores da MacDonald’s ou da Coca-Cola estão convencidíssimos que os seus produtos são imprescindíveis para os portugueses e se inscrevem dentro do interesse geral do país. Mais, estão convencidos que os portugueses estão convencidos disso.
Manuel Brás
(1) Excerto de um artigo da revista Will und Macht, edição de 15 de Abril de 1935, sob o título Cristianismo Positivo.
(2) Excerto de um discurso do Ministro do Interior, Wilhelm Frick (1935).
(3)Wilhelm Corsten, Kölner Aktenstücke zur Lage der Katolischen Kirche in Deutschland 1933-45, Köln (1949), p. 63.
(4) Rauschning, Conversações com Hitler.
(5) Karl Marx, Das Kapital.
(6) Extracto do memorando secreto de Hitler sobre o plano quadrienal (1936).
(7) Also spracht Zaratustra (Assim falava Zaratustra), F.W. Nietzsche, 1883-85.
(8) Excerto de um discurso do Reichsführer SS Heinrich Himmler (1933).
(9) O Anticristo, F.W. Nietzsche, 1894.
(10) Idem.
(11) Para além do Bem e do Mal, F.W. Nietzsche, 1886.
(12) Idem.
(13) Excerto de um discurso do Reichsführer SS Heinrich Himmler (1935).
(14) Walter Hofer, Der Nationalsozialismus – Dokumente 1933-1945, Fischer Bücherei KG, Franckfut Main.
(15) Otero, P., A Democracia Totalitária, pp. 54, Principia. (citando Hobbes, T., Leviathan, Fondo de Cultura Económica, México, 1992, (parte II, cap. 17º), pp. 140-141.
(16) Otero, P., A Democracia Totalitária, pp. 55, Principia (citando Prélot, M. e Lescuyer, G, Histoire des Idées Politiques, 12º ed., Paris, 1994, p. 25
quarta-feira, 22 de Outubro de 2008
Medina Carreira Arrasa
Medina Carreira, ex ministro do PS arrasa as politicas socialistas do Governo de José Sócrates.
Contra Nós
Contra nós, o cepticismo, a descrença, combatem.
Contra nós combatem os ricos, as chufas, as ridicularizações que certos adversários calejados e deformados nos endereçam, eles, os comodistas ou intelectualizados.
Contra nós o interesseirismo, o arranjismo, os ambiciosos, os desonestos, os traficantes, combatem.
Contra nós os traidores combatem.
Contra nós, os “prudentes” e os cobardes combatem.
Contra nós, os plutocratas, a alta finança, a banca internacional, a fraude, as riquezas excessivas, combatem.
Contra nós, os que estão instalados em posições chorudas e que pensam apenas: “Depois de mim, o dilúvio!”, combatem.
Contra nós a baixeza e a mesquinhez combatem.
Contra nós, a moda, a facilidade, a superficialidade, a “actualização das consciências”, combatem.
Contra nós a sensibilidade pervertida combate.
Contra nós a inteligência deformada combate.
Contra nós os trusts de vário género combatem.
Contra nós, os progressismos, os liberalismos, os democratismos, combatem.
Contra nós, a rotina, o enquistamento, a vaidade, o formalismo, a burocracia, combatem.
Contra nós, o humanitarismo piegas, o materialismo sem escrúpulos, certo pacifismo estúpido, certo militarismo degenerado, combatem.
Contra nós, os fidalgotes apodrecidos, os pobres invejosos, os ricos soberbos, os que acham tudo bem, os barriguistas, os negativistas, os snobs, os poseurs, os imbecis, os espertalhões, os estetizados, os burgueses, combatem.
Pedro Atlântico
Contra nós combatem os ricos, as chufas, as ridicularizações que certos adversários calejados e deformados nos endereçam, eles, os comodistas ou intelectualizados.
Contra nós o interesseirismo, o arranjismo, os ambiciosos, os desonestos, os traficantes, combatem.
Contra nós os traidores combatem.
Contra nós, os “prudentes” e os cobardes combatem.
Contra nós, os plutocratas, a alta finança, a banca internacional, a fraude, as riquezas excessivas, combatem.
Contra nós, os que estão instalados em posições chorudas e que pensam apenas: “Depois de mim, o dilúvio!”, combatem.
Contra nós a baixeza e a mesquinhez combatem.
Contra nós, a moda, a facilidade, a superficialidade, a “actualização das consciências”, combatem.
Contra nós a sensibilidade pervertida combate.
Contra nós a inteligência deformada combate.
Contra nós os trusts de vário género combatem.
Contra nós, os progressismos, os liberalismos, os democratismos, combatem.
Contra nós, a rotina, o enquistamento, a vaidade, o formalismo, a burocracia, combatem.
Contra nós, o humanitarismo piegas, o materialismo sem escrúpulos, certo pacifismo estúpido, certo militarismo degenerado, combatem.
Contra nós, os fidalgotes apodrecidos, os pobres invejosos, os ricos soberbos, os que acham tudo bem, os barriguistas, os negativistas, os snobs, os poseurs, os imbecis, os espertalhões, os estetizados, os burgueses, combatem.
Pedro Atlântico
O nosso MANIFESTO
Perante a tremenda e a desgraçada decadência da Pátria Portuguesa, cujo Povo, para além de tudo o mais, também sofre – e no seu próprio solo pátrio – a amarga humilhação de se encontrar numa espécie de novo cativeiro da Babilónia e criminosamente forçado à adoração de falsos ídolos, em que o Bezerro d’Ouro tem destacado altar-mor e em que os seus novos sumo-sacerdotes são os chamados “tecnocratas europeístas”; a falsos profetas e a monstruosas mentiras e magias de todos aqueles que o miseravelmente enganam, urge que os Portugueses saibam desencadear os mecanismos políticos necessários, sem apelos a “messianismos” ou falsos “vanguardismos” e “extremismos”, para uma Ideia Política condutora que fale de novo, sem vergonhas e imbecis complexos, da Pátria que realmente fomos, somos e queremos continuar a ser, das nossas raízes históricas, do nosso querer, do nosso destino como comunidade nacional, sem olvidar de falarmos igualmente do pão, do trabalho honrado e honesto, da justiça social, da fidelidade, do sacrifício, do valor da família como célula fundamental da sociedade, da tradição e da modernidade europeia, da reforma moral do país, como solução sine qua non, para um autêntico Ressurgimento Nacional, dos sonhos, e das esperanças de Portugal e dos Portugueses, sem esquecer a afirmação do heroísmo perante o latente estado de cobardia e de “bufaria”. Por isso tudo, damos aqui corpo (e o corpo, como sói dizer-se) ao presente MANIFESTO.
O que nesta hora mais marca o mundo em que vivemos é o autêntico lodaçal de desordem mundial em que, pela via de uma acelerada e intencionalmente provocada mutação política e social, este se tem vindo a aviltar e a converter-se num universo atomizado (global-desagregado) e onde os valores da ORDEM TRADICIONAL estão a ser ferozmente atacados e objecto da mais desenfreada e despudorada acção de subversão de que há memória na História de toda a humanidade.
E quando se aborda aqui aquilo que designamos por ORDEM TRADICIONAL (de sentido primordial), será bom não confundir a dita com o tradicionalismo que, regra geral, corporiza uma carga ideológica (mesmo de facção político-partidária) e que por isso mesmo define, a maior parte das vezes, o pensamento político conservador, o que é outra coisa.
Não é por acaso que o grande drama da nossa época se centra no facto de a decadente civilização ocidental e, por tabela, todo o restante mundo, ter já sido literalmente sacudido e tomado de assalto por poderosas e obscuras forças especialmente interessadas em alimentar todo este estado de anarquia e desordem em que hoje o mundo desgraçadamente repousa.
Vive-se nos tempos de hoje a fomentação (a todos os níveis) de um desconcerto generalizado que já atingiu todas as camadas sociais e que levam estas a latentes (e cada vez mais frequentes, como todos os dias constatamos pelos media) estados de desespero e angústia que, naturalmente, são responsáveis directos pela “arquitectura” deste “Mundo Moderno” que habitamos e que caminha, a passos de gigante, para um possível cataclismo total.
Também facilmente se constata que nos tempos que nos tocaram por desditosa sorte, o conceito do bem e do mal estão ambos completamente esbatidos. A própria noção de pecado é uma coisa que já não é tomada a sério, quando outrora era um sentimento tão vivo, hoje não passando, para demasiados, de “um deplorável anacronismo religioso e reaccionário”, dizem.
Tudo isto é mais sinistro, quando anuncia a perda pelo homem da sua privada comunhão com Deus. Estamos, em suma, numa época (numa triste época) em que o maior triunfo do diabo foi este ter feito crer à maioria das pessoas que ele [diabo] não existe.
Estamos todos a viver no presente momento aquilo a que a milenar cultura e sabedoria hindu ensina e designa como a Quarta Idade (da burguesia-proletariado-homem-massa) ou de Kali-Yuga.
Enfim, todo um universo, onde o feio; o contaminante; o reducionismo; o absurdo; a horizontalidade; o medíocre; o monstruoso; o corrupto; o politicamente correcto; o primarismo das massas; a ditadura esquerdista e da imbecilidade militante; o ócio; o podre; o cobarde; o gosto desmedido pelo luxo; a linguagem de urinol; a quase ausência de códigos e normas, por mais básicas que sejam, prevalecem já sobre os poucos valores que ainda tentam manter-se à tona da água e em luta tremenda contra todo este maremoto de demência colectiva que tudo ameaça engolir e criminosamente subverter.
Ora é, precisamente nestas ocasiões, que inevitavelmente arrastam atrás de si incomensuráveis sacrifícios na nossa vida pessoal; dificuldades e incertezas, que realmente nos devemos mobilizar e dar sinais de que estamos plenamente à altura de homens da resistência, com a demolidora convicção (fé) de que os focados homens (dos homens de pé no meio das ruínas, como disse Julius Evola) não são do passado, antes do futuro.
Por isso SOMOS uma ORDEM MILITANTE de gente Lusa que é intransigentemente fiel a sentimentos que consideram permanentes dentro de um quadro de intensa portugalidade e que não abdicam nem desarmam da defesa de princípios que acham essenciais à existência e continuidade (perenidade) de Portugal como país livre e soberano, que pensam nesta muito particular altura que a nossa Pátria atravessa, ser conveniente que se unam esforços (e que nada impede que hajam outros com esse mesmo fim) em torno de um projecto que siga na vanguarda (FRENTE) de um combate mental e de acção, que visa reflectir sobre novas realidades: políticas, sociais, culturais, económicas, religiosas, militares e históricas.
Propomos – resolutamente! – uma luta de renovados quadros nacionais contra a mediocridade reinante, os mitos destilados pelo iluminismo e positivismo oitocentista rousseauneano, propalados pelos seus mais notórios apóstolos e seguidores, como Proudhon, Karl Marx, Engels, Freud, Levy Strauss, Marcuse, Garraudy e outros notáveis imbecis, todos eles filhos dilectos da Revolução Francesa. Queremos lutar contra a atrevida ignorância e obscurantismo das massas.
F u n d a m e n t o s
1. Existem valores supremos que o homem deve servir: são os valores do Espírito. O Espírito, enquanto universalidade e unidade, tudo ultrapassa, porque tudo engloba e em nada está englobado.
2. Só colocando-se ao serviço dos valores supremos, através da superação dos seus instintos, do seu egoísmo e do seu particularismo, é que o homem atinge uma dignidade própria. É pelo inabalável cumprimento dos imperativos morais, pelo sacrifício de si mesmo, pelo heroísmo firme e sem retóricas, que o indivíduo consegue elevar-se ao plano do Espírito. O seu verdadeiro e único direito é, afinal, o de cumprir o seu dever.
3. Na esfera do temporal, é no Estado, entendido como comunidade política, que se objectivam a unidade e a universalidade espirituais. Aí, as pessoas e os grupos integram-se num todo que os excede e onde as suas finalidades próprias encontram realização sem se perderem numa dispersão anárquica e estéril. A obrigação primordial, no domínio terreno, é, pois, para o homem e para os corpos sociais, assumindo-se como membros dessa comunidade, consagrarem-se ao Bem-Comum.
4. A unidade e a universalidade do Estado não aniquilam a diferença ou a diversidade, antes a integram em si. Mas onde há diferença e diversidade, articuladas em função do uno e do universal, tem de haver Hierarquia, quer dizer, Estado orgânico.
5. Não existe Ordem nem Hierarquia sem uma Autoridade soberana que integre a variedade na unidade, a particularidade na universalidade. A Autoridade é, sem dúvida, Poder, embora nem todo o poder seja Autoridade. Esta é o Poder legítimo, o Poder que existe para a harmonia, aperfeiçoamento e realização do conjunto e, consequentemente, das partes.
6. A autoridade dividida é a ausência de Autoridade; só há Autoridade onde o poder é uno; e só é uno o Poder que projecta a sua unidade no tempo, isto é, que seja contínuo e estável.
Perante o governo de muitos, o princípio da chefia pessoal revela a sua indiscutível superioridade.
7. Hoje, o Estado – a comunidade política – só existe sob a forma de Nação. Tendo assim imanentes as ideias de unidade e de universalidade, se cada Nação pode reclamar legitimamente os sacrifícios últimos, nenhuma pode considerar-se um mundo fechado, porquanto todas participam no ethos comum e de destinos solidários. A fraternidade entre os nacionalismos é, pois, uma exigência indeclinável.
8. Dominada por uma antropologia desenfreada, um hedonismo impudente, um tecnicismo cego, pelo pragmatismo e pelo oportunismo, a “civilização” contemporânea é um deserto espiritual. Sob uma prosperidade e uma força aparentes, são já manifestos sinais iniludíveis de decadência e de ruína. Não há, portanto, razão para derrotismos, uma vez que os mitos actuais nada têm de intrinsecamente sólido e duradouro, podendo desmoronar-se de um momento para o outro.
Seja como for, nem o êxito nem o fracasso devem funcionar como critério válido. Com ou sem êxito, há que combater os erros do tempo, pois se ninguém tem obrigação de vencer, todos têm obrigação de lutar.
GLADIUM NACIONAL
O que nesta hora mais marca o mundo em que vivemos é o autêntico lodaçal de desordem mundial em que, pela via de uma acelerada e intencionalmente provocada mutação política e social, este se tem vindo a aviltar e a converter-se num universo atomizado (global-desagregado) e onde os valores da ORDEM TRADICIONAL estão a ser ferozmente atacados e objecto da mais desenfreada e despudorada acção de subversão de que há memória na História de toda a humanidade.
E quando se aborda aqui aquilo que designamos por ORDEM TRADICIONAL (de sentido primordial), será bom não confundir a dita com o tradicionalismo que, regra geral, corporiza uma carga ideológica (mesmo de facção político-partidária) e que por isso mesmo define, a maior parte das vezes, o pensamento político conservador, o que é outra coisa.
Não é por acaso que o grande drama da nossa época se centra no facto de a decadente civilização ocidental e, por tabela, todo o restante mundo, ter já sido literalmente sacudido e tomado de assalto por poderosas e obscuras forças especialmente interessadas em alimentar todo este estado de anarquia e desordem em que hoje o mundo desgraçadamente repousa.
Vive-se nos tempos de hoje a fomentação (a todos os níveis) de um desconcerto generalizado que já atingiu todas as camadas sociais e que levam estas a latentes (e cada vez mais frequentes, como todos os dias constatamos pelos media) estados de desespero e angústia que, naturalmente, são responsáveis directos pela “arquitectura” deste “Mundo Moderno” que habitamos e que caminha, a passos de gigante, para um possível cataclismo total.
Também facilmente se constata que nos tempos que nos tocaram por desditosa sorte, o conceito do bem e do mal estão ambos completamente esbatidos. A própria noção de pecado é uma coisa que já não é tomada a sério, quando outrora era um sentimento tão vivo, hoje não passando, para demasiados, de “um deplorável anacronismo religioso e reaccionário”, dizem.
Tudo isto é mais sinistro, quando anuncia a perda pelo homem da sua privada comunhão com Deus. Estamos, em suma, numa época (numa triste época) em que o maior triunfo do diabo foi este ter feito crer à maioria das pessoas que ele [diabo] não existe.
Estamos todos a viver no presente momento aquilo a que a milenar cultura e sabedoria hindu ensina e designa como a Quarta Idade (da burguesia-proletariado-homem-massa) ou de Kali-Yuga.
Enfim, todo um universo, onde o feio; o contaminante; o reducionismo; o absurdo; a horizontalidade; o medíocre; o monstruoso; o corrupto; o politicamente correcto; o primarismo das massas; a ditadura esquerdista e da imbecilidade militante; o ócio; o podre; o cobarde; o gosto desmedido pelo luxo; a linguagem de urinol; a quase ausência de códigos e normas, por mais básicas que sejam, prevalecem já sobre os poucos valores que ainda tentam manter-se à tona da água e em luta tremenda contra todo este maremoto de demência colectiva que tudo ameaça engolir e criminosamente subverter.
Ora é, precisamente nestas ocasiões, que inevitavelmente arrastam atrás de si incomensuráveis sacrifícios na nossa vida pessoal; dificuldades e incertezas, que realmente nos devemos mobilizar e dar sinais de que estamos plenamente à altura de homens da resistência, com a demolidora convicção (fé) de que os focados homens (dos homens de pé no meio das ruínas, como disse Julius Evola) não são do passado, antes do futuro.
Por isso SOMOS uma ORDEM MILITANTE de gente Lusa que é intransigentemente fiel a sentimentos que consideram permanentes dentro de um quadro de intensa portugalidade e que não abdicam nem desarmam da defesa de princípios que acham essenciais à existência e continuidade (perenidade) de Portugal como país livre e soberano, que pensam nesta muito particular altura que a nossa Pátria atravessa, ser conveniente que se unam esforços (e que nada impede que hajam outros com esse mesmo fim) em torno de um projecto que siga na vanguarda (FRENTE) de um combate mental e de acção, que visa reflectir sobre novas realidades: políticas, sociais, culturais, económicas, religiosas, militares e históricas.
Propomos – resolutamente! – uma luta de renovados quadros nacionais contra a mediocridade reinante, os mitos destilados pelo iluminismo e positivismo oitocentista rousseauneano, propalados pelos seus mais notórios apóstolos e seguidores, como Proudhon, Karl Marx, Engels, Freud, Levy Strauss, Marcuse, Garraudy e outros notáveis imbecis, todos eles filhos dilectos da Revolução Francesa. Queremos lutar contra a atrevida ignorância e obscurantismo das massas.
F u n d a m e n t o s
1. Existem valores supremos que o homem deve servir: são os valores do Espírito. O Espírito, enquanto universalidade e unidade, tudo ultrapassa, porque tudo engloba e em nada está englobado.
2. Só colocando-se ao serviço dos valores supremos, através da superação dos seus instintos, do seu egoísmo e do seu particularismo, é que o homem atinge uma dignidade própria. É pelo inabalável cumprimento dos imperativos morais, pelo sacrifício de si mesmo, pelo heroísmo firme e sem retóricas, que o indivíduo consegue elevar-se ao plano do Espírito. O seu verdadeiro e único direito é, afinal, o de cumprir o seu dever.
3. Na esfera do temporal, é no Estado, entendido como comunidade política, que se objectivam a unidade e a universalidade espirituais. Aí, as pessoas e os grupos integram-se num todo que os excede e onde as suas finalidades próprias encontram realização sem se perderem numa dispersão anárquica e estéril. A obrigação primordial, no domínio terreno, é, pois, para o homem e para os corpos sociais, assumindo-se como membros dessa comunidade, consagrarem-se ao Bem-Comum.
4. A unidade e a universalidade do Estado não aniquilam a diferença ou a diversidade, antes a integram em si. Mas onde há diferença e diversidade, articuladas em função do uno e do universal, tem de haver Hierarquia, quer dizer, Estado orgânico.
5. Não existe Ordem nem Hierarquia sem uma Autoridade soberana que integre a variedade na unidade, a particularidade na universalidade. A Autoridade é, sem dúvida, Poder, embora nem todo o poder seja Autoridade. Esta é o Poder legítimo, o Poder que existe para a harmonia, aperfeiçoamento e realização do conjunto e, consequentemente, das partes.
6. A autoridade dividida é a ausência de Autoridade; só há Autoridade onde o poder é uno; e só é uno o Poder que projecta a sua unidade no tempo, isto é, que seja contínuo e estável.
Perante o governo de muitos, o princípio da chefia pessoal revela a sua indiscutível superioridade.
7. Hoje, o Estado – a comunidade política – só existe sob a forma de Nação. Tendo assim imanentes as ideias de unidade e de universalidade, se cada Nação pode reclamar legitimamente os sacrifícios últimos, nenhuma pode considerar-se um mundo fechado, porquanto todas participam no ethos comum e de destinos solidários. A fraternidade entre os nacionalismos é, pois, uma exigência indeclinável.
8. Dominada por uma antropologia desenfreada, um hedonismo impudente, um tecnicismo cego, pelo pragmatismo e pelo oportunismo, a “civilização” contemporânea é um deserto espiritual. Sob uma prosperidade e uma força aparentes, são já manifestos sinais iniludíveis de decadência e de ruína. Não há, portanto, razão para derrotismos, uma vez que os mitos actuais nada têm de intrinsecamente sólido e duradouro, podendo desmoronar-se de um momento para o outro.
Seja como for, nem o êxito nem o fracasso devem funcionar como critério válido. Com ou sem êxito, há que combater os erros do tempo, pois se ninguém tem obrigação de vencer, todos têm obrigação de lutar.
GLADIUM NACIONAL
domingo, 19 de Outubro de 2008
Descaracterização ou Anemia
Há uma importante questão a considerar: como a obediência a ideias regula determinadas práticas e como essas práticas conduzem à afirmação ou inflexão de algumas ideias. A ligação entre pensamento e acção não é alheia a isto.
Nas actuais circunstâncias políticas portuguesas, não se nos afigura necessariamente de reprovar que a Direita constitua uma formação classificável como partido. Nem sequer achamos que concorrer às eleições seja, em todas as alturas, algo de forçosamente reprovável.
O problema consiste no espírito que preside aos actos, consiste em estabelecer firmemente os princípios que devem nortear todo o procedimento, consiste em respeitar uma coerência que dá a verdadeira força às atitudes.
Quando se começa a perder o senso das proporções, dos valores, da sua ordenação e da sua hierarquia, quando os meios começam, mais ou menos subtilmente, mais ou menos inconscientemente, a invadir o lugar dos fins ou a adulterá-los, todo o edifício fica abalado.
Os que deste modo se comportam, obcecados pela eficiência, esvaziam-se da eficácia.
A pretensão de conquistar um espaço eleitoral, de obter uma fatia na Assembleia da República, de entrar para um escaninho do sistema, de se instalar respeitavelmente na democracia, faz, às vezes, as pessoas atropelarem-se a si mesmas, buscando trunfos viciados e acolhendo ou proclamando coisas que lhes parecem mais toleráveis pelos factos e pela mentalidade instalados e mais rentáveis, de imediato, junto da opinião pública. Desaustinados pela conquista dos meios, atabalhoam-se nas contradições, nas concessões e nas adaptações, amarrados à idolatria dum “realismo” que se tem revelado e revelará, afinal, ilusório e pouco ou nada produtivo.
O grave do problema está, pois, nisto: aonde levam esses pragmatismos, estes equívocos, deslocamentos, indeterminações? Ao fracasso, em todas as esferas. Pode dizer-se que “nem honra nem proveito”.
Foi até frequente depararmos com o triste espectáculo do “fugir de Cila para cair em Caríbdis”. Para recusar o colectivismo socialista, defendeu-se o liberalismo económico.
Se pensássemos em ganhar menos, talvez se viesse a ganhar mais. De qualquer modo, não se perderia com mais extensão do que se perde; mesmo no terreno tão vorazmente cobiçado…
Goutart Nogueira
Nas actuais circunstâncias políticas portuguesas, não se nos afigura necessariamente de reprovar que a Direita constitua uma formação classificável como partido. Nem sequer achamos que concorrer às eleições seja, em todas as alturas, algo de forçosamente reprovável.
O problema consiste no espírito que preside aos actos, consiste em estabelecer firmemente os princípios que devem nortear todo o procedimento, consiste em respeitar uma coerência que dá a verdadeira força às atitudes.
Quando se começa a perder o senso das proporções, dos valores, da sua ordenação e da sua hierarquia, quando os meios começam, mais ou menos subtilmente, mais ou menos inconscientemente, a invadir o lugar dos fins ou a adulterá-los, todo o edifício fica abalado.
Os que deste modo se comportam, obcecados pela eficiência, esvaziam-se da eficácia.
A pretensão de conquistar um espaço eleitoral, de obter uma fatia na Assembleia da República, de entrar para um escaninho do sistema, de se instalar respeitavelmente na democracia, faz, às vezes, as pessoas atropelarem-se a si mesmas, buscando trunfos viciados e acolhendo ou proclamando coisas que lhes parecem mais toleráveis pelos factos e pela mentalidade instalados e mais rentáveis, de imediato, junto da opinião pública. Desaustinados pela conquista dos meios, atabalhoam-se nas contradições, nas concessões e nas adaptações, amarrados à idolatria dum “realismo” que se tem revelado e revelará, afinal, ilusório e pouco ou nada produtivo.
O grave do problema está, pois, nisto: aonde levam esses pragmatismos, estes equívocos, deslocamentos, indeterminações? Ao fracasso, em todas as esferas. Pode dizer-se que “nem honra nem proveito”.
Foi até frequente depararmos com o triste espectáculo do “fugir de Cila para cair em Caríbdis”. Para recusar o colectivismo socialista, defendeu-se o liberalismo económico.
Se pensássemos em ganhar menos, talvez se viesse a ganhar mais. De qualquer modo, não se perderia com mais extensão do que se perde; mesmo no terreno tão vorazmente cobiçado…
Goutart Nogueira
Aproximação Portugal-Galiza
Perigos e Incertezas
(Uma pequena nota)
Desde há uns tempos a esta parte que aqui em Portugal, principalmente na sua Região Norte, vem germinando a ideia peregrina e muito perigosa de uma acentuada e descontrolada ligação à Galiza.
Esclarecemos aqui que tal se centra na procura de uma junção não apenas situada numa ordem de natureza étnico-cultural que, entre o Norte de Portugal e a Galiza existem de facto e lhes são realmente comuns e, diga-se, até muito desejáveis, mas, sobretudo em vertentes políticas e económicas com uma região (Galiza) que politicamente (apesar de uma certa autonomia administrativa) está sob apertado controlo do centralismo castelhano sedeado em Madrid. E é precisamente neste último aspecto onde moram todos os perigos e espreitam todas as incertezas.
Achamos ser conveniente advertir os leitores deste Boletim que este pequeno estudo e análise não visa qualquer tipo de obstáculo a uma cada vez mais alargada e desejável aproximação cultural entre Portugal e a nossa irmã Galiza. Aliás os castelhanistas não vêem com confiança e agrado uma aproximação verdadeiramente cultural entre os povos galego e português. Porque será? O governo de Madrid vê antes com bons olhos uma aproximação exclusivamente situada nos domínios do político e económico. Porque será?
Por isso é preciso que se diga que nada nos impele contra todos aqueles, portugueses e galegos, que de forma entusiástica lutam por uma cada vez mais acentuada acção no estreitar de laços de amizade entre os dois povos irmãos. Até apoiamos muito vivamente todas as iniciativas conducentes a tal, desde que tais empenhos signifiquem de forma objectiva uma deliberada prática cuja meta política final conduza a uma almejada unidade política entre Portugal e a Galiza que, naturalmente, contradiga e elimine a actual existente, ou seja, a que vigora entre a Galiza e Castela, Nação directora daquilo que se convencionou designar por Espanha. Com esta nossa posição pensamos afastar qualquer tipo de equívocos que possam surgir.
Este documento procura apenas alertar os portugueses para quaisquer actos imprudentes (de atrevida ignorância) e de ingenuidade política com que tantos de nós persistem em ter em termos geopolíticos e estratégicos. A realidade (política) castelhano-visigótica existe mesmo e está muitíssimo mais atenta do que às vezes se julga. Diz o nosso povo (vox populi, vox Dei) que precauções e caldinhos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.
*****
Quem de forma – que tem tanto de ingénua como de atrevida ignorância – tem objectivamente propugnado com o maior dos entusiasmos para viabilizar um grande projecto para uma região transfronteiriça do designado em certos meios como «Noroeste Peninsular», demonstra, assim, desconhecer quase em absoluto os mais importantes vectores geoestratégicos que levaram à formação do Condado Portucalense, movimento político, militar e religioso que levaria mais tarde à constituição de Portugal como o primeiro Estado-Nação arrebatado aos Mouros na Península Ibérica. A uma Nação cujas fronteiras são as mais estáveis e antigas da Europa.
Todavia, e apesar deste indesmentível facto histórico, existem grupos de entidades e de personalidades no Norte de Portugal que parecem querer esquecer essa verdadeira lição de geopolítica, de geoestratégia e igualmente de geohistória que os homens do antigo Condado Portucalense nos deram a todos nós com vista a dessa forma quase perfeita e admirável conseguirem a permanência e a independência de Portugal como país livre.
É importante referir que na conquista e num plano geral de consolidação do Reino de Portugal, dois pontos do Condado Portucalense viriam a ter e a desenvolverem um papel e função de vital e extraordinária importância. Foram Braga e o Porto. A diocese de Braga, isso ao separar-se de Santiago de Compostela (Galiza), tornando-se, de imediato, numa importante sede de poder religioso indispensável para o futuro Condado Portucalense, autêntico motor da formação de Portugal.
A tomada definitiva do Porto (Presúria) aos Mouros, levada a cabo por Vímara Peres, representou a consolidação do Porto como grande baluarte cristão e como um fortíssimo centro da burguesia comercial da época, que mais tarde, apoiada por Cruzados do Norte da Europa (em trânsito para a Terra Santa), estaria em condições para dar excepcional e crucial impulso para a conquista e derrota dos Mouros em três rios e estuários do sul, ou sejam, do Tejo, do Sado e do ainda mais a sul, Guadiana. Provando de forma cabal a muito deliberada intenção geoestratégica em prolongar o Condado Portucalense em toda a faixa marítima atlântica de Norte para Sul (1), dando, dessa forma, plena razão ao espanhol Unamuno, quando este muito acertadamente afirmou que «O QUE FAZIA PORTUGAL ERA O MAR». Condição essa que hoje tão desprezamos, tendo a nossa marinha mercante atingido, praticamente, o grau zero de existência. Longe estamos do tempo do célebre despacho 100 (almirante Américo Thomaz) que revigorou espectacularmente a dita.
Foi a muito poderosa burguesia portuense que ao apoiar activamente a causa de D. João I, Mestre de Avis (2), que levaria à realização da Revolução Nacional de 1383/1385, também conhecida pela Revolução do Porto, cuja expressão máxima de vitória foi a 14 de Agosto de 1385, com a Batalha de Aljubarrota. E Aljubarrota, muito ao contrário do que muitos possam meramente
pensar, não foi só uma brilhante vitória das armas nacionais, foi sobretudo um decisivo triunfo da burguesia comercial e marítima «tripeira» (vencedora e firmemente apostada numa futura e gloriosa opção atlântica de Portugal) sobre uma outra claramente iberista e perfilhada por alguns portugueses.
Por estas razões que aqui se apontam e que dentro de um antigo quadro nacional de existência continuam, apesar de tudo, actualíssimas e, particularmente, inextinguíveis, não aconselham a que se embarque prazenteira e tolamente no tal projecto de uma região transfronteiriça do designado «Noroeste Peninsular», para mais com um centro de gravidade económica e política na cidade de Vigo, esta com sérias aspirações em centralizar e coordenar lá todo o tráfego de portos espanhóis e portugueses, levando a que Portugal seja, pura e simplesmente, geoeconomicamente estrangulado. Prova-se assim que o imperialismo castelhano-visigótico é uma entidade real muito atenta e que se serve da Galiza como uma sua espécie de «Cavalo de Tróia». Mas não se julgue que a «manobra» castelhana se empenha e focaliza apenas na organização de uma zona transfronteiriça do «Noroeste Peninsular», visto os castelhanos quererem ir muito mais longe, estando igualmente particularmente interessados no chamado «Sudoeste Ibérico», com especial fulcro na cidade andaluza de Huelva, e que visa criar outra região transfronteiriça envolvendo estrategicamente todo o nosso Algarve.
Não foi por acaso que só apenas no reinado de Isabel, a Católica, é que Castela reconheceu a conquista do Algarve por Portugal (depois de terem passado alguns séculos dessa conquista, note-se). Agora, a sempre matreira Castela, pretende «separar» essa região portuguesa do todo nacional, tal para «quebrar» a continuidade e a nossa frente marítima do Minho ao Algarve. O seu plano é, de facto, capcioso. Lamentavelmente existem portugueses, com altas responsabilidades, para mais políticas, que não notam certas posturas castelhanas, as desvalorizam e atacam antes portugueses esclarecidos que chamam a atenção e alertam contra essa problemática.
Mais do que sustentar tolas ilusões de franca amizade política com a sempre perigosa e manhosa Galiza, em andar com ela de braço dado e metidos em «estórias», planos e projectos transfronteiriços e que tão caros nos poderão vir a custar em termos de segurança e da nossa liberdade e independência nacional, importa, isso sim, reforçar todas as potencialidades existentes no Norte de Portugal, mormente a da sua área metropolitana do Porto e grande Porto, como dínamo de toda a Região Norte (3). Tudo isso sem esquecer os especiais cuidados a ter com os portos do Douro e Leixões (4), bem como a urgente estabilização e regularização da barra do Douro acima (rio-mãe de Portugal), e onde, curiosamente, navegou pela primeira vez a mítica Caravela Portuguesa.
Não é por acaso que Castela vê com muitos maus olhos a existência de um incremento de navegação de cabotagem, de instalação de portos fluvio-marítimos no Douro, não se mostrando nada interessada no seu aproveitamento e desenvolvimento. A plena operacionalidade de Leixões e da navegabilidade do rio Douro, serão factores fundamentais para o Minho e Trás-os-Montes se manterem economicamente interessados mais em Portugal do que na Galiza. Acresce que o rio Douro pode e deve representar uma boa alternativa (até porque mais barata) aos camiões TIR (5) que terão fatalmente sempre que atravessar a Espanha, isso com as mais variadas consequências e gravosas inconveniências para Portugal.
António José dos Santos Silva
____________________
Notas:
(1) Neste aspecto, já Pinharanda Gomes, in Cinco Chaves da Cultura Portuguesa, Revista Política, números 5-6, de 31 de Agosto de 1972, pág. 19, disse: «…A Viagem – Portugal nasceu de um modesto condado, encravado a ocidente de Espanha, delimitado a norte e a oriente pelo reino de Leão e, a sul, pelos principados árabes. Altamente diferenciado, do ponto de vista cultural e linguístico dos restantes principados ibéricos, a situação política do condado portucalense era o de uma insularidade, de um isolamento. Todas as situações permitem três escolhas e o condado portucalense tinha as três opções à escolha: ou permanecer no seu isolamento; ou integrar-se nos demais principados ibéricos; ou forçar as suas limitações, e garantir uma autonomia que, pelo apoio territorial, fosse menos precária do que era.
O mar, o Atlântico é o convite, a ordem de partir. Mas, na ciência da época, o mar não levava a parte alguma. Os primeiros portugueses haviam fome de expansão e de descobrimento. A viagem começou, não por mar, mas por terra. A aristocracia portucalense estava decidida, não a discutir a autonomia dos principados ibéricos seus vizinhos, mas a delimitar uma faixa costeira, que alongasse a costa marítima do condado…»
(2) Podemos dizer que a dinastia de Avis foi, na verdade, o primeiro Estado Novo português. Com ele, a Idade Média, terminou em Portugal.
(3) É percepção do domínio geral e da chamada opinião pública que a Região Norte de Portugal, que outrora nos habituamos a considerar o motor económico de Portugal, tem vindo a perder tal liderança. Por esse facto as gentes nortenhas têm legítimos motivos para ficarem deveras apreensivas em relação ao futuro…
Se entendemos (e bem) a região nortenha como um espaço geográfico com características específicas (o espaço nacional não é homogéneo, como se sabe), devemos também compreender que a Região Norte representa uma área vital para que Portugal cresça no interior de si próprio, alargando, assim, a fronteira do seu crescimento interno como também internacional.
Se é verdade que Portugal, num mundo que já poderemos considerar de era global, tem que saber conquistar competitividade na Europa e no mundo, tem, igualmente, que definitivamente entender que isso tudo terá que passar pela capacidade da região que vimos a falar diversificar actividades cujo dinamismo a levem a adquirir (novamente) poder e natural protagonismo, sobretudo nos tempos que hoje correm, em termos de matéria tecnológica e cientifica (políticas horizontais que privilegiem a qualidade e a inovação), sem olvidar o seu desenvolvimento em escala abrangente.
Faz-se aqui especialmente notar que não se trata da procura e estabelecimento de uma doutrina meramente regionalista. Nem, tão pouco, como muitos possam pensar, se trata de fazer justiça à Região Norte. Trata-se, tão-só, do estabelecimento de uma política nacional (edificadora de novos factores de riqueza) que nunca será alcançada caso, por inépcia, não consigamos potenciar o extraordinário senhorio de iniciativa que superiormente caracteriza a região nortenha de Portugal. É que caso isso se verifique, Portugal, no seu todo nacional, irá pagar os mais elevados juros, isso com as repercussões que daí advirão para o nosso tecido económico e social, já hoje tão fragilizado.
(4) Sem esquecer a plena operacionalidade do aeroporto internacional Francisco Sá Carneiro e o comboio (TGV) Porto-Vigo.
(5) Nem de propósito. Chamamos aqui a atenção para o facto das recentes paralisações e bloqueios dos camionistas, não apenas portugueses, mas igualmente espanhóis e franceses, que pela sua postura reivindicativa (não importa se justa ou injusta), paralisaram quase praticamente o nosso país, constituindo o seu gesto não apenas uma acção de que resultou gravíssimos prejuízos para toda a economia nacional como, também, representou um sério constrangimento à liberdade dos portugueses e colocou em causa a própria segurança nacional. Toda esta questão que aqui apontamos não foi ainda convenientemente resolvida, pelo que ameaça poder repetir-se. Por tal, esta situação merece ser profundamente meditada por todos nós.
O "Oitocentismo" em Decomposição
A fundamentação das atitudes políticas tem tradicionalmente recorrido à Teologia e à Filosofia. Estas, por revelação ou dedução, configurando sistemas de valores hierarquizados, em que o Homem surge num determinado posicionamento, formavam a coluna vertebral das várias concepções do mundo.
O triunfo político das ideologias do iluminismo prescindiu da Teologia e (aparentemente) da Filosofia para a sua justificação. A nova visão do mundo, materialista, estabelecia que unicamente no estudo da matéria – única realidade sensível – poderiam ser encontradas as lei que regiam a dinâmica do Universo, desde os mais simples sistemas inorgânicos físico-químicos até às manifestações mais complexas da existência – estruturação e pensamento das sociedades.
Assim, unicamente à Ciência, como conjunto de disciplinas que pelo seu método e objecto de estudo determinariam com rigor as leis pelas quais se rege o Cosmos, foi dado o direito de cidadania. Nesta ordem de ideias e quando, nos finais do século XIX, se iniciou a estruturação de um conjunto de disciplinas novas, de âmbito diverso, as Ciências Humanas – estudo do homem em situação que escapa nitidamente à aplicação do método cientifico tradicional – todo um esforço foi feito para o seu enquadramento forçado no sistema positivista.
Inúmeras teorias foram sendo elaboradas tentando estabelecer leis imutáveis que regessem todos os aspectos da actividade humana e se fundamentaram, em última análise, nas leis físico-químicas da matéria. Assim, surgiram os grandes sistemas que na Antropologia, na Sociologia, na História, na Psicologia, procuraram justificar os mitos que o oitocentismo criara. O comportamento humano seria governado por leis que simplesmente reflectiam um salto quantitativo e qualitativo em relação às leis gerais que regiam o comportamento da matéria nas suas expressões mais simples.
Podemos reconhecer pois que o labor de um Marx, de um Freud ou de um Levy Strauss, mais não são do que etapas sucessivas na criação de uma teoria geral explicativa do comportamento humano superior, através da descoberta de um principio unificador que estivesse na base do comportamento e, em última análise, tivesse uma ligação directa com as leis dos sistemas materiais inertes. Contudo, apesar de todo o esforço empreendido, nenhum dos notáveis autores ou seus discípulos conseguiu alguma vez estabelecer o «elo perdido» que ligasse as construções ideológicas que realizaram às leis fundamentais da matéria.
Os ideólogos do Iluminismo marxista ou liberal socorreram-se de algumas descobertas «científicas» do século XIX para fundamentar uma concepção do mundo antropocêntrica, em que o Homem «naturalmente bom» não se encontra vinculado a valores de qualquer ordem e cujo comportamento é susceptível de ser determinado por uma estrutura que, à partida, lhe seria estranha – a sociedade. A partir desta base teórica foram sendo desenvolvidas explicações globalizantes para as diversas situações que se ofereciam à observação. A psicanálise, o Behaviorismo e o Lysenkismo são apenas algumas das mais popularizadas.
Contudo, certas correntes do pensamento, não partilhando a concepção materialista do mundo que é própria do Iluminismo, reconheceram a existência de várias formas e graus de abordagem da realidade. Sem pôr em causa a Filosofia como fundamentação última de uma visão do mundo atribuíram à Ciência um importante papel no estudo e esclarecimento de certos aspectos parcelares da realidade. Desta forma, com o concurso do método científico, rectificado no seu rigor e seriedade, têm vindo a proceder a uma revisão profunda das premissas da mitologia pseudo-científica oitocentista. Está em curso uma autêntica «revolução silenciosa» em todos os domínios do conhecimento.
O caso Freeman-Mead mais não é do que o reflexo deste confronto no domínio da Antropologia.
Margaret Mead, durante muitos anos fez escola e ditou leis, na linha de Boas e de Ruth Benedict, com a sua «descoberta» da sociedade samoana, sem repressão e autêntico viveiro de «bons selvagens», mas que não resiste à análise rigorosa realizada por Derek Freeman, feita «in loco». O trabalho de Freeman, amplamente documentado na sua obra (*) demonstrou até que ponto a falsificação dos dados observados é um dos pilares mais importantes da ideologia utopista e pseudo-científica que ainda vigora e contribuiu decisivamente para a queda de um dos grandes embustes na Antropologia contemporânea
Carlos Cardoso
(*) «Margaret Mead and Samoa – The Making and Unmaking of an Anthropological Mith»
O triunfo político das ideologias do iluminismo prescindiu da Teologia e (aparentemente) da Filosofia para a sua justificação. A nova visão do mundo, materialista, estabelecia que unicamente no estudo da matéria – única realidade sensível – poderiam ser encontradas as lei que regiam a dinâmica do Universo, desde os mais simples sistemas inorgânicos físico-químicos até às manifestações mais complexas da existência – estruturação e pensamento das sociedades.
Assim, unicamente à Ciência, como conjunto de disciplinas que pelo seu método e objecto de estudo determinariam com rigor as leis pelas quais se rege o Cosmos, foi dado o direito de cidadania. Nesta ordem de ideias e quando, nos finais do século XIX, se iniciou a estruturação de um conjunto de disciplinas novas, de âmbito diverso, as Ciências Humanas – estudo do homem em situação que escapa nitidamente à aplicação do método cientifico tradicional – todo um esforço foi feito para o seu enquadramento forçado no sistema positivista.
Inúmeras teorias foram sendo elaboradas tentando estabelecer leis imutáveis que regessem todos os aspectos da actividade humana e se fundamentaram, em última análise, nas leis físico-químicas da matéria. Assim, surgiram os grandes sistemas que na Antropologia, na Sociologia, na História, na Psicologia, procuraram justificar os mitos que o oitocentismo criara. O comportamento humano seria governado por leis que simplesmente reflectiam um salto quantitativo e qualitativo em relação às leis gerais que regiam o comportamento da matéria nas suas expressões mais simples.
Podemos reconhecer pois que o labor de um Marx, de um Freud ou de um Levy Strauss, mais não são do que etapas sucessivas na criação de uma teoria geral explicativa do comportamento humano superior, através da descoberta de um principio unificador que estivesse na base do comportamento e, em última análise, tivesse uma ligação directa com as leis dos sistemas materiais inertes. Contudo, apesar de todo o esforço empreendido, nenhum dos notáveis autores ou seus discípulos conseguiu alguma vez estabelecer o «elo perdido» que ligasse as construções ideológicas que realizaram às leis fundamentais da matéria.
Os ideólogos do Iluminismo marxista ou liberal socorreram-se de algumas descobertas «científicas» do século XIX para fundamentar uma concepção do mundo antropocêntrica, em que o Homem «naturalmente bom» não se encontra vinculado a valores de qualquer ordem e cujo comportamento é susceptível de ser determinado por uma estrutura que, à partida, lhe seria estranha – a sociedade. A partir desta base teórica foram sendo desenvolvidas explicações globalizantes para as diversas situações que se ofereciam à observação. A psicanálise, o Behaviorismo e o Lysenkismo são apenas algumas das mais popularizadas.
Contudo, certas correntes do pensamento, não partilhando a concepção materialista do mundo que é própria do Iluminismo, reconheceram a existência de várias formas e graus de abordagem da realidade. Sem pôr em causa a Filosofia como fundamentação última de uma visão do mundo atribuíram à Ciência um importante papel no estudo e esclarecimento de certos aspectos parcelares da realidade. Desta forma, com o concurso do método científico, rectificado no seu rigor e seriedade, têm vindo a proceder a uma revisão profunda das premissas da mitologia pseudo-científica oitocentista. Está em curso uma autêntica «revolução silenciosa» em todos os domínios do conhecimento.
O caso Freeman-Mead mais não é do que o reflexo deste confronto no domínio da Antropologia.
Margaret Mead, durante muitos anos fez escola e ditou leis, na linha de Boas e de Ruth Benedict, com a sua «descoberta» da sociedade samoana, sem repressão e autêntico viveiro de «bons selvagens», mas que não resiste à análise rigorosa realizada por Derek Freeman, feita «in loco». O trabalho de Freeman, amplamente documentado na sua obra (*) demonstrou até que ponto a falsificação dos dados observados é um dos pilares mais importantes da ideologia utopista e pseudo-científica que ainda vigora e contribuiu decisivamente para a queda de um dos grandes embustes na Antropologia contemporânea
Carlos Cardoso
(*) «Margaret Mead and Samoa – The Making and Unmaking of an Anthropological Mith»
Identidade Nacional - As Ameaças
A Segurança Pública e o Desgaste da Solidariedade Social
Identificar as ameaças e as vulnerabilidades é o primeiro passo para estabelecer uma sólida e coerente política de segurança. As ameaças podem derivar de causas naturais, de acidentes ou desastres ou de actos intencionais. Quando estes são causados por uma violação voluntária de uma disposição legal que regulamenta ou proíbe um acto para a protecção da sociedade nas suas componentes e estruturas humanas são considerados crimes. Podem ter uma expressão isolada, contextual ou organizada. De qualquer forma, mesmo os actos criminosos individuais podem ser indirectamente influenciados pelo panorama criminal geral que caracteriza a sociedade onde eles ocorrem. A validade desta afirmação é ainda mais significativa nos dias de hoje, com a irreversível tendência para a globalização.
Incapazes de acompanhar as evoluções das ameaças que, em muitos casos, conflituam com entranhadas convicções ideológicas, os governantes, e as autoridades em geral, manifestam face aos problemas da segurança pública um comportamento que quase diríamos autista. Essa atitude é confrangedora e motivadora de reacções de indignação que conduzem, muitas vezes, a alterações da Ordem e uma potencial escalada da violência, nada característica do quotidiano da maioria dos povos.
Recentemente quando me encontrava à janela de casa, assisti a um episódio que me marcou de maneira profunda. Impotente pela distância, pude ver uma criança, com pouco mais de dez anos, ser assaltada em pleno dia, por um marginal. O episódio é já habitual na zona em que vivo e faz seguramente parte do quotidiano de muitas famílias portuguesas, apesar de os esteticistas governamentais e autárquicos insistirem em negá-lo. Embora indignado, porventura anestesiado pela habituação estatística, não fiquei particularmente admirado.
O que efectivamente me impressionou foi a atitude dos transeuntes adultos que passavam e que, cobardemente, se afastavam olhando para o lado, apressando o passo. A recusa de ajuda a uma criança ameaçada é manifestamente um indicador do baixo nível de solidariedade humana que a sociedade portuguesa de hoje apresenta. E isso deve-nos obrigar a reflectir profundamente sobre as causas que levaram a um tal estado de coisas. Uma delas é certamente o descurar, umas vezes por pusilanimidade e outras intencionalmente, as virtudes cívicas e patrióticas.
A insegurança, que nas grandes urbes aparece quase sempre associada aos grupos marginais e, nomeadamente, à toxicodependência, tem, tal como esse mesmo fenómeno, razões bem complexas. Em última análise, a droga deteriora, corrói ou destrói o nosso melhor recurso social – a juventude. As doutrinas sociais que nos governam, herdeiras da teoria do “bom selvagem” de Rousseau, tendem a auto-culpabilizar a Sociedade pela situação de marginalidade de muitos cidadãos que, voluntariamente, se degradam e afastam das regras mínimas da convivência em comunidade. Sob a capa de doentes[1], embora sem especificação definida, é gasta com eles uma soma importante dos recursos sociais, sem que se veja qualquer diminuição do consumo ou da criminalidade que ele engendra. Em compensação, doentes involuntariamente dependentes de fármacos para sobreviver, como os hemofílicos, os diabéticos, os que sofrem de esclerose múltipla, etc., são pouco mais que ignorados. Por incapacidade, conveniência judicial e policial do mal menor ou por pretensa piedade, toleram-se os toxicodependentes que todos os dias intimidam, agridem e maltratam sobretudo os mais novos e os mais velhos. Passa-se por cima desse factor de insegurança generalizado mas em compensação, talvez como manobra de diversão, lança-se o estigma sobre quem bebe álcool, independentemente do consumo, como se esse fosse o verdadeiro problema que socialmente nos afecta em termos de segurança. É obvio que a dependência do álcool foi, é e será sempre um grave problema e um importante factor de insegurança, sobretudo quando escondido no seio do lar, mas por mais areia que nos atirem para os olhos, as suas consequências não são comparáveis às da toxicodependência.
Para a maioria o conceito de Segurança implica um ambiente estável e relativamente previsível no qual um indivíduo ou um grupo possa prosseguir os seus objectivos sem medo de distúrbios ou agressões. As autoridades tendem a avaliar o nível de segurança pela análise dos dados obtidos através da participação efectiva dos crimes. Mas, na realidade a percepção do nível de Insegurança é muito mais importante para a definição das necessidades de segurança que a estatística do crime. Praticamente em todo o mundo, está-se a notar um aumento significativo na extensão e âmbito da criminalidade internacional desde os anos 90, ao mesmo tempo que os indicadores dão nota de uma ligeira descida na interna, nomeadamente nos segmentos da chamada baixa criminalidade. No entanto, o cidadão comum tem uma perspectiva diferente como o demonstram as inúmeras sondagens e inquéritos realizados. O que acontece, amiúde, é que, por falta de confiança no sistema judicial, as pessoas já não se dão ao trabalho de apresentar queixa, introduzindo assim, sem o quererem uma distorção nas estatísticas do crime.
Por outro lado as forças encarregadas da prevenção e repressão do crime encontram-se muitas vezes fragilizadas pela falta de orientação e apoio da própria tutela. A credibilidade das polícias é extremamente vulnerável à ausência de solidariedade das altas esferas políticas muitas vezes formadas por gente que não se consegue libertar da matriz ideológica dos anos 60, normalmente assente num substrato que oscila entre o marxismo pacifista e o socialismo mata-frades. Além disso, a complexidade e inovação das novas ameaças e riscos, bem como a sensação de perigo ou, pelo menos, de desconforto crescem de dia para dia, como uma bola de neve, amplificadas, eventualmente, pela tónica alarmista que alguns meios de comunicação social dão ao assunto. É, por isso, fundamental analisar e tentar perceber as razões profundas das percepções de medo e insegurança. É por demais evidente que o medo que as pessoas, em qualquer parte, têm do crime quer ele corresponda ou não à realidade dos factos, provoca uma alteração substancial nas suas actividades e formas de vida, com trágicas consequências para a coesão identitária colectiva.
José Luís Tavares de Andrade
[1] Será uma nova categoria de morbidade, a doença social? Se fossem considerados doentes mentais certamente haveria lugar a internamentos forçados. Em vez disso, com a desculpa de lhes diminuir o seu sofrimento e lhes aumentar a esperança de vida são gastas somas astronómicas em estruturas e medicamentos enquanto se deixa ao cuidado das famílias os encargos para as tentativas de recuperação. Não deixa de ser sintomático que as maiores taxas de recuperação de toxicodependentes se verifiquem em comunidades terapêuticas suportadas pela Igreja que são também aquelas que menos apoios estatais recebem.
Identificar as ameaças e as vulnerabilidades é o primeiro passo para estabelecer uma sólida e coerente política de segurança. As ameaças podem derivar de causas naturais, de acidentes ou desastres ou de actos intencionais. Quando estes são causados por uma violação voluntária de uma disposição legal que regulamenta ou proíbe um acto para a protecção da sociedade nas suas componentes e estruturas humanas são considerados crimes. Podem ter uma expressão isolada, contextual ou organizada. De qualquer forma, mesmo os actos criminosos individuais podem ser indirectamente influenciados pelo panorama criminal geral que caracteriza a sociedade onde eles ocorrem. A validade desta afirmação é ainda mais significativa nos dias de hoje, com a irreversível tendência para a globalização.
Incapazes de acompanhar as evoluções das ameaças que, em muitos casos, conflituam com entranhadas convicções ideológicas, os governantes, e as autoridades em geral, manifestam face aos problemas da segurança pública um comportamento que quase diríamos autista. Essa atitude é confrangedora e motivadora de reacções de indignação que conduzem, muitas vezes, a alterações da Ordem e uma potencial escalada da violência, nada característica do quotidiano da maioria dos povos.
Recentemente quando me encontrava à janela de casa, assisti a um episódio que me marcou de maneira profunda. Impotente pela distância, pude ver uma criança, com pouco mais de dez anos, ser assaltada em pleno dia, por um marginal. O episódio é já habitual na zona em que vivo e faz seguramente parte do quotidiano de muitas famílias portuguesas, apesar de os esteticistas governamentais e autárquicos insistirem em negá-lo. Embora indignado, porventura anestesiado pela habituação estatística, não fiquei particularmente admirado.
O que efectivamente me impressionou foi a atitude dos transeuntes adultos que passavam e que, cobardemente, se afastavam olhando para o lado, apressando o passo. A recusa de ajuda a uma criança ameaçada é manifestamente um indicador do baixo nível de solidariedade humana que a sociedade portuguesa de hoje apresenta. E isso deve-nos obrigar a reflectir profundamente sobre as causas que levaram a um tal estado de coisas. Uma delas é certamente o descurar, umas vezes por pusilanimidade e outras intencionalmente, as virtudes cívicas e patrióticas.
A insegurança, que nas grandes urbes aparece quase sempre associada aos grupos marginais e, nomeadamente, à toxicodependência, tem, tal como esse mesmo fenómeno, razões bem complexas. Em última análise, a droga deteriora, corrói ou destrói o nosso melhor recurso social – a juventude. As doutrinas sociais que nos governam, herdeiras da teoria do “bom selvagem” de Rousseau, tendem a auto-culpabilizar a Sociedade pela situação de marginalidade de muitos cidadãos que, voluntariamente, se degradam e afastam das regras mínimas da convivência em comunidade. Sob a capa de doentes[1], embora sem especificação definida, é gasta com eles uma soma importante dos recursos sociais, sem que se veja qualquer diminuição do consumo ou da criminalidade que ele engendra. Em compensação, doentes involuntariamente dependentes de fármacos para sobreviver, como os hemofílicos, os diabéticos, os que sofrem de esclerose múltipla, etc., são pouco mais que ignorados. Por incapacidade, conveniência judicial e policial do mal menor ou por pretensa piedade, toleram-se os toxicodependentes que todos os dias intimidam, agridem e maltratam sobretudo os mais novos e os mais velhos. Passa-se por cima desse factor de insegurança generalizado mas em compensação, talvez como manobra de diversão, lança-se o estigma sobre quem bebe álcool, independentemente do consumo, como se esse fosse o verdadeiro problema que socialmente nos afecta em termos de segurança. É obvio que a dependência do álcool foi, é e será sempre um grave problema e um importante factor de insegurança, sobretudo quando escondido no seio do lar, mas por mais areia que nos atirem para os olhos, as suas consequências não são comparáveis às da toxicodependência.
Para a maioria o conceito de Segurança implica um ambiente estável e relativamente previsível no qual um indivíduo ou um grupo possa prosseguir os seus objectivos sem medo de distúrbios ou agressões. As autoridades tendem a avaliar o nível de segurança pela análise dos dados obtidos através da participação efectiva dos crimes. Mas, na realidade a percepção do nível de Insegurança é muito mais importante para a definição das necessidades de segurança que a estatística do crime. Praticamente em todo o mundo, está-se a notar um aumento significativo na extensão e âmbito da criminalidade internacional desde os anos 90, ao mesmo tempo que os indicadores dão nota de uma ligeira descida na interna, nomeadamente nos segmentos da chamada baixa criminalidade. No entanto, o cidadão comum tem uma perspectiva diferente como o demonstram as inúmeras sondagens e inquéritos realizados. O que acontece, amiúde, é que, por falta de confiança no sistema judicial, as pessoas já não se dão ao trabalho de apresentar queixa, introduzindo assim, sem o quererem uma distorção nas estatísticas do crime.
Por outro lado as forças encarregadas da prevenção e repressão do crime encontram-se muitas vezes fragilizadas pela falta de orientação e apoio da própria tutela. A credibilidade das polícias é extremamente vulnerável à ausência de solidariedade das altas esferas políticas muitas vezes formadas por gente que não se consegue libertar da matriz ideológica dos anos 60, normalmente assente num substrato que oscila entre o marxismo pacifista e o socialismo mata-frades. Além disso, a complexidade e inovação das novas ameaças e riscos, bem como a sensação de perigo ou, pelo menos, de desconforto crescem de dia para dia, como uma bola de neve, amplificadas, eventualmente, pela tónica alarmista que alguns meios de comunicação social dão ao assunto. É, por isso, fundamental analisar e tentar perceber as razões profundas das percepções de medo e insegurança. É por demais evidente que o medo que as pessoas, em qualquer parte, têm do crime quer ele corresponda ou não à realidade dos factos, provoca uma alteração substancial nas suas actividades e formas de vida, com trágicas consequências para a coesão identitária colectiva.
José Luís Tavares de Andrade
[1] Será uma nova categoria de morbidade, a doença social? Se fossem considerados doentes mentais certamente haveria lugar a internamentos forçados. Em vez disso, com a desculpa de lhes diminuir o seu sofrimento e lhes aumentar a esperança de vida são gastas somas astronómicas em estruturas e medicamentos enquanto se deixa ao cuidado das famílias os encargos para as tentativas de recuperação. Não deixa de ser sintomático que as maiores taxas de recuperação de toxicodependentes se verifiquem em comunidades terapêuticas suportadas pela Igreja que são também aquelas que menos apoios estatais recebem.
Atomismo e Organicismo
ENSAIO / DUAS CONCEPÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO DA SOCIEDADE
Hoje em dia está muito espalhada a ideia de que à democracia se opõe a ditadura. Com efeito, parece lógico a muita gente que, se o poder não for exercido pela maioria, terá que ser exercido pela minoria. Quer dizer: para a maior parte das pessoas o poder baseia-se apenas no número. Será uma visão correcta?
Para respondermos a esta pergunta convém analisarmos primeiro as principais teorias sobre o desenvolvimento e a formação das sociedades humanas. Existem duas concepções fundamentais: a concepção atomística e a concepção organicista.
Segundo a primeira, uma sociedade não passa de um conjunto de pessoas isoladas em que o interesse individual coincide com o interesse colectivo. Essa concepção baseia-se na teoria do chamado Contrato Social que consiste em reconhecer que o indivíduo tem direitos naturais mas não deveres naturais. Segundo esta concepção o individuo só tem deveres, quando os aceita livremente; e o instrumento através do qual ele aceita os seus deveres seria o “Contrato”. Portanto, todas as relações estáveis entre membros da sociedade, toda a vinculação de um indivíduo e um grupo, resultariam do dito contrato. Por outras palavras, segundo o “atomismo”, os membros de qualquer sociedade humana juntam-se em função dos seus interesses. A conclusão que se tira da concepção atomística é a de que a formação das sociedades é um resultado da vontade humana, isto é, um acto racional. Negam-se assim as explicações naturalistas sobre a formação e o desenvolvimento das sociedades.
Segundo a concepção organicista e ao contrário da anterior, as sociedades humanas não são só formadas pela soma dos indivíduos que a constituem; isto porque, da associação de duas ou mais pessoas pode resultar um novo ser, distinto dos que o compõem. Ou seja, uma unidade nova, superior a simples soma das partes componentes, autónoma ou distinta perante outras unidades de convivência, uma espécie de “órgão” vivo e que, em termos sociais, se designa por “instituição”. O institucionalismo vê na formação espontânea das instituições a origem das sociedades.
Entende-se por instituição aquilo que é estabelecido pelos homens, ou seja, o casamento, a família, a associação, a fundação, o governo, o parlamento, etc. Segundo a teoria organicista a associação dos homens através das instituições é um facto natural que não depende originalmente da vontade humana. As instituições nascem, desenvolvem-se e desaparecem sob o impulso de forças que estão além da vontade humana. Visam objectivos superiores ao interesse particular dos seus membros enquanto o contrato visa apenas os interesses dos que o celebram.
Segundo a concepção que se adoptar, tomar-se-á uma atribuição diferente em relação à atitude do poder político. É lógico que a ideia de que se falou ao princípio (a da democracia se opor à ditadura) resulta de uma concepção atomística. Também o sistema eleitoral adoptado na Europa ocidental resulta de uma concepção atomística porque vê nos cidadãos isolados a base do poder. Como vemos, portanto, é muito importante verificarmos qual das duas concepções está certa. As sociedades têm origem natural ou resultam da vontade humana?
Esta pergunta está no âmbito da ciência, portanto devemos procurar saber o que dizem os cientistas. Sobre isso todos parecem de acordo em afirmar que a concepção organicista é a que está certa, ou seja, as sociedades têm origem natural. Com efeito, segundo as descobertas da Etologia, os homens têm tendência para se associarem formando hierarquias que resultam das suas funções nessas associações. Desmond Morris, por exemplo, diz: «Biologicamente falando, o homem tem a tarefa inata de defender três objectivos; ele próprio, a sua família e a sua tribo.» O que é que se pode concluir desta afirmação? Que a vinculação do homem à família e à tribo – exemplos de instituições naturais – têm origem biológica, portanto natural e não contratual.
Se aceitarmos a concepção orgânica de que o poder político não deve pertencer às maiorias ou às minorias, mas sim às instituições através de um sistema devidamente delas representativo é essa, precisamente, a conclusão que tiramos. Não deve estar concentrado no aparelho burocrático do Estado, mas deve ser repartido pelas diversas instituições, conforme a sua importância e o âmbito em que se inserem. Os próprios democratas reconhecem a razão desta afirmação ao darem uma grande importância aos sindicatos e associações patronais, os chamados “Parceiros Sociais”.
Mas nos regimes liberais, estas organizações não têm função que teriam num regime institucional porque limitam-se a servir para unir os seus associados contra o inimigo exterior, enquanto num regime institucional teriam a seu cargo a resolução dos problemas internos do sector a que dissessem respeito. É o caso, por exemplo, das profissões (salários, horário de trabalho, qualificações exigidas para o desempenho da profissão, etc.) e dos conflitos com as outras forças sociais, que não seriam resolvidos com situações extremas como o Lock-out e a greve nos regimes liberais e o desaparecimento das classes nos regimes socialistas, mas sim com a negociação entre as partes interessadas e a mediação do Estado. Além disso um sistema orgânico evita que os interesses das minorias sejam desprezados. Assim num país industrializado em que a maioria da população é constituída por operários se houvesse um regime institucional os agricultores não teriam problemas em serem minoritários porque eles próprios dirigiriam os seus assuntos. Num regime liberal, os operários é que teriam todo o poder por serem em maioria e seriam eles a decidir quem é que dirigia a agricultura. Quando um assunto é dirigido por pessoas que lhe são alheias, além de se estar numa situação injusta, o resultado não será, provavelmente, o melhor.
Qual será então a função do Estado? O Estado exercerá funções de carácter geral como a defesa interna e externa, a mediação nos conflitos entre as diversas associações e a coordenação das actividades das instituições. O órgão máximo do poder é uma assembleia onde estão representadas todas as instituições directa ou indirectamente, conforme a sua importância e a sua área de acção e que detém o poder legislativo. Assim, no plano administrativo, por exemplo, um conjunto de famílias constitui uma Junta de Freguesia, as Freguesias compõem um Concelho, os Concelhos formam os Municípios que deverão estar representados na assembleia legislativa.
Num regime institucional, cada pessoa é considerada não como “um entre muitos”, mas como um componente essencial de uma estrutura. Por isso, não há igualdade, cada um tem a sua importância adequada à sua actividade, enquanto que nos regimes liberais e marxistas a personalidade não conta, todos têm o mesmo poder (teoricamente, é claro…).
Em conclusão, para evitar a excessiva concentração de poder dos sistemas marxistas e liberais e a desordem dos sistemas anárquicos, propomos uma alternativa descentralizadora e humanista: uma estruturação verdadeiramente orgânica do poder político, adequada à natureza orgânica que essencialmente caracteriza a sociedade.
C. Bobone
Orientações
Quanto ao espírito, existe efectivamente algo que pode servir de orientação para as nossas forças de resistência, de levantamento e de restauração: é o espírito legionário. É a atitude de quem sabe escolher o caminho mais duro, de quem sabe combater, mesmo conhecendo que a batalha está materialmente perdida, de quem sabe reviver e revalidar as palavras da antiga saga: “A fidelidade é mais forte do que o fogo”, através das quais se afirma a ideia tradicional que é o sentido da honra e a vergonha da desonra – não de pequenas medidas tiradas de pequenos moralismos - ; eis o que cria uma diferença substancial, existencial entre os seres humanos, quase como entre uma raça e outra raça.
Por outro lado, há a realização própria daqueles em quem o que era um fim surge doravante como um meio, a admissão neles do carácter ilusório de múltiplos mitos, deixando intacto o que eles souberam atingir por si mesmos, nas fronteiras colhidas entre a vida e a morte, para além do mundo da contingência.
Estas formas do espírito podem ser as bases duma nova unidade. O essencial é assumi-las, aplicá-las e entendê-las do tempo de guerra ao tempo de paz que não passa de uma trégua e uma desordem mal contida, até que se determine uma discriminação de uma nova frente de batalha. Isto deve realizar-se em termos muito mais essenciais do que o de “partido” que só pode ser um instrumento contingente visando certas lutas políticas; em termos mais essenciais até do que de simples “movimento”, se por “movimento” entendermos, apenas, um fenómeno de massas e de agregação, num fenómeno mais quantitativo do que qualitativo, baseado mais em factores emotivos do que na severa e clara adesão a uma ideia. Do que se trata, em vez disso, é duma revolução silenciosa, de origem profunda, que devemos favorecer, para que sejam, primeiro, criadas no interior e em cada um as premissas de essa ordem que, depois, terá de afirmar-se também no exterior, suplantando, fulminantemente, no momento justo, as formas e as forças dum mundo em decadência e subversão. O “estilo” que deve imperar é o de quem se mantém sobre posições de fidelidade a si mesmo e a uma ideia, numa intensidade recolhida, numa repulsa por quaisquer proveitos e quaisquer compromissos, num total empenhamento que se deve manifestar não só na luta política, mas também em toda a expressão da existência: na oficina, na fábrica, no laboratório, na Universidade, nas ruas, na própria vida pessoal dos afectos e dos sentimentos. Temos de chegar a um ponto tal, que o tipo humano por nós requerido – seja reconhecido inconfundivelmente, diferenciado, e que dele se possa dizer: «Eis alguém que age como um homem do Movimento.”
Este mesmo lema – que foi o das forças que sonharam uma nova ordem para a Europa, mas que a sua realização foi muitas vezes entravada e desviada por múltiplos factores – precisa de ser retomado hoje. E hoje, no fundo, as condições são melhores, porque não existem equívocos e basta olhar à volta, desde a praça pública até ao Parlamento, para as vocações serem postas à prova e obter-se, claramente, a medida do que nós não devemos ser. Em face dum mundo apodrecido, cujo principio é “Procede como vires proceder” ou “Quem te obriga a fazer isso?” ou também “Primeiro o estômago, a pele, e depois a moral” ou ainda “Não estamos em tempo de uma pessoa dar-se ao luxo de ter carácter” ou, finalmente, “Tenho uma família a sustentar”, opomos nós esta norma de conduta, firme e clara: “Nós não podemos agir de outra maneira, este é o nosso caminho, esta é a nossa forma de ser.” Tudo quanto de positivo se puder obter hoje ou amanhã nunca se obterá mediante a habilidade dos agitadores e dos politiqueiros, mas sim através do natural prestígio e do reconhecimento ou verificação de homens, quer já maduros, quer, ainda mais, das gerações novas, desde que eles sejam capazes de tais coisas e desde que, nisso, apresentem uma garantia para a ideia.
Trata-se, pois, de uma nova substância que tem de surgir (em substituição da apodrecida e desviada, criada no clima de traição e da derrota), num avanço lento para além dos quadros, dos graus e das posições sociais do passado. Trata-se de uma figura nova que devemos ter perante os olhos, para poder medir a nossa própria força e a nossa própria vocação. Esta figura – é importante, fundamental, reconhecê-lo – nada tem a ver com as classes enquanto categorias económicas, nem com os antagonismos que lhe são relativos. Ela tanto se poderá manifestar no papel do rico como no do pobre, do operário como do aristocrata, do empreendedor, como do investigador, do técnico, do teólogo, do agricultor, do homem político no sentido estrito do termo. Mas esta nova substância terá uma diferenciação interior, a qual será perfeita quando, outra vez, não houver dúvidas acerca das vocações e das funções que temos de seguir e do sentido do mando, quando o restaurado símbolo da autoridade indiscutível reinar no centro das novas estruturas hierárquicas.
Isto assinala-nos uma direcção tanto anti-burguesa como anti-proletária, uma direcção totalmente limpa de contaminação democrática e das mentiras “sociais” e, por conseguinte, conduzindo a um mundo claro, viril, articulado, feito de homens e de condutores de homens. Desprezo pelo mito burguês da “segurança”, da mesquinha vida estandardizada, conformista, domesticada, rotineira e “moralizada”. Desprezo pelo vínculo anódino, próprio de todo o sistema colectivista e mecanicista, e por todas as ideologias que conferem aos confusos valores “sociais” a primazia sobre os valores heróicos e espirituais, por meio dos quais se deve definir, para nós, em todos os domínios, o tipo de homem verdadeiro, da pessoa absoluta. Algo de essencial será conseguido quando se despertar, novamente, o amor por um estilo de impessoalidade activa, no qual o que conta é a obra e não o individuo, pelo qual nos tornemos capazes de considerar que o importante não somos nós mesmos, mas pelo contrário, a função, a responsabilidade, a tarefa assumida, a finalidade procurada.
Julius Evola
(extracto da obra “Orientamenti”
Nota:
Quando Evola fala em espírito legionário, usa-o numa acepção realmente espiritual e referida à Roma ideal e exemplar que o autor propugnava. É o sentido imperial e, ao mesmo tempo, de dedicação, sacrifício, domínio de si mesmo, combatividade e fidelidade. E que tanto se pode encontrar em antigas legiões romanas, como na moderna Legião de S. Miguel Arcanjo romena, como nos indivíduos cercados pelo mundo contemporâneo.
Por outro lado, há a realização própria daqueles em quem o que era um fim surge doravante como um meio, a admissão neles do carácter ilusório de múltiplos mitos, deixando intacto o que eles souberam atingir por si mesmos, nas fronteiras colhidas entre a vida e a morte, para além do mundo da contingência.
Estas formas do espírito podem ser as bases duma nova unidade. O essencial é assumi-las, aplicá-las e entendê-las do tempo de guerra ao tempo de paz que não passa de uma trégua e uma desordem mal contida, até que se determine uma discriminação de uma nova frente de batalha. Isto deve realizar-se em termos muito mais essenciais do que o de “partido” que só pode ser um instrumento contingente visando certas lutas políticas; em termos mais essenciais até do que de simples “movimento”, se por “movimento” entendermos, apenas, um fenómeno de massas e de agregação, num fenómeno mais quantitativo do que qualitativo, baseado mais em factores emotivos do que na severa e clara adesão a uma ideia. Do que se trata, em vez disso, é duma revolução silenciosa, de origem profunda, que devemos favorecer, para que sejam, primeiro, criadas no interior e em cada um as premissas de essa ordem que, depois, terá de afirmar-se também no exterior, suplantando, fulminantemente, no momento justo, as formas e as forças dum mundo em decadência e subversão. O “estilo” que deve imperar é o de quem se mantém sobre posições de fidelidade a si mesmo e a uma ideia, numa intensidade recolhida, numa repulsa por quaisquer proveitos e quaisquer compromissos, num total empenhamento que se deve manifestar não só na luta política, mas também em toda a expressão da existência: na oficina, na fábrica, no laboratório, na Universidade, nas ruas, na própria vida pessoal dos afectos e dos sentimentos. Temos de chegar a um ponto tal, que o tipo humano por nós requerido – seja reconhecido inconfundivelmente, diferenciado, e que dele se possa dizer: «Eis alguém que age como um homem do Movimento.”
Este mesmo lema – que foi o das forças que sonharam uma nova ordem para a Europa, mas que a sua realização foi muitas vezes entravada e desviada por múltiplos factores – precisa de ser retomado hoje. E hoje, no fundo, as condições são melhores, porque não existem equívocos e basta olhar à volta, desde a praça pública até ao Parlamento, para as vocações serem postas à prova e obter-se, claramente, a medida do que nós não devemos ser. Em face dum mundo apodrecido, cujo principio é “Procede como vires proceder” ou “Quem te obriga a fazer isso?” ou também “Primeiro o estômago, a pele, e depois a moral” ou ainda “Não estamos em tempo de uma pessoa dar-se ao luxo de ter carácter” ou, finalmente, “Tenho uma família a sustentar”, opomos nós esta norma de conduta, firme e clara: “Nós não podemos agir de outra maneira, este é o nosso caminho, esta é a nossa forma de ser.” Tudo quanto de positivo se puder obter hoje ou amanhã nunca se obterá mediante a habilidade dos agitadores e dos politiqueiros, mas sim através do natural prestígio e do reconhecimento ou verificação de homens, quer já maduros, quer, ainda mais, das gerações novas, desde que eles sejam capazes de tais coisas e desde que, nisso, apresentem uma garantia para a ideia.
Trata-se, pois, de uma nova substância que tem de surgir (em substituição da apodrecida e desviada, criada no clima de traição e da derrota), num avanço lento para além dos quadros, dos graus e das posições sociais do passado. Trata-se de uma figura nova que devemos ter perante os olhos, para poder medir a nossa própria força e a nossa própria vocação. Esta figura – é importante, fundamental, reconhecê-lo – nada tem a ver com as classes enquanto categorias económicas, nem com os antagonismos que lhe são relativos. Ela tanto se poderá manifestar no papel do rico como no do pobre, do operário como do aristocrata, do empreendedor, como do investigador, do técnico, do teólogo, do agricultor, do homem político no sentido estrito do termo. Mas esta nova substância terá uma diferenciação interior, a qual será perfeita quando, outra vez, não houver dúvidas acerca das vocações e das funções que temos de seguir e do sentido do mando, quando o restaurado símbolo da autoridade indiscutível reinar no centro das novas estruturas hierárquicas.
Isto assinala-nos uma direcção tanto anti-burguesa como anti-proletária, uma direcção totalmente limpa de contaminação democrática e das mentiras “sociais” e, por conseguinte, conduzindo a um mundo claro, viril, articulado, feito de homens e de condutores de homens. Desprezo pelo mito burguês da “segurança”, da mesquinha vida estandardizada, conformista, domesticada, rotineira e “moralizada”. Desprezo pelo vínculo anódino, próprio de todo o sistema colectivista e mecanicista, e por todas as ideologias que conferem aos confusos valores “sociais” a primazia sobre os valores heróicos e espirituais, por meio dos quais se deve definir, para nós, em todos os domínios, o tipo de homem verdadeiro, da pessoa absoluta. Algo de essencial será conseguido quando se despertar, novamente, o amor por um estilo de impessoalidade activa, no qual o que conta é a obra e não o individuo, pelo qual nos tornemos capazes de considerar que o importante não somos nós mesmos, mas pelo contrário, a função, a responsabilidade, a tarefa assumida, a finalidade procurada.
Julius Evola
(extracto da obra “Orientamenti”
Nota:
Quando Evola fala em espírito legionário, usa-o numa acepção realmente espiritual e referida à Roma ideal e exemplar que o autor propugnava. É o sentido imperial e, ao mesmo tempo, de dedicação, sacrifício, domínio de si mesmo, combatividade e fidelidade. E que tanto se pode encontrar em antigas legiões romanas, como na moderna Legião de S. Miguel Arcanjo romena, como nos indivíduos cercados pelo mundo contemporâneo.
A Filosofia e o ensino do Direito
A Filosofia é a cabeça da Universidade; e é-o por natureza, sua e da Universidade.
Esta afirmação, tanto no que se refere à natureza da Filosofia como no referente à natureza da instituição universitária, foi sempre, e é, uma constante do pensamento português (dizemos «pensamento português» e não «pensamento acontecido em Portugal»).
Doloroso é verificar que, ao aceitarmos tal posição, somos forçados à conclusão de que temos uma Universidade sem cabeça. Considerando a sua evidente falta de pés, e o agigantado corpanzil, já se vê que estamos perante um curioso fenómeno teratológico. Não pensa, não anda, mas está. Segue-se então que, se não é verdadeira a afirmação de que não temos Universidade, visto que, não correspondendo embora ao conceito, ela está aí, já a primitiva asserção de que temos uma Universidade decapitada nos parece certíssima. Mas que aconteceu à Filosofia?
A Filosofia tem sofrido uma guerra, levada a cabo com armas e em terrenos que não são os seus, e, de reforma em reforma, tem sido de há duzentos anos para cá banida gradualmente da Universidade. Olhe-se a Universidade de Lisboa: hoje, a Filosofia está acantonada numa espécie de reserva, como um bicho em vias de extinção, um cursilho dependente da Faculdade de Letras. Nem sequer merece uma Faculdade.
Como foi possível que tal abandono se tenha concretizado, tendo a filosofia portuguesa defendido sempre, como postulado essencial, o primado da Filosofia? Sendo, de há muito, a «forma mentis» das elites nacionais conformada por moldes estrangeiros, a resposta tem que ser procurada aí; e só poderia ser dada em estudo extenso e profundo sobre o estrangeiramento progressivo dos centros vitais da Nação portuguesa, o domínio do pensamento estranho à Pátria nos mecanismos de decisão e nas instituições definidoras das mentalidades, da opinião e, em consequência, da acção.
A alma colectiva está doente (a aí reside a crise nacional) porque foi inquinada por um pensamento estranho, e isso forçosamente se reflectiu na instituição universitária, como se reflectiu nas instituições políticas e em tudo o que tem sido realização conjunta dos Portugueses.
Mas não era da Filosofia, nem da Pátria, nem sequer da Universidade em geral, que queríamos falar. A ambição era, mais modestamente, a de deixar um breve apontamento sobre as consequências gravíssimas que decorrem, ao que pensamos, do abandono da Filosofia nos estudos de Direito.
Passamos a expor.
O Direito, como qualquer outra ciência, tem um objecto. Sobre esse objecto trabalha e discorre. Mas, exactamente como qualquer das outras ciências, não pode ser objecto de si mesmo. Não pode portanto falar sobre si próprio. Interrogado sobre a essência, a natureza, os fins, os valores, as fronteiras do Direito, o Direito não nos pode responder. A delimitação de uma ciência é prévia a essa mesma ciência: investigar o que seja o Direito não é obra para o Direito, porque é tarefa da Filosofia. Tal dependência das ciências em relação à Filosofia radica na natureza desta, de domínio dos princípios. Uma ciência é um discurso sobre um objecto dado; visa o conhecimento da parcela da realidade que lhe está afectada. É assim um desenvolvimento prático, existencial, de uma ideia ou conceito que carece de ser definido anteriormente em sede própria. Sede essa que só pode ser o domínio dos princípios, que já vimos ser a Filosofia.
Mas, se responder à pergunta «o que é o Direito» não é tarefa do Direito, pode ser tarefa do jurista. Jurista que está então no campo da Filosofia do Direito, que é Filosofia e não Direito. Ora saber o que seja o Direito parece ser essencial a um jurista. De onde a necessidade de, no ensino do Direito, se fornecer a indispensável formação filosófica, ultrapassando a preocupação estreita de cingir as matérias ao campo exclusivamente técnico-jurídico.
Da mesma forma, parece conveniente à formação do jurista a aquisição de algumas noções que só uma reflexão acerca dos valores lhe pode dar. É que realmente o Direito é uma ordem normativa, mas não é só isso: tem que prosseguir valores, e tais valores informam o sistema normativo, sendo-lhe anteriores logicamente. Tanto assim é que, se assentarmos em valores determinados e, fiéis a eles, analisarmos um sistema legal que os contrarie, a conclusão que tiramos é seguramente a de que as leis estão contra o Direito. Até porque, e aqui recordamos o bom senso que caracterizava os juristas medievais, um torto nunca pode ser Direito.
Mas, se os valores são na verdade matéria imprescindível a considerar pelo jurista, os valores não podem ser objecto da ciência jurídica: são-o da Filosofia.
Concluímos, então que ninguém pode alcançar a compreensão do Direito sem o abordar filosoficamente. O Direito, como aliás as outras ciências ou artes, precisa de ser considerado filosoficamente, para que não se confunda e essencial com o acessório, o permanente com o acidente, o necessário com o arbitrário.
De tudo resulta a necessidade que apontamos, e reputamos urgente, de, no «curriculum» das nossas Faculdades de Direito, serem incluídas, ao menos, cadeiras de Introdução ao Direito, introdução não jurídica mas filosófica, com a missão propedêutica de conduzir o estudante à percepção global do universo jurídico fazendo-o contactar com os problemas fundamentais da sua essência e da sua existência, bem como autênticas cadeiras de Filosofia do Direito onde sejam desenvolvidas as questões eternas do Poder e do Estado, da Legitimidade e da Legalidade, da Segurança e da Justiça, da Ética e do Direito, e tantas outras que exprimem a força e a fraqueza, a desgraça e a glória da ciência jurídica.
Não alimentamos a ilusão de que estas ideias entrem em crânios atrofiados pelo positivismo; mas também não é a eles que a nossa prosa é dirigida. Quando proclamamos o que pensamos ser a verdade, temos sempre uma esperança, ainda que vaga, de que ela seja atendida; mesmo que a sintamos enredada na angústia de não sabermos por quem.
Todas as indicações disponíveis apontam para uma perspectiva desanimadora: o entendimento prevalecente é o contrário ao nosso, e provavelmente continuará a ser. Temos assim como certo que os estudos de Direito, à semelhança do que acontece com os outros cursos superiores, continuarão a ter planos orientados pela moderna lógica da especialização: o ideal é que cada pessoa saiba cada vez mais de cada vez menos. Portanto a tendência será para afastar quaisquer matérias periféricas, que ultrapassem o campo especificamente jurídico. Esse campo será ainda mais parcelado e na opção entre as parcelas postas à sua disposição se esgotará a liberdade de escolha dos alunos.
Estes sairão então das Faculdades cada vez mais «especializados»: quer dizer, cada vez com mais uma visão mais limitada do mundo que nos cerca. E sem a capacidade para alargar esses estreitos horizontes, porque a interrogação e a reflexão são o início da Filosofia, e o abandono desta, somado com a repressão a toda a atitude crítica, terão provocado nos espíritos o horror ao pensamento livre. Desta forma o que se ensinará nas Faculdades de Direito será apenas o que no Direito resta depois de afastado tudo o que o transcende (e que é o que lhe dá sentido). E, se afastarmos o que atrás temos temos referido, não há dúvida de que o que resta são as normas, e mais um conjunto de técnicas para as manejar. Um objecto e um instrumento: que bárbara amputação! Perdida a ideia que lhe é própria, a ciência arrasta-se numa existência abstracta e vazia, carecida de qualquer sentido.
Os indivíduos assim deformados serão talvez óptimos burocratas das leis, isentos da mania funesta de pensar, e aptos a servir quem o faça por eles, sem qualquer sobressalto crítico. Estará então concluído o processo trágico que leva, por confusões sucessivas, à identificação do Direito com as Leis, numa primeira fase, e das Leis com a Vontade do Poder, numa segunda fase. Não haverá então nem uma Ética a respeitar, nem valores a comandar as escolhas essenciais. Tudo isso será estranho a essa «consciência jurídica».
Teríamos assim que formalizar solenemente o diagnóstico que já hoje nos assalta o íntimo, e que, amargamente, sentimos o dever de aqui deixar: Incapacitados de inteligir as essências, impossibilitados de alcançar a teleologia das matérias em que se ocupam, as pessoas formadas pelas nossas Faculdades de Direito (e a grande maioria dos que por lá ensinam) são, cada vez mais, indivíduos que da sua ciência só conhecem um conjunto de técnicas. Nunca poderão dar o passo fundamental que separa o legista do jurista.
Abandonando a Filosofia, os homens de leis esquecem o Direito, os universitários descaracterizam a Universidade, como os povos perdem o que os tornou uma Pátria.
Só no regresso à Filosofia está o caminho do reencontro.
José Lúcio
Esta afirmação, tanto no que se refere à natureza da Filosofia como no referente à natureza da instituição universitária, foi sempre, e é, uma constante do pensamento português (dizemos «pensamento português» e não «pensamento acontecido em Portugal»).
Doloroso é verificar que, ao aceitarmos tal posição, somos forçados à conclusão de que temos uma Universidade sem cabeça. Considerando a sua evidente falta de pés, e o agigantado corpanzil, já se vê que estamos perante um curioso fenómeno teratológico. Não pensa, não anda, mas está. Segue-se então que, se não é verdadeira a afirmação de que não temos Universidade, visto que, não correspondendo embora ao conceito, ela está aí, já a primitiva asserção de que temos uma Universidade decapitada nos parece certíssima. Mas que aconteceu à Filosofia?
A Filosofia tem sofrido uma guerra, levada a cabo com armas e em terrenos que não são os seus, e, de reforma em reforma, tem sido de há duzentos anos para cá banida gradualmente da Universidade. Olhe-se a Universidade de Lisboa: hoje, a Filosofia está acantonada numa espécie de reserva, como um bicho em vias de extinção, um cursilho dependente da Faculdade de Letras. Nem sequer merece uma Faculdade.
Como foi possível que tal abandono se tenha concretizado, tendo a filosofia portuguesa defendido sempre, como postulado essencial, o primado da Filosofia? Sendo, de há muito, a «forma mentis» das elites nacionais conformada por moldes estrangeiros, a resposta tem que ser procurada aí; e só poderia ser dada em estudo extenso e profundo sobre o estrangeiramento progressivo dos centros vitais da Nação portuguesa, o domínio do pensamento estranho à Pátria nos mecanismos de decisão e nas instituições definidoras das mentalidades, da opinião e, em consequência, da acção.
A alma colectiva está doente (a aí reside a crise nacional) porque foi inquinada por um pensamento estranho, e isso forçosamente se reflectiu na instituição universitária, como se reflectiu nas instituições políticas e em tudo o que tem sido realização conjunta dos Portugueses.
Mas não era da Filosofia, nem da Pátria, nem sequer da Universidade em geral, que queríamos falar. A ambição era, mais modestamente, a de deixar um breve apontamento sobre as consequências gravíssimas que decorrem, ao que pensamos, do abandono da Filosofia nos estudos de Direito.
Passamos a expor.
O Direito, como qualquer outra ciência, tem um objecto. Sobre esse objecto trabalha e discorre. Mas, exactamente como qualquer das outras ciências, não pode ser objecto de si mesmo. Não pode portanto falar sobre si próprio. Interrogado sobre a essência, a natureza, os fins, os valores, as fronteiras do Direito, o Direito não nos pode responder. A delimitação de uma ciência é prévia a essa mesma ciência: investigar o que seja o Direito não é obra para o Direito, porque é tarefa da Filosofia. Tal dependência das ciências em relação à Filosofia radica na natureza desta, de domínio dos princípios. Uma ciência é um discurso sobre um objecto dado; visa o conhecimento da parcela da realidade que lhe está afectada. É assim um desenvolvimento prático, existencial, de uma ideia ou conceito que carece de ser definido anteriormente em sede própria. Sede essa que só pode ser o domínio dos princípios, que já vimos ser a Filosofia.
Mas, se responder à pergunta «o que é o Direito» não é tarefa do Direito, pode ser tarefa do jurista. Jurista que está então no campo da Filosofia do Direito, que é Filosofia e não Direito. Ora saber o que seja o Direito parece ser essencial a um jurista. De onde a necessidade de, no ensino do Direito, se fornecer a indispensável formação filosófica, ultrapassando a preocupação estreita de cingir as matérias ao campo exclusivamente técnico-jurídico.
Da mesma forma, parece conveniente à formação do jurista a aquisição de algumas noções que só uma reflexão acerca dos valores lhe pode dar. É que realmente o Direito é uma ordem normativa, mas não é só isso: tem que prosseguir valores, e tais valores informam o sistema normativo, sendo-lhe anteriores logicamente. Tanto assim é que, se assentarmos em valores determinados e, fiéis a eles, analisarmos um sistema legal que os contrarie, a conclusão que tiramos é seguramente a de que as leis estão contra o Direito. Até porque, e aqui recordamos o bom senso que caracterizava os juristas medievais, um torto nunca pode ser Direito.
Mas, se os valores são na verdade matéria imprescindível a considerar pelo jurista, os valores não podem ser objecto da ciência jurídica: são-o da Filosofia.
Concluímos, então que ninguém pode alcançar a compreensão do Direito sem o abordar filosoficamente. O Direito, como aliás as outras ciências ou artes, precisa de ser considerado filosoficamente, para que não se confunda e essencial com o acessório, o permanente com o acidente, o necessário com o arbitrário.
De tudo resulta a necessidade que apontamos, e reputamos urgente, de, no «curriculum» das nossas Faculdades de Direito, serem incluídas, ao menos, cadeiras de Introdução ao Direito, introdução não jurídica mas filosófica, com a missão propedêutica de conduzir o estudante à percepção global do universo jurídico fazendo-o contactar com os problemas fundamentais da sua essência e da sua existência, bem como autênticas cadeiras de Filosofia do Direito onde sejam desenvolvidas as questões eternas do Poder e do Estado, da Legitimidade e da Legalidade, da Segurança e da Justiça, da Ética e do Direito, e tantas outras que exprimem a força e a fraqueza, a desgraça e a glória da ciência jurídica.
Não alimentamos a ilusão de que estas ideias entrem em crânios atrofiados pelo positivismo; mas também não é a eles que a nossa prosa é dirigida. Quando proclamamos o que pensamos ser a verdade, temos sempre uma esperança, ainda que vaga, de que ela seja atendida; mesmo que a sintamos enredada na angústia de não sabermos por quem.
Todas as indicações disponíveis apontam para uma perspectiva desanimadora: o entendimento prevalecente é o contrário ao nosso, e provavelmente continuará a ser. Temos assim como certo que os estudos de Direito, à semelhança do que acontece com os outros cursos superiores, continuarão a ter planos orientados pela moderna lógica da especialização: o ideal é que cada pessoa saiba cada vez mais de cada vez menos. Portanto a tendência será para afastar quaisquer matérias periféricas, que ultrapassem o campo especificamente jurídico. Esse campo será ainda mais parcelado e na opção entre as parcelas postas à sua disposição se esgotará a liberdade de escolha dos alunos.
Estes sairão então das Faculdades cada vez mais «especializados»: quer dizer, cada vez com mais uma visão mais limitada do mundo que nos cerca. E sem a capacidade para alargar esses estreitos horizontes, porque a interrogação e a reflexão são o início da Filosofia, e o abandono desta, somado com a repressão a toda a atitude crítica, terão provocado nos espíritos o horror ao pensamento livre. Desta forma o que se ensinará nas Faculdades de Direito será apenas o que no Direito resta depois de afastado tudo o que o transcende (e que é o que lhe dá sentido). E, se afastarmos o que atrás temos temos referido, não há dúvida de que o que resta são as normas, e mais um conjunto de técnicas para as manejar. Um objecto e um instrumento: que bárbara amputação! Perdida a ideia que lhe é própria, a ciência arrasta-se numa existência abstracta e vazia, carecida de qualquer sentido.
Os indivíduos assim deformados serão talvez óptimos burocratas das leis, isentos da mania funesta de pensar, e aptos a servir quem o faça por eles, sem qualquer sobressalto crítico. Estará então concluído o processo trágico que leva, por confusões sucessivas, à identificação do Direito com as Leis, numa primeira fase, e das Leis com a Vontade do Poder, numa segunda fase. Não haverá então nem uma Ética a respeitar, nem valores a comandar as escolhas essenciais. Tudo isso será estranho a essa «consciência jurídica».
Teríamos assim que formalizar solenemente o diagnóstico que já hoje nos assalta o íntimo, e que, amargamente, sentimos o dever de aqui deixar: Incapacitados de inteligir as essências, impossibilitados de alcançar a teleologia das matérias em que se ocupam, as pessoas formadas pelas nossas Faculdades de Direito (e a grande maioria dos que por lá ensinam) são, cada vez mais, indivíduos que da sua ciência só conhecem um conjunto de técnicas. Nunca poderão dar o passo fundamental que separa o legista do jurista.
Abandonando a Filosofia, os homens de leis esquecem o Direito, os universitários descaracterizam a Universidade, como os povos perdem o que os tornou uma Pátria.
Só no regresso à Filosofia está o caminho do reencontro.
José Lúcio
O Destino das Nações
A forma de coexistência chamada Nação representa uma circunstância tão perfeita de viabilidade que todos os poderes políticos tendem a fazer convergir o seu povo para essa condição.
Professor Adriano Moreira
A fase mais característica do colapso de uma civilização é a fase penúltima da desagregação, identificável em muitas civilizações, tanto passadas como presentes, e a que Toynbee chama O ESTADO UNIVERSAL. Cada sociedade em declínio obtém um período de alívio quando se submete a uma poderosa unificação política ou Império Universal.
Vintilia Horia
Não se sabe bem quando nem como começou a generalizar-se a ideia, por vezes mais intuitiva que intelectiva, de que nos encontramos no fim de um ciclo histórico, no ocaso de uma civilização que já atingiu o zénite e se encontra pois na sua fase descendente. Não importa sequer alongarmo-nos no assunto, citando factos, apresentando argumentos, socorrendo-nos de opiniões de todo o género de pensadores; parece que, embora não se trate de um ponto assente ou de um dado adquirido visto que ainda que há muito e muitos (parecem apontar?) apontam em sentido contrário, se trata já de uma posição defensável, objectiva e científica, e sobretudo defendida. E porque já defendida não se concorrerá aqui as razões de muitos que, a despeito da diversidade das fontes e das vias escolhidas, convergem na mesma encruzilhada: a actual época histórica aproxima-se do seu termo. Aceitamos pois o seu contributo, tomemos essa sua conclusão como pressuposto e, a partir daqui, comecemos estas linhas.
A BIOLOGIA DAS CIVILIZAÇÕES
Um dos livros mais importantes deste século foi a célebre obra de Oswald Spengler A Decadência do Ocidente – Ensaio de uma morfologia da História do Mundo. Lá, o ensaísta e pesquisador alemão faz pela primeira vez uma análise das culturas como corpos, segundo uma perspectiva morfológica-histórica pelos quais aqueles nasceriam como qualquer ser vivo, debaixo das leis históricas mais ou menos válidas, mais ou menos vigorosas, em organismos, melhor ainda: organismos como culturas (no começo) e como civilizações (na segunda fase). Cada cultura possui pois a sua própria e especifica civilização, ou seja, a sua evolução a partir das formas mais profundas e criadoras do espírito, inclusas no conceito de cultura, até aos estádios mais esotéricos e artificiais a que pode ascender uma espécie humana superior, e que seriam as civilizações, ocasos das culturas. Neste momento, no auge da técnica encontrar-nos-íamos portanto, segundo Spengler, numa dessas fases finais, em um acaso do Ocidente.
Outro pensador, o historiador inglês Arnold Toynbee, aponta a actual fase da decadência do Ocidente como uma «fase antepenúltima» que designa por «tempos revoltos» os quais podem preencher vários séculos. A esse período suceder-se-á a etapa do império universal (cfr. Supra, a citação feita imediatamente ao título) ao que se seguirá um interregno que precederia o colapso final. Podemos aliás testar este esquema em relação a algumas culturas-civilizações históricas conhecidas: nomeadamente a Helénica (recorde-se a unificação imperial das cidades gregas após a guerra do Peloponeso, sob a bandeira de Esparta a que se seguiu a de Tebas, numa fase que precedeu um interregno a que se seguiu um colapso final) e a Romana (o período mais florescente do Império durante a dinastia dos Antoninos, quando o Império Romano conheceu a sua máxima extensão territorial) como exemplos e modelos mais conhecidos e identificáveis.
E o Ocidente actual? Parece sobretudo que pela primeira vez escasseiam as «alternativas», normalmente uma cultura-civilização acaba, no seu colapso, por ser subjugada, ou pelo menos substituída, por outra como «potência dirigente» de uma determinada esfera geográfica (na Antiguidade do «universo conhecido», ou do «mundo civilizado»). Ora actualmente, e como consequência do prodigioso desenvolvimento técnico científico, e sobretudo com o progresso das comunicações que, em termos civilizacionais, aboliram as distâncias, chegou-se a uma civilização planetária, à «aldeia global» de Marshall Mc Luhan. Então, depois de um eventual colapso desta civilização planetária o que se lhe sucederia? Parece de facto que não se vislumbram alternativas.
O QUE NOS ESPERA
Creio haver eventualmente cinco fórmulas no âmbito das quais poderão caber estes próximos séculos do nosso futuro. Em primeiro lugar, o Ocidente possui fundamentos e energias para empreender um novo começo, ou ciclo, que seria o Terceiro por hipótese. Em segundo lugar, este novo impulso assumirá dois aspectos: um, segundo a variante americana, outro segundo a variante russa, da mesma forma que na sua primeira fase o Ocidente se cindiu numa variante ocidental europeia e outra bizantina. É também possível que apenas uma destas variantes consiga subsistir. Em terceiro lugar o Mundo Ocidental poderá decompor-se a partir do interior, perecer no termo de uma conflagração de tipo atómico. Nessa hipótese salvar-se-iam apenas fragmentos da nossa civilização, nas suas extremidades hispano-americanas, australiana e japonesa. Em quarto lugar, poderia quiçá pensar-se na remota possibilidade de uma nova civilização brotar em qualquer ponto do planeta que um dia se voltasse contra o Ocidente e o aniquilasse. Finalmente, em quinto e último lugar, nenhuma razão existe para afastar a possibilidade de uma ossificação ocidental, semelhante às ossificações de que foram vítimas o Islão, a Índia e o antigo Egipto. São palavras escritas pelo historiador francês Jaques Soustelle. De todas estas hipóteses convenha-se que a primeira parece ser a única verdadeiramente digna de um passado fecundo e altivo, pressupondo-se que a segunda alternativa (que seria um pouco a continuação de um presente-actual, a confirmação dos últimos trinta anos, nos quais precisamente se incrementaram as opiniões e as teses que diagnosticavam a evidência cada vez maior do processo de decadência) não o seria verdadeiramente, mas apenas um intervalo, antes de suceder uma das três últimas. Soustelle foi pouco explícito acerca da concretização e dos pormenores da primeira alternativa.
A nós parece-nos que ela terá de ser sobretudo um regresso às potencialidades das especificidades e das idiossincrasias, e à exploração das suas qualidades, das suas múltiplas virtudes. A salvação do Ocidente está no regresso à diversidade.
Contra as actuais tendências de universalismo político, integracionismo económico, globalização dos problemas e das suas soluções (quando elas existem), máxime de governo mundial, contrapomos nós a ideia de aproveitamento da fertilidade das diferenças, das potencialidades das diversas componentes nacionais dessa gigantesca realidade multifacetada que foi (e é?) a Civilização Ocidental.
Não se pregue um isolacionismo reducionista, nem a destruição de pontes de intercâmbio sempre úteis; apenas se lembra que na procura exacerbada da unidade se perdem as virtualidades de cada um, as identidades que formam as faces do prisma geral, o qual indirecta mas consequentemente também perderá a identidade. Além de que, a planetarização da civilização actual restringe, ou elimina mesmo, as alternativas no caso de fracasso da única estrada deixada em aberto. Um coelho selvagem ou um furão quando constroem a sua toca não se limitam a dar-lhes uma saída, mas várias. As diversidades nacionais da Civilização Ocidental serão as suas saídas. Ou então não haverá saídas.
. A GRÃ-BRETANHA, santuário do liberalismo, a tenacidade, a teimosia, o isolamento insular, a capacidade de resistência, o sentido comercial, o snobismo, um certo estilo desportivo de coragem, Shakespeare ou Chesterton, Carlyle, Wilde, Shaw, Gibson, Kipling ou John Locke; e Palmerston, ou Gladstone, Drake, ou James Kook, Isabel I ou Cromwell, Ricardo Coração de Leão ou Winston Churchill, Montgomery, Allenby ou Welleslley.
. A FRANÇA, e a patente das grandes transformações revolucionárias e burguesas, jacobina ou imperial, pomposa e cortesã, exaltada e impulsiva, chauvinista, frívola e culta ou rude e individualista, Maurras e Hugo, Balzac e Zola, Drieu la Rochelle, Voltaire, Montesquieu e Proudhon, Malraux e Bernanos; a França maquiavélica de Luís XI, espampanante de Luís XIV, reaccionária de Carlos X, revolucionária de Robespierre, mística com Joana D’Arc, teatral com De Gaulle, heróica com Pétain em Verdum, com os pára-quedistas na Argélia e na Indochina. E tudo isto, mas em excesso, com Bonaparte a segurar a Bandeira tricolor.
. E a ALEMANHA, rígida e disciplinada, militarista e cortês, perseverante e universitária, guerreira e majestosa atrás da águia heráldica, Fichte e Kant, Rilke e Mann, Nietzshe e Junger, Hegel e Schmitt; e Frederico o Grande e Luddendorf, Bismark e Maximiliano da Baviera, Wallenstein e Hitler, Adenauer e Otão o Grande.
. E a ESPANHA, orgulhosa, extremista, excessiva, religiosa, austera e isolada, violenta e honrada, sempre um tudo-nada anacrónico. É Calderon de la Barca Velásquez, Goya, El Greco, Danoso Cortes, Unamuno, Cervantes; e Canovas, Carlos V, Fernando e Isabel, Pizarro e Elcano, Primo de Rivera e Franco.
. E a RÚSSIA, autocrática, desigual, terna e cruel, submissa e revoltada, imensa, cinzenta, resistente, inabalável, introvertida, imperialista; Ivan o Terrível e Alexandre Nevski, Pedro o Grande e Catarina, Nicolau I e Lenin, Estaline e Alexandre I Romanoff, que vergou Bonaparte. E Gorki, Tolstoy, Dostoiewski, Pasternak, Eisenstein e Gogol.
. E PORTUGAL, saudoso, insatisfeito, melancólico, poético, aventuroso, individualista, improvisador e leal, universalista e particular; é D. Diniz, Infante D. Henrique, Afonso de Albuquerque e Nun’Álvares, Pombal, Vasco da Gama, Fernão de Magalhães e Mouzinho, Salazar e D. Pedro V; e Camões, Bernardino, Nuno Gonçalves, Gil Vicente, Pessoa, Eça, Herculano, António Vieira e Pedro Hispano.
Seis Nações, seis culturas, seis civilizações em uma civilização global. Apenas seis, tiradas à sorte, arbitrariamente, numa imensidade. Os Estados Unidos (embora uma civilização recente), a Itália, a Áustria… E aproveitando as facilidades actuais de outras civilizações, a Índia, a China, a América Latina, a civilização Árabe, o Japão (despojado da chocante americanização de que foi vítima após 1945…)
CONCLUSÃO
É no aproveitamento desta riqueza incomensurável, que um pouco exaustivamente exemplificamos, que reside a alternativa. Não se pode alienar tudo isto por troca com projectos vagos e materialistas, reduzidos e utópicos, na mira de uma pretensa construção de um Estado Mundial, de um Estado Universal que ainda que possível, mais não seria (como vimos em análise de Toynbee) que uma fase episódica, o fulgor da morte, o esplendor fictício da penúltima fase de desagregação.
A civilização do Ocidente é uma civilização de Nações, sinóptica e una na diversidade. E é no retorno à sua natureza própria, e só nela, que o Ocidente poderá sobreviver.
José António Carvalho
Professor Adriano Moreira
A fase mais característica do colapso de uma civilização é a fase penúltima da desagregação, identificável em muitas civilizações, tanto passadas como presentes, e a que Toynbee chama O ESTADO UNIVERSAL. Cada sociedade em declínio obtém um período de alívio quando se submete a uma poderosa unificação política ou Império Universal.
Vintilia Horia
Não se sabe bem quando nem como começou a generalizar-se a ideia, por vezes mais intuitiva que intelectiva, de que nos encontramos no fim de um ciclo histórico, no ocaso de uma civilização que já atingiu o zénite e se encontra pois na sua fase descendente. Não importa sequer alongarmo-nos no assunto, citando factos, apresentando argumentos, socorrendo-nos de opiniões de todo o género de pensadores; parece que, embora não se trate de um ponto assente ou de um dado adquirido visto que ainda que há muito e muitos (parecem apontar?) apontam em sentido contrário, se trata já de uma posição defensável, objectiva e científica, e sobretudo defendida. E porque já defendida não se concorrerá aqui as razões de muitos que, a despeito da diversidade das fontes e das vias escolhidas, convergem na mesma encruzilhada: a actual época histórica aproxima-se do seu termo. Aceitamos pois o seu contributo, tomemos essa sua conclusão como pressuposto e, a partir daqui, comecemos estas linhas.
A BIOLOGIA DAS CIVILIZAÇÕES
Um dos livros mais importantes deste século foi a célebre obra de Oswald Spengler A Decadência do Ocidente – Ensaio de uma morfologia da História do Mundo. Lá, o ensaísta e pesquisador alemão faz pela primeira vez uma análise das culturas como corpos, segundo uma perspectiva morfológica-histórica pelos quais aqueles nasceriam como qualquer ser vivo, debaixo das leis históricas mais ou menos válidas, mais ou menos vigorosas, em organismos, melhor ainda: organismos como culturas (no começo) e como civilizações (na segunda fase). Cada cultura possui pois a sua própria e especifica civilização, ou seja, a sua evolução a partir das formas mais profundas e criadoras do espírito, inclusas no conceito de cultura, até aos estádios mais esotéricos e artificiais a que pode ascender uma espécie humana superior, e que seriam as civilizações, ocasos das culturas. Neste momento, no auge da técnica encontrar-nos-íamos portanto, segundo Spengler, numa dessas fases finais, em um acaso do Ocidente.
Outro pensador, o historiador inglês Arnold Toynbee, aponta a actual fase da decadência do Ocidente como uma «fase antepenúltima» que designa por «tempos revoltos» os quais podem preencher vários séculos. A esse período suceder-se-á a etapa do império universal (cfr. Supra, a citação feita imediatamente ao título) ao que se seguirá um interregno que precederia o colapso final. Podemos aliás testar este esquema em relação a algumas culturas-civilizações históricas conhecidas: nomeadamente a Helénica (recorde-se a unificação imperial das cidades gregas após a guerra do Peloponeso, sob a bandeira de Esparta a que se seguiu a de Tebas, numa fase que precedeu um interregno a que se seguiu um colapso final) e a Romana (o período mais florescente do Império durante a dinastia dos Antoninos, quando o Império Romano conheceu a sua máxima extensão territorial) como exemplos e modelos mais conhecidos e identificáveis.
E o Ocidente actual? Parece sobretudo que pela primeira vez escasseiam as «alternativas», normalmente uma cultura-civilização acaba, no seu colapso, por ser subjugada, ou pelo menos substituída, por outra como «potência dirigente» de uma determinada esfera geográfica (na Antiguidade do «universo conhecido», ou do «mundo civilizado»). Ora actualmente, e como consequência do prodigioso desenvolvimento técnico científico, e sobretudo com o progresso das comunicações que, em termos civilizacionais, aboliram as distâncias, chegou-se a uma civilização planetária, à «aldeia global» de Marshall Mc Luhan. Então, depois de um eventual colapso desta civilização planetária o que se lhe sucederia? Parece de facto que não se vislumbram alternativas.
O QUE NOS ESPERA
Creio haver eventualmente cinco fórmulas no âmbito das quais poderão caber estes próximos séculos do nosso futuro. Em primeiro lugar, o Ocidente possui fundamentos e energias para empreender um novo começo, ou ciclo, que seria o Terceiro por hipótese. Em segundo lugar, este novo impulso assumirá dois aspectos: um, segundo a variante americana, outro segundo a variante russa, da mesma forma que na sua primeira fase o Ocidente se cindiu numa variante ocidental europeia e outra bizantina. É também possível que apenas uma destas variantes consiga subsistir. Em terceiro lugar o Mundo Ocidental poderá decompor-se a partir do interior, perecer no termo de uma conflagração de tipo atómico. Nessa hipótese salvar-se-iam apenas fragmentos da nossa civilização, nas suas extremidades hispano-americanas, australiana e japonesa. Em quarto lugar, poderia quiçá pensar-se na remota possibilidade de uma nova civilização brotar em qualquer ponto do planeta que um dia se voltasse contra o Ocidente e o aniquilasse. Finalmente, em quinto e último lugar, nenhuma razão existe para afastar a possibilidade de uma ossificação ocidental, semelhante às ossificações de que foram vítimas o Islão, a Índia e o antigo Egipto. São palavras escritas pelo historiador francês Jaques Soustelle. De todas estas hipóteses convenha-se que a primeira parece ser a única verdadeiramente digna de um passado fecundo e altivo, pressupondo-se que a segunda alternativa (que seria um pouco a continuação de um presente-actual, a confirmação dos últimos trinta anos, nos quais precisamente se incrementaram as opiniões e as teses que diagnosticavam a evidência cada vez maior do processo de decadência) não o seria verdadeiramente, mas apenas um intervalo, antes de suceder uma das três últimas. Soustelle foi pouco explícito acerca da concretização e dos pormenores da primeira alternativa.
A nós parece-nos que ela terá de ser sobretudo um regresso às potencialidades das especificidades e das idiossincrasias, e à exploração das suas qualidades, das suas múltiplas virtudes. A salvação do Ocidente está no regresso à diversidade.
Contra as actuais tendências de universalismo político, integracionismo económico, globalização dos problemas e das suas soluções (quando elas existem), máxime de governo mundial, contrapomos nós a ideia de aproveitamento da fertilidade das diferenças, das potencialidades das diversas componentes nacionais dessa gigantesca realidade multifacetada que foi (e é?) a Civilização Ocidental.
Não se pregue um isolacionismo reducionista, nem a destruição de pontes de intercâmbio sempre úteis; apenas se lembra que na procura exacerbada da unidade se perdem as virtualidades de cada um, as identidades que formam as faces do prisma geral, o qual indirecta mas consequentemente também perderá a identidade. Além de que, a planetarização da civilização actual restringe, ou elimina mesmo, as alternativas no caso de fracasso da única estrada deixada em aberto. Um coelho selvagem ou um furão quando constroem a sua toca não se limitam a dar-lhes uma saída, mas várias. As diversidades nacionais da Civilização Ocidental serão as suas saídas. Ou então não haverá saídas.
. A GRÃ-BRETANHA, santuário do liberalismo, a tenacidade, a teimosia, o isolamento insular, a capacidade de resistência, o sentido comercial, o snobismo, um certo estilo desportivo de coragem, Shakespeare ou Chesterton, Carlyle, Wilde, Shaw, Gibson, Kipling ou John Locke; e Palmerston, ou Gladstone, Drake, ou James Kook, Isabel I ou Cromwell, Ricardo Coração de Leão ou Winston Churchill, Montgomery, Allenby ou Welleslley.
. A FRANÇA, e a patente das grandes transformações revolucionárias e burguesas, jacobina ou imperial, pomposa e cortesã, exaltada e impulsiva, chauvinista, frívola e culta ou rude e individualista, Maurras e Hugo, Balzac e Zola, Drieu la Rochelle, Voltaire, Montesquieu e Proudhon, Malraux e Bernanos; a França maquiavélica de Luís XI, espampanante de Luís XIV, reaccionária de Carlos X, revolucionária de Robespierre, mística com Joana D’Arc, teatral com De Gaulle, heróica com Pétain em Verdum, com os pára-quedistas na Argélia e na Indochina. E tudo isto, mas em excesso, com Bonaparte a segurar a Bandeira tricolor.
. E a ALEMANHA, rígida e disciplinada, militarista e cortês, perseverante e universitária, guerreira e majestosa atrás da águia heráldica, Fichte e Kant, Rilke e Mann, Nietzshe e Junger, Hegel e Schmitt; e Frederico o Grande e Luddendorf, Bismark e Maximiliano da Baviera, Wallenstein e Hitler, Adenauer e Otão o Grande.
. E a ESPANHA, orgulhosa, extremista, excessiva, religiosa, austera e isolada, violenta e honrada, sempre um tudo-nada anacrónico. É Calderon de la Barca Velásquez, Goya, El Greco, Danoso Cortes, Unamuno, Cervantes; e Canovas, Carlos V, Fernando e Isabel, Pizarro e Elcano, Primo de Rivera e Franco.
. E a RÚSSIA, autocrática, desigual, terna e cruel, submissa e revoltada, imensa, cinzenta, resistente, inabalável, introvertida, imperialista; Ivan o Terrível e Alexandre Nevski, Pedro o Grande e Catarina, Nicolau I e Lenin, Estaline e Alexandre I Romanoff, que vergou Bonaparte. E Gorki, Tolstoy, Dostoiewski, Pasternak, Eisenstein e Gogol.
. E PORTUGAL, saudoso, insatisfeito, melancólico, poético, aventuroso, individualista, improvisador e leal, universalista e particular; é D. Diniz, Infante D. Henrique, Afonso de Albuquerque e Nun’Álvares, Pombal, Vasco da Gama, Fernão de Magalhães e Mouzinho, Salazar e D. Pedro V; e Camões, Bernardino, Nuno Gonçalves, Gil Vicente, Pessoa, Eça, Herculano, António Vieira e Pedro Hispano.
Seis Nações, seis culturas, seis civilizações em uma civilização global. Apenas seis, tiradas à sorte, arbitrariamente, numa imensidade. Os Estados Unidos (embora uma civilização recente), a Itália, a Áustria… E aproveitando as facilidades actuais de outras civilizações, a Índia, a China, a América Latina, a civilização Árabe, o Japão (despojado da chocante americanização de que foi vítima após 1945…)
CONCLUSÃO
É no aproveitamento desta riqueza incomensurável, que um pouco exaustivamente exemplificamos, que reside a alternativa. Não se pode alienar tudo isto por troca com projectos vagos e materialistas, reduzidos e utópicos, na mira de uma pretensa construção de um Estado Mundial, de um Estado Universal que ainda que possível, mais não seria (como vimos em análise de Toynbee) que uma fase episódica, o fulgor da morte, o esplendor fictício da penúltima fase de desagregação.
A civilização do Ocidente é uma civilização de Nações, sinóptica e una na diversidade. E é no retorno à sua natureza própria, e só nela, que o Ocidente poderá sobreviver.
José António Carvalho
sábado, 18 de Outubro de 2008
Uma das causas para o crescimento da criminalidade violenta em Portugal
Roubos…assaltos à mão armada…homicídios… São estas as notícias que nos tempos mais recentes abrem, todos os dias, os telejornais e outros meios da comunicação social em Portugal. São já rotina entre os portugueses.
O crescendo da criminalidade mais violenta a que todos nós vimos a assistir em Portugal, impunemente e impotentemente, na maior parte dos casos, há muito tempo que era um mal esperado. Toda esta miséria social, mais tarde ou mais cedo, viria a irromper neste país de “brandos costumes”.
Vivemos, hoje, num mundo (dito moderno e desagregador) onde impera uma anárquica globalização (e em que a recente crise financeira mundial é um dos seus elementos mais actuais), em que os valores morais e mais tradicionais sofrem uma erosão cada dia que passa mais acentuada e também onde os políticos marxistas e demo-liberais dão claras mostras da sua habitual natureza ideológica, herdeira directa dos princípios mistificadores de Rousseau, Karl Marx, Engels, Freud e Levy Strauss, aqueles que com toda a propriedade podem ser considerados os “Founding Fathers” do pensamento político do «oitocentismo»[i], que ao contrário do que cabalmente prova a Etologia[ii] e os seus investigadores mais notáveis, como Konrad Lorenz (discípulo de Oscar Heinroth), Robert Ardrey, Eibl Eibesfeldt, Niko Tinbergen, Desmond Morris, von Frisch, Kummer, Lawick-Goodall, Carpenter, só para citar aqui os principais, defendem, erradamente, que o Homem mais não é que o “bom selvagem”, que depois é alterado pela sociedade. Daí os marxistas e os demo-liberais, encontrarem não na imputação pessoal dos indivíduos, mas nos “defeitos da sociedade” o mal que desvia o Homem, por exemplo e entre outras coisas, para a senda do crime, desresponsabilizando-o e, da forma mais imbecil e reducionista, culpando, no fundo, a sociedade em geral pelos actos mais ignóbeis e reprováveis que os delinquentes cometem. É, deste modo, propagado o mito (estúpido e criminoso) que os facínoras são cidadãos que por natureza são bons, mas que tiveram a “infelicidade” de terem sido “deformados” pela sociedade. Daí a sociedade ser permanentemente estimulada (manipulada) pelas doutrinas e pelos políticos marxistas e demo-liberais, infiltrados nas universidades, nos governos que plutocraticamente conquistam, nos meios da comunicação social que controlam (no caso português o Canal 2 da RTP, “O Público” e o “Expresso”, aqui referidos como os principais exemplos a apontar) e nas diversas sociedades secretas em que estão organizados, que [a sociedade] tem a sua quota-parte na culpa dos crimes que tais patifes cometem. Tudo isso, dizem, pela natureza “corruptora” da sociedade sobre tais indivíduos, sempre considerados os “bons selvagens”. Assim, quando a sociedade sofre na sua carne os desmandos nefastos dos criminosos, os marxistas e os demo-liberais, dizem: «São os ossos do ofício.»
É precisamente nesta perspectiva que não nos deve espantar que essa gente, marxista e demo-liberal, rodeiem sempre os criminosos das maiores solicitudes, apelando sempre a que os ditos criminosos (para eles sempre indivíduos, na sua visão estúpida e romântica, como os “bons selvagens”) devam estar sempre sujeitos aos sacrossantos e invioláveis direitos humanos e a todas as restantes mordomias judiciais. Por isso eles fomentam leis que escandalosamente colocam os meliantes na rua quando as forças da Ordem e da Segurança Pública os prendem (veja-se o caso em que os criminosos violentos são mandados em paz para casa com o chamado termo de identidade e residência, mesmo havendo óbvio perigo de fuga quando são estrangeiros).
Pelo contrário, as vítimas dessa canalha criminosa, são remetidas para o mais abjecto e deliberado esquecimento. São completamente desprezadas apesar dos seus sofrimentos e agressões de que foram alvo, quer moralmente quer fisicamente. Uma autêntica vergonha! Uma vergonha que os políticos marxistas e demo-liberais não têm vergonha absolutamente nenhuma. Nem vergonha nem consciência.
Perante este sombrio quadro de criminalidade e da ausência de uma enérgica política na sua repressão, os criminosos, em muitíssimos casos já organizados internacionalmente e já detentores de elevados meios de sofisticação operacional, e cujas carteiras recheadas de dinheiro tudo podem comprar, avançam sem medo, confiantes, sabendo que o seu “investimento” é de riscos quase mínimos e em que os políticos marxistas e demo-liberais são seus aliados (objectivos), tal pelas leis inteiramente permissivas e iníquas que legislam a seu favor, ou seja, dos criminosos. Portugal é hoje, inclusive, uma autêntica plataforma e paraíso para o crime internacionalmente organizado. Portugal já faz parte do seu roteiro de passagem e de permanência.
O caso em Portugal já vem assumindo proporções de tal forma perigosas e alarmantes, que o (ainda) ministro da Administração Interna, o senhor Rui Pereira (pessoa absolutamente inapta para o cargo e a quem recentemente toda esta situação aqui referida fez chegar o “fogo ao rabo”), foi forçado a pedir uma alteração à lei, isso no que concerne ao designado assalto à mão armada. Vamos lá ver se essa medida vai chegar dado o estado a que chegou hoje o crime em Portugal. Temo, com toda a razão e justificada apreensão, que tais medidas, completamente avulsas de outras de carácter mais abrangente, venham a ser inteiramente ineficazes no combate ao crime organizado. Crime esse que actualmente é um fenómeno com contornos novos daqueles que apresentava no passado e, por isso, deveras mais complexo, exigindo acções contra o dito mais globais e, paralelamente, com um tipo de resposta que seja descomplexado e mais duro; com uma punição que faça desde logo sentir a todos os criminosos que o seu comportamento não ficará impune e que os seus actos criminosos efectivamente não compensam. Tudo isto antes que seja tarde de mais. Ou será que terão que ser os cidadãos cumpridores das leis que terão que se auto-defender, prover e encontrar, dessa forma, alternativas mais justas e convincentes que garantam a sua defesa pessoal e dos seus haveres, visto que o Estado português, que tem essa obrigação e dever, se demite, como tudo o demonstra, dando frequentes sinais de ser incapaz ou não querer defender cabalmente a Lei e a Ordem, dando assim azo a que o nosso povo, que na altura devida não esquecerá que é a Nação organizada, a tomar nas suas mãos o combate contra todos os bandidos que o assaltam e o maltratam? Se calhar é isso mesmo que irá acontecer, por um destes dias, caso esta situação se arraste ou agrave?
Uma das outras coisas que iremos assistir daqui para a frente e pela parte do governo socialista de José Sócrates que temos e que iremos, tudo o aponta, continuar a ter, é à manipulação mais descarada e relativa aos índices de criminalidade e à instrumentalização e à pressão sobre os media no sentido de estes começarem a minimizar o assunto da criminalidade, tudo isso também com os habituais analistas e comentadores políticos a soldo dos partidos do balancé do poder a emitirem pareceres sobre o problema cada vez mais rebuscados e recheados de explicações de índole sociológica, da linha rousseauneana, naturalmente. Tentando, dessa forma, mitigar a existência e o crescendo exponencial do crime violento organizado em Portugal. Um fenómeno que não é transitório, como muitos possam julgar, antes é um fenómeno que chegou a Portugal para se fixar por longo prazo. O tempo que durar este regime demo-liberal que desgraçadamente temos em Portugal. Disso não haja tolas ilusões.
Naturalmente que existem outros motivos para o incremento do crime violento em Portugal e que especialmente não são referidos aqui, como, por exemplo, a toxicodependência, a exclusão social, a existência dos chamados bairros socialmente problemáticos, hoje, muitos deles, transformados em autênticos e perigosos guetos de populações africanas, que pelo seu número e situação social em que se encontram dificilmente são integráveis na sociedade portuguesa e, também, numa permissiva política de imigração caótica que consente no território nacional (uma espécie de “caixote do lixo” da Europa) a existência de milhares de imigrantes clandestinos, parte significativa dos quais se dedica a toda a espécie de crimes e ilicitudes. Em todo o caso, porém, tudo o que acabo de dizer nas linhas acima, acontece porque indiscutivelmente toda a esquerda marxista e os demo-liberais têm sobre as questões que acabam de ser referidas uma postura política e social que se pode qualificar de puramente laxista e situada exclusivamente numa abordagem “politicamente correcta”[iii] que não só não resolve os problemas como os ampliam a cada hora e dia que passa. Como todos estamos a constatar e a sentir na nossa pele.
SANTOS SILVA
[i] Sobre o «oitocentismo», sairá, brevemente, um texto de Carlos Cardoso intitulado “O «oitocentismo» em Decomposição”.
[ii] A Etologia, segundo o professor austríaco Konrad Lorenz, é uma disciplina cientifica que «considera o comportamento animal e o comportamento do homem em função de um sistema que deve a sua existência e a sua configuração particular a um devir histórico, que se realiza na história filogenética, na evolução do individuo e, quanto ao homem, na história da cultura».
[iii] Durante as recentes grandes “rusgas” efectuadas pela PSP e pela GNR a determinados bairros problemáticos da região de Lisboa (Cova da Moura e da Fonte, entre outros), logo foram estas operações securitárias asperamente criticadas pela esquerda e pelos demo-liberais que consideraram que isso representou uma acção meramente “discriminatória” sobre locais habitados por africanos.
O crescendo da criminalidade mais violenta a que todos nós vimos a assistir em Portugal, impunemente e impotentemente, na maior parte dos casos, há muito tempo que era um mal esperado. Toda esta miséria social, mais tarde ou mais cedo, viria a irromper neste país de “brandos costumes”.
Vivemos, hoje, num mundo (dito moderno e desagregador) onde impera uma anárquica globalização (e em que a recente crise financeira mundial é um dos seus elementos mais actuais), em que os valores morais e mais tradicionais sofrem uma erosão cada dia que passa mais acentuada e também onde os políticos marxistas e demo-liberais dão claras mostras da sua habitual natureza ideológica, herdeira directa dos princípios mistificadores de Rousseau, Karl Marx, Engels, Freud e Levy Strauss, aqueles que com toda a propriedade podem ser considerados os “Founding Fathers” do pensamento político do «oitocentismo»[i], que ao contrário do que cabalmente prova a Etologia[ii] e os seus investigadores mais notáveis, como Konrad Lorenz (discípulo de Oscar Heinroth), Robert Ardrey, Eibl Eibesfeldt, Niko Tinbergen, Desmond Morris, von Frisch, Kummer, Lawick-Goodall, Carpenter, só para citar aqui os principais, defendem, erradamente, que o Homem mais não é que o “bom selvagem”, que depois é alterado pela sociedade. Daí os marxistas e os demo-liberais, encontrarem não na imputação pessoal dos indivíduos, mas nos “defeitos da sociedade” o mal que desvia o Homem, por exemplo e entre outras coisas, para a senda do crime, desresponsabilizando-o e, da forma mais imbecil e reducionista, culpando, no fundo, a sociedade em geral pelos actos mais ignóbeis e reprováveis que os delinquentes cometem. É, deste modo, propagado o mito (estúpido e criminoso) que os facínoras são cidadãos que por natureza são bons, mas que tiveram a “infelicidade” de terem sido “deformados” pela sociedade. Daí a sociedade ser permanentemente estimulada (manipulada) pelas doutrinas e pelos políticos marxistas e demo-liberais, infiltrados nas universidades, nos governos que plutocraticamente conquistam, nos meios da comunicação social que controlam (no caso português o Canal 2 da RTP, “O Público” e o “Expresso”, aqui referidos como os principais exemplos a apontar) e nas diversas sociedades secretas em que estão organizados, que [a sociedade] tem a sua quota-parte na culpa dos crimes que tais patifes cometem. Tudo isso, dizem, pela natureza “corruptora” da sociedade sobre tais indivíduos, sempre considerados os “bons selvagens”. Assim, quando a sociedade sofre na sua carne os desmandos nefastos dos criminosos, os marxistas e os demo-liberais, dizem: «São os ossos do ofício.»
É precisamente nesta perspectiva que não nos deve espantar que essa gente, marxista e demo-liberal, rodeiem sempre os criminosos das maiores solicitudes, apelando sempre a que os ditos criminosos (para eles sempre indivíduos, na sua visão estúpida e romântica, como os “bons selvagens”) devam estar sempre sujeitos aos sacrossantos e invioláveis direitos humanos e a todas as restantes mordomias judiciais. Por isso eles fomentam leis que escandalosamente colocam os meliantes na rua quando as forças da Ordem e da Segurança Pública os prendem (veja-se o caso em que os criminosos violentos são mandados em paz para casa com o chamado termo de identidade e residência, mesmo havendo óbvio perigo de fuga quando são estrangeiros).
Pelo contrário, as vítimas dessa canalha criminosa, são remetidas para o mais abjecto e deliberado esquecimento. São completamente desprezadas apesar dos seus sofrimentos e agressões de que foram alvo, quer moralmente quer fisicamente. Uma autêntica vergonha! Uma vergonha que os políticos marxistas e demo-liberais não têm vergonha absolutamente nenhuma. Nem vergonha nem consciência.
Perante este sombrio quadro de criminalidade e da ausência de uma enérgica política na sua repressão, os criminosos, em muitíssimos casos já organizados internacionalmente e já detentores de elevados meios de sofisticação operacional, e cujas carteiras recheadas de dinheiro tudo podem comprar, avançam sem medo, confiantes, sabendo que o seu “investimento” é de riscos quase mínimos e em que os políticos marxistas e demo-liberais são seus aliados (objectivos), tal pelas leis inteiramente permissivas e iníquas que legislam a seu favor, ou seja, dos criminosos. Portugal é hoje, inclusive, uma autêntica plataforma e paraíso para o crime internacionalmente organizado. Portugal já faz parte do seu roteiro de passagem e de permanência.
O caso em Portugal já vem assumindo proporções de tal forma perigosas e alarmantes, que o (ainda) ministro da Administração Interna, o senhor Rui Pereira (pessoa absolutamente inapta para o cargo e a quem recentemente toda esta situação aqui referida fez chegar o “fogo ao rabo”), foi forçado a pedir uma alteração à lei, isso no que concerne ao designado assalto à mão armada. Vamos lá ver se essa medida vai chegar dado o estado a que chegou hoje o crime em Portugal. Temo, com toda a razão e justificada apreensão, que tais medidas, completamente avulsas de outras de carácter mais abrangente, venham a ser inteiramente ineficazes no combate ao crime organizado. Crime esse que actualmente é um fenómeno com contornos novos daqueles que apresentava no passado e, por isso, deveras mais complexo, exigindo acções contra o dito mais globais e, paralelamente, com um tipo de resposta que seja descomplexado e mais duro; com uma punição que faça desde logo sentir a todos os criminosos que o seu comportamento não ficará impune e que os seus actos criminosos efectivamente não compensam. Tudo isto antes que seja tarde de mais. Ou será que terão que ser os cidadãos cumpridores das leis que terão que se auto-defender, prover e encontrar, dessa forma, alternativas mais justas e convincentes que garantam a sua defesa pessoal e dos seus haveres, visto que o Estado português, que tem essa obrigação e dever, se demite, como tudo o demonstra, dando frequentes sinais de ser incapaz ou não querer defender cabalmente a Lei e a Ordem, dando assim azo a que o nosso povo, que na altura devida não esquecerá que é a Nação organizada, a tomar nas suas mãos o combate contra todos os bandidos que o assaltam e o maltratam? Se calhar é isso mesmo que irá acontecer, por um destes dias, caso esta situação se arraste ou agrave?
Uma das outras coisas que iremos assistir daqui para a frente e pela parte do governo socialista de José Sócrates que temos e que iremos, tudo o aponta, continuar a ter, é à manipulação mais descarada e relativa aos índices de criminalidade e à instrumentalização e à pressão sobre os media no sentido de estes começarem a minimizar o assunto da criminalidade, tudo isso também com os habituais analistas e comentadores políticos a soldo dos partidos do balancé do poder a emitirem pareceres sobre o problema cada vez mais rebuscados e recheados de explicações de índole sociológica, da linha rousseauneana, naturalmente. Tentando, dessa forma, mitigar a existência e o crescendo exponencial do crime violento organizado em Portugal. Um fenómeno que não é transitório, como muitos possam julgar, antes é um fenómeno que chegou a Portugal para se fixar por longo prazo. O tempo que durar este regime demo-liberal que desgraçadamente temos em Portugal. Disso não haja tolas ilusões.
Naturalmente que existem outros motivos para o incremento do crime violento em Portugal e que especialmente não são referidos aqui, como, por exemplo, a toxicodependência, a exclusão social, a existência dos chamados bairros socialmente problemáticos, hoje, muitos deles, transformados em autênticos e perigosos guetos de populações africanas, que pelo seu número e situação social em que se encontram dificilmente são integráveis na sociedade portuguesa e, também, numa permissiva política de imigração caótica que consente no território nacional (uma espécie de “caixote do lixo” da Europa) a existência de milhares de imigrantes clandestinos, parte significativa dos quais se dedica a toda a espécie de crimes e ilicitudes. Em todo o caso, porém, tudo o que acabo de dizer nas linhas acima, acontece porque indiscutivelmente toda a esquerda marxista e os demo-liberais têm sobre as questões que acabam de ser referidas uma postura política e social que se pode qualificar de puramente laxista e situada exclusivamente numa abordagem “politicamente correcta”[iii] que não só não resolve os problemas como os ampliam a cada hora e dia que passa. Como todos estamos a constatar e a sentir na nossa pele.
SANTOS SILVA
[i] Sobre o «oitocentismo», sairá, brevemente, um texto de Carlos Cardoso intitulado “O «oitocentismo» em Decomposição”.
[ii] A Etologia, segundo o professor austríaco Konrad Lorenz, é uma disciplina cientifica que «considera o comportamento animal e o comportamento do homem em função de um sistema que deve a sua existência e a sua configuração particular a um devir histórico, que se realiza na história filogenética, na evolução do individuo e, quanto ao homem, na história da cultura».
[iii] Durante as recentes grandes “rusgas” efectuadas pela PSP e pela GNR a determinados bairros problemáticos da região de Lisboa (Cova da Moura e da Fonte, entre outros), logo foram estas operações securitárias asperamente criticadas pela esquerda e pelos demo-liberais que consideraram que isso representou uma acção meramente “discriminatória” sobre locais habitados por africanos.
quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Contributo para a caracterização de um pensamento político de direita no início do século XXI
Num mundo que após terem colapsado os regimes comunistas europeus do dito bloco Soviético, passou a estar dominado por um modelo capitalista, temperado aqui e ali com alguns laivos de intervencionismo estatal social-democrata ou socialista, na esfera económica, pela democracia representativa na organização política e por uma totalitária dominância filosófica e ideológica da esquerda no campo cultural, pretende-se nas linhas que seguem sintetizar em moldes actuais, como que em jeito de “balanço da situação”, os pontos doutrinais susceptíveis de continuarem a caracterizar um modelo de pensamento, um ideário e uma mundividência “de direita”, que se contraponha ao asfixiante unanimismo do “pensamento único” instalado na comunicação social, nos meios artísticos, nas escolas e nos centros do poder.
1. A recusa da actual democracia parlamentar e a opção por formas orgânicas de representatividade política.
Na perspectiva da sociologia empírica de Gaetano Mosca, Vilfredo Paretto e Robert Michels provou-se que as elites políticas não são nunca o produto da vontade das massas mas que as minorias se seleccionam a si próprias, por auto-afirmação e concorrência. E, por isso, os dirigentes dos partidos políticos não são fiéis mandatários livremente escolhidos pelo povo mas oligarquias, tanto mais fechadas sobre si mesmas quanto mais organizado for o partido. Em resumo, o parlamentarismo pluripartidário, que é a forma mais evoluída de democracia inorgânica, não é, nem remotamente, a suposta expressão da vontade geral.
Gonzalo Fernandez de la Mora
No actual estado de desenvolvimento civilizacional resulta indefensável qualquer regime dirigista, que assente em legitimidade de tipo dinástico, ou na força das armas. A população, nos países ocidentais desenvolvidos pelo menos, está suficientemente informada para reivindicar o direito de ter algo a dizer quanto à escolha daqueles que vão conduzir os seus destinos colectivos. Mas assente este pressuposto há que recusar o parlamentarismo herdado dos séculos dezoito e dezanove, por dissociado das realidades actuais. As interessantes propostas do corporativismo doutrinário nunca foram realmente testadas na prática porque os regimes que as consagravam na letra das suas constituições políticas ou não tiveram a coragem de levar até ao fim os princípios que diziam defender ou foram militarmente derrotados depois de se terem deixado arrastar para formas ditatoriais autoritárias, tudo sacrificando ao culto de um chefe supostamente clarividente como se a humanidade ainda estivesse no tempo de Alexandre Magno, Trajano ou Tsin Shi Huang-Ti…
Resulta daqui que se deve propugnar um novo modelo de selecção dos governantes que confira aos cidadãos um efectivo controlo sobre os desempenhos de quem os representa, e possibilite a todas as correntes de opinião, desde que não contrárias aos interesses nacionais, a possibilidade de intervirem politicamente de forma consequente, pondo-se cobro ao monopólio das actuais oligarquias partidárias que se substituem no poder. Os círculos políticos uninominais, em que os cidadãos de cada circunscrição possam escolher entre pessoas concretas, a quem responsabilizarão na próxima eleição se não cumprir as promessas eleitorais, temperados com um círculo nacional residual que possibilite às pequenas forças políticas aceder também aos areópagos do poder, a proibição dos políticos eleitos acumularem as suas funções com qualquer outra actividade profissional lucrativa, a impossibilidade de reeleição para qualquer cargo político, incluindo as autarquias locais após três mandatos, a liberdade de voto no parlamento sem fidelidade partidária, são sugestões para uma imediata moralização da vida pública. A prazo será defensável um estudo aturado no sentido de actualizar a ideia corporativa adaptando-a ao mundo de hoje e à globalização económica. Tarefa, reconheça-se, eivada de numerosos escolhos. Mas tudo muda e talvez o futuro recupere a necessidade de se recorrer a esses conceitos que verdadeiramente nunca foram testados.
2. Uma concepção pessimista sobre a natureza humana, por contraposição ao optimismo ontológico da esquerda.
A razão da necessidade da existência dos governos é que somente as leis são capazes de conter as paixões dos homens. É com a ajuda das leis que o governo pode preservar a sociedade; essas leis não são substitutos da virtude, não podem sequer inculcar a virtude no coração dos cidadãos; o seu papel é suprimir o vício: a lei é, em geral, formulada numa linguagem negativa.
Louis de Bonald
O ser humano é uma natureza decaída desde o pecado original. É capaz de se superar e de fazer o bem, mas luta permanentemente contra a tentação da facilidade, do ócio, e dos apelos hedonistas. As instituições sociais, a sabedoria imemorial dos usos e costumes, as leis, os princípios de comportamento, embora careçam de ser aperfeiçoados e temperados com o evoluir dos tempos, não são maléficas construções dogmáticas para coarctar a liberdade de seres supostamente “bons por natureza” como pretende o optimismo esquerdista, mas sim condicionantes necessárias para que o homem concreto, feito do “barro e da costela de Adão”, controle os seus instintos nocivos e se eduque no sentido da vida em comunidade e do aperfeiçoamento moral e civilizacional, legando aos seus descendentes um mundo melhor do que aquele que encontrou à nascença.
3. Uma perspectiva estóica de moderação em relação aos bens materiais, em detrimento do culto do progresso galopante e do consumismo frenético.
Houve tempos em que os povos do Ocidente, talvez por mais chegados à intimidade da terra e ao saber que dela se colhe, consideraram outras utopias tão aliciantes como estas simples visões do espírito. Hoje, porém, o artificialismo em que se vive afastou a inteligência para tão longe da realidade que se acredita sem custo no absurdo de um progresso infinito num mundo finito; se aceita, ou se esquece, a contradição que representa aspirar e lutar pelos altos níveis de consumo das chamadas sociedades desenvolvidas, quando elas assentam num crescente aumento da ignorância e da fome para dois terços da humanidade.
Que importa que se saiba, cientificamente, que a extensão destes níveis de consumo a toda a humanidade esgotaria, em menos de vinte anos, as matérias-primas existentes na Terra, para só falar destas? Não importa que se saiba porque o materialismo insensibilizou a consciência dos homens do nosso tempo a tal ponto que cada um pensa apenas em si e que depois de si pode vir o dilúvio.
Fernando Pacheco de Amorim
O progresso não consiste num acumular maníaco de riqueza susceptível de esgotar os recursos naturais do planeta e tornar a vida impossível para os nossos descendentes. A cultura do desperdício e do supérfluo, característica do “american way of life” deve ser substituída por uma orientação que condicione a actividade económica no sentido de favorecer as actividades que gerem emprego em lugar de substituir pessoas por máquinas, lançando-as no desemprego e na marginalidade, que negue a possibilidade de se estragarem bens quando dois terços da humanidade vive em situação de carência, que vede o multiplicar das actividades especulativas e impeça as economias de casino, e que substitua pela filosofia da contenção e de uma nova espiritualidade sob pena de, em não mais de duas gerações, graves convulsões sociais e crises ecológicas (hoje já bem latentes) fazerem entrar em colapso os níveis de vida actualmente conseguidos pelo Ocidente.
4. A cultura e a arte como sublimações do real, versus a cultura e a arte como distorções do real.
Leitura desagradável. Imprimem-se (…) nos nossos dias livros onde as palavras obscenas são reproduzidas com todas as letras – quero referir-me àquelas palavras que outrora se não viam senão nas paredes dos urinóis, nas gares mal iluminadas. (…) Em Sade o acto de violência segue-se imediatamente à palavra obscena. É ela que dá o sinal: violado o primeiro tabu, todos os outros desaparecem. (…) Vem primeiro a degradação pela palavra, depois pelo acto. Mal a liberalização chega às últimas barreiras abre a porta aos assassinos. É uma lei geral.
E, enfim, de um ponto de vista formal que queda na chateza, que falta de imaginação; que cegueira, diante desta dança à beira do abismo, que é o direito hereditário do artista e da sua liberdade! Ele triunfa, alado, na graça imponderável do verbo – lá é que reside o seu risco e o seu poder redentor.
Ernst Jünger
A direita defende um conceito e uma ideia de cultura e de arte elevados, que respeitem a dignidade humana na convicção de que um poder superior a conferiu, e cultivem os valores da beleza, do sublime e da harmonia.
A esquerda propende para uma cultura niilista, que assenta numa caleidoscópica pesquisa do bizarro, na experimentação de novas sensações, na fragmentação do real, e na provocação e subversão agressivas dos valores tradicionais.
5. Busca de uma Ordem.
A ordem é o efeito da vida e não a causa dela. A ordem é sinal de uma cidade forte e não a origem da sua força. A vida e o fervor e a “tendência para” é que criam a ordem. Mas a ordem nem cria vida, nem fervor, nem “tendência para”. Por muito elevada que seja a tua imagem do homem, por muito nobre que seja o teu fim, fica sabendo que ele se tornará vil e estúpido se o enunciares através do guarda. Não é da competência do guarda transmitir uma civilização mas proibir actos sem compreender porquê.
Antoine de Saint-Exupéry
A direita cultiva a necessidade de uma ordem comunitária que estruture a vida das sociedades, que assente em valores transmissíveis de pais para filhos, seja temperada pelo teste do fluir do tempo, e que assegure a cada um a possibilidade de determinar as suas próprias expectativas com base em regras perenes, que se imponham a todos.
Em contraponto, as mundividências libertárias de esquerda, assentes na consagração radical da liberdade sem peias e sem regras, depois de períodos convulsivos de anarquia e abandalhamento geraram historicamente intervenções totalitárias e um estatismo aniquilador das liberdades individuais concretas.
6.O direitista como homem típico das situações de excepção e a multiplicação particularista das organizações de direita.
Mesmo uma multidão se torna fraca quando isolada pois o isolamento trás consigo a desmobilização, o desamparo e, neste mundo de comunicação de massas, a desvantagem decisiva da ausência de coordenação. Não possuindo esse alto comando de que a revolução dispõe graças ao monopólio dos media, os contra-revolucionários não estão atentos, ou pelo menos não o estão simultaneamente, aos perigos que os ameaçam.
O factor tempo escapa-lhes de tal maneira que, enquanto os mais atentos já vêem o perigo, os outros ainda descansam nas formas mais variadas de confortável indiferença.
Ao invés dos revolucionários, permanentemente em pé de guerra, os contra-revolucionários acham-se divididos em grande número de grupos que, embora partilhando as mesmas ideias, não partilham a mesma consciência da ameaça que paira sobre eles. O que alguns julgam essencial, a ser preservado por todos os meios, outros consideram-no não essencial, enquanto um terceiro e quarto grupos seguem ainda linhas diferentes. O resultado é uma posição geral de derrotismo. A mobilização geral revolucionária significa todos os revolucionários reagirem da mesma maneira ao perigo, acenderem-se os sinais de alarme no centro quando na periferia algo de anormal sucede.
Entre os contra-revolucionários não há sequer sistema de alarme: como não existe qualquer rede, o sinal não é transmitido da periferia para o gabinete central de operações o qual, de resto, não existe.
Thomas Molnar
Os direitistas têm tendência para a dispersão individualista, para a multiplicidade de doutrinas e para a desorganização grupal em épocas de normalidade, talvez por se dedicarem essencialmente à família e às actividades próprias da sociedade civil e por reconhecerem aos seus correligionários o direito de seguirem vias doutrinárias diversas e heterodoxas. Apenas em momentos de excepção, de grandes perigos ou conflitos, o direitista costuma aparecer em posições políticas de destaque.
Em contrapartida a esquerda tem uma propensão conatural para a conspiração permanente, para a concertação de actuações mesmo em tempos de paz e acalmia, para o pensamento único e para a defesa unanimista do que previamente definiu como politicamente correcto.
7. A desigualdade e a individualidade das pessoas.
Do homem como mero conjunto de reflexos condicionados, uma máquina, passa-se lentamente para o conceito do homem como um organismo aberto ao meio e às suas influências, mas com códigos de comportamento e capacidades programadas de antemão pela herança genética e transmissível. Da igualdade para a desigualdade do género humano.
Irenäus Eibl-Eibesfeldt
A direita reconhece a desigualdade natural dos indivíduos como dado assente a partir do qual se devem criar condições para que cada um possa desenvolver as suas concretas capacidades pessoais e para que aos menos aptos o Estado, pela via da redistribuição da riqueza, assegure a satisfação das necessidades básicas compatíveis com a dignidade humana.
A esquerda defende uma igualdade abstracta de todas as pessoas, homogeneizando-as, com base em pressupostos científicos oitocentistas que as modernas descobertas da etologia e da física quântica ultrapassaram.
8. Estatuição da responsabilidade individual das pessoas pelos seus actos.
(…) Existe uma fronteira entre o bem e o mal e cada um é responsável por escolher o lado da fronteira em que se coloca. Neste código de valores, a primeira pergunta da civilização da liberdade a um indivíduo não é: como se explica que ele tenha feito isto? A pergunta é: como explicas tu que tu próprio tenhas feito isto?
João Carlos Espada
Para um pensamento de direita os actos individuais, as acções e omissões de cada um devem-lhe ser imputados, extraindo-se depois as consequências. Isto é válido tanto para os julgamentos criminais como para as actuações desportivas, artísticas ou culturais, como ainda para o desempenho de cargos políticos, administrativos ou económicos.
Ao contrário, a esquerda dilui a responsabilidade individual numa plêiade de explicações sociológicas e económicas que tendem a demonstrar que a estruturação da sociedade é que causa deterministicamente tais actos.
José António Carvalho
1. A recusa da actual democracia parlamentar e a opção por formas orgânicas de representatividade política.
Na perspectiva da sociologia empírica de Gaetano Mosca, Vilfredo Paretto e Robert Michels provou-se que as elites políticas não são nunca o produto da vontade das massas mas que as minorias se seleccionam a si próprias, por auto-afirmação e concorrência. E, por isso, os dirigentes dos partidos políticos não são fiéis mandatários livremente escolhidos pelo povo mas oligarquias, tanto mais fechadas sobre si mesmas quanto mais organizado for o partido. Em resumo, o parlamentarismo pluripartidário, que é a forma mais evoluída de democracia inorgânica, não é, nem remotamente, a suposta expressão da vontade geral.
Gonzalo Fernandez de la Mora
No actual estado de desenvolvimento civilizacional resulta indefensável qualquer regime dirigista, que assente em legitimidade de tipo dinástico, ou na força das armas. A população, nos países ocidentais desenvolvidos pelo menos, está suficientemente informada para reivindicar o direito de ter algo a dizer quanto à escolha daqueles que vão conduzir os seus destinos colectivos. Mas assente este pressuposto há que recusar o parlamentarismo herdado dos séculos dezoito e dezanove, por dissociado das realidades actuais. As interessantes propostas do corporativismo doutrinário nunca foram realmente testadas na prática porque os regimes que as consagravam na letra das suas constituições políticas ou não tiveram a coragem de levar até ao fim os princípios que diziam defender ou foram militarmente derrotados depois de se terem deixado arrastar para formas ditatoriais autoritárias, tudo sacrificando ao culto de um chefe supostamente clarividente como se a humanidade ainda estivesse no tempo de Alexandre Magno, Trajano ou Tsin Shi Huang-Ti…
Resulta daqui que se deve propugnar um novo modelo de selecção dos governantes que confira aos cidadãos um efectivo controlo sobre os desempenhos de quem os representa, e possibilite a todas as correntes de opinião, desde que não contrárias aos interesses nacionais, a possibilidade de intervirem politicamente de forma consequente, pondo-se cobro ao monopólio das actuais oligarquias partidárias que se substituem no poder. Os círculos políticos uninominais, em que os cidadãos de cada circunscrição possam escolher entre pessoas concretas, a quem responsabilizarão na próxima eleição se não cumprir as promessas eleitorais, temperados com um círculo nacional residual que possibilite às pequenas forças políticas aceder também aos areópagos do poder, a proibição dos políticos eleitos acumularem as suas funções com qualquer outra actividade profissional lucrativa, a impossibilidade de reeleição para qualquer cargo político, incluindo as autarquias locais após três mandatos, a liberdade de voto no parlamento sem fidelidade partidária, são sugestões para uma imediata moralização da vida pública. A prazo será defensável um estudo aturado no sentido de actualizar a ideia corporativa adaptando-a ao mundo de hoje e à globalização económica. Tarefa, reconheça-se, eivada de numerosos escolhos. Mas tudo muda e talvez o futuro recupere a necessidade de se recorrer a esses conceitos que verdadeiramente nunca foram testados.
2. Uma concepção pessimista sobre a natureza humana, por contraposição ao optimismo ontológico da esquerda.
A razão da necessidade da existência dos governos é que somente as leis são capazes de conter as paixões dos homens. É com a ajuda das leis que o governo pode preservar a sociedade; essas leis não são substitutos da virtude, não podem sequer inculcar a virtude no coração dos cidadãos; o seu papel é suprimir o vício: a lei é, em geral, formulada numa linguagem negativa.
Louis de Bonald
O ser humano é uma natureza decaída desde o pecado original. É capaz de se superar e de fazer o bem, mas luta permanentemente contra a tentação da facilidade, do ócio, e dos apelos hedonistas. As instituições sociais, a sabedoria imemorial dos usos e costumes, as leis, os princípios de comportamento, embora careçam de ser aperfeiçoados e temperados com o evoluir dos tempos, não são maléficas construções dogmáticas para coarctar a liberdade de seres supostamente “bons por natureza” como pretende o optimismo esquerdista, mas sim condicionantes necessárias para que o homem concreto, feito do “barro e da costela de Adão”, controle os seus instintos nocivos e se eduque no sentido da vida em comunidade e do aperfeiçoamento moral e civilizacional, legando aos seus descendentes um mundo melhor do que aquele que encontrou à nascença.
3. Uma perspectiva estóica de moderação em relação aos bens materiais, em detrimento do culto do progresso galopante e do consumismo frenético.
Houve tempos em que os povos do Ocidente, talvez por mais chegados à intimidade da terra e ao saber que dela se colhe, consideraram outras utopias tão aliciantes como estas simples visões do espírito. Hoje, porém, o artificialismo em que se vive afastou a inteligência para tão longe da realidade que se acredita sem custo no absurdo de um progresso infinito num mundo finito; se aceita, ou se esquece, a contradição que representa aspirar e lutar pelos altos níveis de consumo das chamadas sociedades desenvolvidas, quando elas assentam num crescente aumento da ignorância e da fome para dois terços da humanidade.
Que importa que se saiba, cientificamente, que a extensão destes níveis de consumo a toda a humanidade esgotaria, em menos de vinte anos, as matérias-primas existentes na Terra, para só falar destas? Não importa que se saiba porque o materialismo insensibilizou a consciência dos homens do nosso tempo a tal ponto que cada um pensa apenas em si e que depois de si pode vir o dilúvio.
Fernando Pacheco de Amorim
O progresso não consiste num acumular maníaco de riqueza susceptível de esgotar os recursos naturais do planeta e tornar a vida impossível para os nossos descendentes. A cultura do desperdício e do supérfluo, característica do “american way of life” deve ser substituída por uma orientação que condicione a actividade económica no sentido de favorecer as actividades que gerem emprego em lugar de substituir pessoas por máquinas, lançando-as no desemprego e na marginalidade, que negue a possibilidade de se estragarem bens quando dois terços da humanidade vive em situação de carência, que vede o multiplicar das actividades especulativas e impeça as economias de casino, e que substitua pela filosofia da contenção e de uma nova espiritualidade sob pena de, em não mais de duas gerações, graves convulsões sociais e crises ecológicas (hoje já bem latentes) fazerem entrar em colapso os níveis de vida actualmente conseguidos pelo Ocidente.
4. A cultura e a arte como sublimações do real, versus a cultura e a arte como distorções do real.
Leitura desagradável. Imprimem-se (…) nos nossos dias livros onde as palavras obscenas são reproduzidas com todas as letras – quero referir-me àquelas palavras que outrora se não viam senão nas paredes dos urinóis, nas gares mal iluminadas. (…) Em Sade o acto de violência segue-se imediatamente à palavra obscena. É ela que dá o sinal: violado o primeiro tabu, todos os outros desaparecem. (…) Vem primeiro a degradação pela palavra, depois pelo acto. Mal a liberalização chega às últimas barreiras abre a porta aos assassinos. É uma lei geral.
E, enfim, de um ponto de vista formal que queda na chateza, que falta de imaginação; que cegueira, diante desta dança à beira do abismo, que é o direito hereditário do artista e da sua liberdade! Ele triunfa, alado, na graça imponderável do verbo – lá é que reside o seu risco e o seu poder redentor.
Ernst Jünger
A direita defende um conceito e uma ideia de cultura e de arte elevados, que respeitem a dignidade humana na convicção de que um poder superior a conferiu, e cultivem os valores da beleza, do sublime e da harmonia.
A esquerda propende para uma cultura niilista, que assenta numa caleidoscópica pesquisa do bizarro, na experimentação de novas sensações, na fragmentação do real, e na provocação e subversão agressivas dos valores tradicionais.
5. Busca de uma Ordem.
A ordem é o efeito da vida e não a causa dela. A ordem é sinal de uma cidade forte e não a origem da sua força. A vida e o fervor e a “tendência para” é que criam a ordem. Mas a ordem nem cria vida, nem fervor, nem “tendência para”. Por muito elevada que seja a tua imagem do homem, por muito nobre que seja o teu fim, fica sabendo que ele se tornará vil e estúpido se o enunciares através do guarda. Não é da competência do guarda transmitir uma civilização mas proibir actos sem compreender porquê.
Antoine de Saint-Exupéry
A direita cultiva a necessidade de uma ordem comunitária que estruture a vida das sociedades, que assente em valores transmissíveis de pais para filhos, seja temperada pelo teste do fluir do tempo, e que assegure a cada um a possibilidade de determinar as suas próprias expectativas com base em regras perenes, que se imponham a todos.
Em contraponto, as mundividências libertárias de esquerda, assentes na consagração radical da liberdade sem peias e sem regras, depois de períodos convulsivos de anarquia e abandalhamento geraram historicamente intervenções totalitárias e um estatismo aniquilador das liberdades individuais concretas.
6.O direitista como homem típico das situações de excepção e a multiplicação particularista das organizações de direita.
Mesmo uma multidão se torna fraca quando isolada pois o isolamento trás consigo a desmobilização, o desamparo e, neste mundo de comunicação de massas, a desvantagem decisiva da ausência de coordenação. Não possuindo esse alto comando de que a revolução dispõe graças ao monopólio dos media, os contra-revolucionários não estão atentos, ou pelo menos não o estão simultaneamente, aos perigos que os ameaçam.
O factor tempo escapa-lhes de tal maneira que, enquanto os mais atentos já vêem o perigo, os outros ainda descansam nas formas mais variadas de confortável indiferença.
Ao invés dos revolucionários, permanentemente em pé de guerra, os contra-revolucionários acham-se divididos em grande número de grupos que, embora partilhando as mesmas ideias, não partilham a mesma consciência da ameaça que paira sobre eles. O que alguns julgam essencial, a ser preservado por todos os meios, outros consideram-no não essencial, enquanto um terceiro e quarto grupos seguem ainda linhas diferentes. O resultado é uma posição geral de derrotismo. A mobilização geral revolucionária significa todos os revolucionários reagirem da mesma maneira ao perigo, acenderem-se os sinais de alarme no centro quando na periferia algo de anormal sucede.
Entre os contra-revolucionários não há sequer sistema de alarme: como não existe qualquer rede, o sinal não é transmitido da periferia para o gabinete central de operações o qual, de resto, não existe.
Thomas Molnar
Os direitistas têm tendência para a dispersão individualista, para a multiplicidade de doutrinas e para a desorganização grupal em épocas de normalidade, talvez por se dedicarem essencialmente à família e às actividades próprias da sociedade civil e por reconhecerem aos seus correligionários o direito de seguirem vias doutrinárias diversas e heterodoxas. Apenas em momentos de excepção, de grandes perigos ou conflitos, o direitista costuma aparecer em posições políticas de destaque.
Em contrapartida a esquerda tem uma propensão conatural para a conspiração permanente, para a concertação de actuações mesmo em tempos de paz e acalmia, para o pensamento único e para a defesa unanimista do que previamente definiu como politicamente correcto.
7. A desigualdade e a individualidade das pessoas.
Do homem como mero conjunto de reflexos condicionados, uma máquina, passa-se lentamente para o conceito do homem como um organismo aberto ao meio e às suas influências, mas com códigos de comportamento e capacidades programadas de antemão pela herança genética e transmissível. Da igualdade para a desigualdade do género humano.
Irenäus Eibl-Eibesfeldt
A direita reconhece a desigualdade natural dos indivíduos como dado assente a partir do qual se devem criar condições para que cada um possa desenvolver as suas concretas capacidades pessoais e para que aos menos aptos o Estado, pela via da redistribuição da riqueza, assegure a satisfação das necessidades básicas compatíveis com a dignidade humana.
A esquerda defende uma igualdade abstracta de todas as pessoas, homogeneizando-as, com base em pressupostos científicos oitocentistas que as modernas descobertas da etologia e da física quântica ultrapassaram.
8. Estatuição da responsabilidade individual das pessoas pelos seus actos.
(…) Existe uma fronteira entre o bem e o mal e cada um é responsável por escolher o lado da fronteira em que se coloca. Neste código de valores, a primeira pergunta da civilização da liberdade a um indivíduo não é: como se explica que ele tenha feito isto? A pergunta é: como explicas tu que tu próprio tenhas feito isto?
João Carlos Espada
Para um pensamento de direita os actos individuais, as acções e omissões de cada um devem-lhe ser imputados, extraindo-se depois as consequências. Isto é válido tanto para os julgamentos criminais como para as actuações desportivas, artísticas ou culturais, como ainda para o desempenho de cargos políticos, administrativos ou económicos.
Ao contrário, a esquerda dilui a responsabilidade individual numa plêiade de explicações sociológicas e económicas que tendem a demonstrar que a estruturação da sociedade é que causa deterministicamente tais actos.
José António Carvalho
quarta-feira, 15 de Outubro de 2008
Crise Económica, Reflexo de uma Desordem
A decantada crise económica não é mais que um tumor de fixação de um mal generalizado e profundo.
Efectivamente do que se trata é da contumaz e desabrida subversão de uma ordem. Verdadeiramente o que está em curso é a destruição ignominiosa dos fundamentos e dos valores de uma Civilização. A crise não é propriamente de economia, mas de doutrina e de autenticidade.
O despudor hedonista, a ânsia materialista, o desaforo consumista, tornaram o Ocidente ocioso, guloso e balofo; a adopção desse filho espúrio que é o existencialismo ateu justificou a alienação do seu sentido, da sua missão, do seu destino; com o mesmo efeito, a promoção da versão eufemista e anestesiante de existencialismo, aquilo a que hoje se vai chamando humanismo para significar-se o homem referenciado a si próprio.
Descambou-se numa civilização do comprimido e do botão, símbolos míticos da renúncia ao sofrimento e ao esforço; de renúncia ao merecimento.
Vivem-se as falácias do progresso e do bem-estar como simples frutos de reivindicação e, como resultado, as frustrações que geram o niilismo que se afirma e massifica.
Impera o pacifismo, mitificação da paz, para justificar a desmobilização que nos prepara para ser presas fáceis de qualquer paz que não é a nossa.
O pragmatismo que começou por ser uma tentadora filosofia do senso comum e prático e se converteu na confusão entre a prossecução da verdade e a prossecução do útil imediato. A tecnocracia que cingiu a avaliação dos custos dos bens de que gozamos a um cálculo económico-contabilistico imediatista e vem propor como objectivos para o destino das nações, números, taxas, e que se vangloria de atingi-los como se governar se reduzisse a gerir cifras.
Os governantes dos regimes que nos sujeitam não alcançam ou não querem assumir a responsabilidade que os legitimaria, ou seja, a defesa dos autênticos princípios e valores pátrios, o prescutar dos clamores abafados da nacionalidade, o apontar e dirigir objectivos de dignidade, de grandeza e de missão, o realizar de um destino.
Perdida a perspectiva da história, subalternizada a Honra, repudiado o Heróico, ficamos à mercê de um qualquer internacionalismo, ficamos satisfeitos com as aparências e devotos do comodismo.
Esquecemos, fazemos por esquecer, que mesmo os bens materiais de que dispomos e em que as gerações de hoje se atafulham despreocupadamente são árduas afirmações civilizacionais, frutos de uma cultura milenária e de uma esforçada luta de conquista.
Merecê-los – quando eles nos não dominam, nem diminuem, nem adulteram – não resulta só de ter moeda para dar em troca, mas também da disponibilidade para nos batermos. Nos tempos que correm pululam os exemplos de que assim é, e, triste sinal dos tempos, concomitantemente os exemplos de tibieza dos supostos primeiros responsáveis em defender uma herança e fazê-la prosperar.
Crise de pensamento, crise de acção, crise de identidade; desordem nos espíritos, desordem na convivência, desordem nos objectivos; eis a degradação do Ocidente.
Assim, particularmente, está Portugal, país sem projecto, amputado no espaço, na população e na alma, cerceado na vocação, distraído do destino.
Não se fale então em recuperar a economia, antes afirme-se o imperativo
de restaurar a Pátria.
Herlander Duarte
Efectivamente do que se trata é da contumaz e desabrida subversão de uma ordem. Verdadeiramente o que está em curso é a destruição ignominiosa dos fundamentos e dos valores de uma Civilização. A crise não é propriamente de economia, mas de doutrina e de autenticidade.
O despudor hedonista, a ânsia materialista, o desaforo consumista, tornaram o Ocidente ocioso, guloso e balofo; a adopção desse filho espúrio que é o existencialismo ateu justificou a alienação do seu sentido, da sua missão, do seu destino; com o mesmo efeito, a promoção da versão eufemista e anestesiante de existencialismo, aquilo a que hoje se vai chamando humanismo para significar-se o homem referenciado a si próprio.
Descambou-se numa civilização do comprimido e do botão, símbolos míticos da renúncia ao sofrimento e ao esforço; de renúncia ao merecimento.
Vivem-se as falácias do progresso e do bem-estar como simples frutos de reivindicação e, como resultado, as frustrações que geram o niilismo que se afirma e massifica.
Impera o pacifismo, mitificação da paz, para justificar a desmobilização que nos prepara para ser presas fáceis de qualquer paz que não é a nossa.
O pragmatismo que começou por ser uma tentadora filosofia do senso comum e prático e se converteu na confusão entre a prossecução da verdade e a prossecução do útil imediato. A tecnocracia que cingiu a avaliação dos custos dos bens de que gozamos a um cálculo económico-contabilistico imediatista e vem propor como objectivos para o destino das nações, números, taxas, e que se vangloria de atingi-los como se governar se reduzisse a gerir cifras.
Os governantes dos regimes que nos sujeitam não alcançam ou não querem assumir a responsabilidade que os legitimaria, ou seja, a defesa dos autênticos princípios e valores pátrios, o prescutar dos clamores abafados da nacionalidade, o apontar e dirigir objectivos de dignidade, de grandeza e de missão, o realizar de um destino.
Perdida a perspectiva da história, subalternizada a Honra, repudiado o Heróico, ficamos à mercê de um qualquer internacionalismo, ficamos satisfeitos com as aparências e devotos do comodismo.
Esquecemos, fazemos por esquecer, que mesmo os bens materiais de que dispomos e em que as gerações de hoje se atafulham despreocupadamente são árduas afirmações civilizacionais, frutos de uma cultura milenária e de uma esforçada luta de conquista.
Merecê-los – quando eles nos não dominam, nem diminuem, nem adulteram – não resulta só de ter moeda para dar em troca, mas também da disponibilidade para nos batermos. Nos tempos que correm pululam os exemplos de que assim é, e, triste sinal dos tempos, concomitantemente os exemplos de tibieza dos supostos primeiros responsáveis em defender uma herança e fazê-la prosperar.
Crise de pensamento, crise de acção, crise de identidade; desordem nos espíritos, desordem na convivência, desordem nos objectivos; eis a degradação do Ocidente.
Assim, particularmente, está Portugal, país sem projecto, amputado no espaço, na população e na alma, cerceado na vocação, distraído do destino.
Não se fale então em recuperar a economia, antes afirme-se o imperativo
de restaurar a Pátria.
Herlander Duarte
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